Microsoft vs Apple: rumo à liderança global no setor tecnológico

O mercado tecnológico é feroz não somente para os profissionais da área, mas também para as big techs do setor. Com uma iminente proibição dos celulares da Apple na China, e um rebaixamento do selo de recomendação de compra emitido pela Barclays e Piper Sandler, a empresa perdeu valor no cenário da tecnologia, abrindo espaço para que a Microsoft se torne a companhia mais valiosa do mundo.

Ao procurar o valor das ações das respectivas empresas negociadas na Bolsa de Valores, também conhecida como B3, fica claro o nível de desvalorização da marca para os investidores. No momento da escrita dessa matéria, as ações da Microsoft estão a ser negociadas ao dobro do preço da Apple, impulsionando a visão do mercado que a famosa marca de smartphones está perdendo sua força. 

O que está acontecendo?

Essa queda no valor das ações da Apple veio após a China anunciar, em outubro de 2023, a proibição do uso de aparelhos da marca nas agências e empresas apoiadas pelo governo. Segundo analistas do Bank of America, esse movimento veio em uma tentativa de valorizar o lançamento do novo smartphone da fabricante chinesa Huawei. 

Um problema ainda maior no meio dessa tempestade, é que grande parte dos dispositivos comercializados pela Apple são produzidos por fábricas chinesas. Além disso, apesar da empresa não revelar o número de vendas por país, analistas da empresa indicam que a China é uma das maiores consumidoras da marca.

Com essa mudança de relacionamento da marca com o governo chinês, o seu faturamento pode estar muito comprometido com essa nova mudança nas diretrizes do país. Além disso, como grande parte da fabricação destes dispositivos é feita nas fábricas localizadas nessa região, a imprevisibilidade desse cenário acaba dando ainda mais incertezas para os investidores da empresa na bolsa.

Depois desse primeiro golpe, a Apple recebeu um rebaixamento em uma espécie de selo de recomendação de compra das ações pela Barclays e Piper Sandler. Essa decisão veio junto de uma queda de 1,4% no valor das ações da empresa, fazendo com que o seu valor de mercado caísse aproximadamente US$170 bilhões na primeira semana de 2024.

As baixas vendas do iPhone 15, em relação a outros dispositivos, tem dado sinais de que o iPhone 16 também será comercializado de maneira igualmente fraca. Mas para além dos smartphones, a Apple também está correndo sérios riscos em outras atividades envolvendo a marca no território americano. 

Na justiça americana, diversos processos estão em análise pelas autoridades americanas devido às práticas da App Store. Tanto é que recentemente, o The New York Times divulgou que a Apple está prestes a enfrentar um pesado processo antitruste, ajuizada pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) ainda no primeiro semestre de 2024.

Como se não bastasse tudo isso, a empresa também vem realizando cortes agressivos nos gastos da empresa. Em agosto de 2022, ela demitiu cerca de 100 funcionários da área de recrutamento e congelou as contratações para 2023. Além disso, ela cortou contratos com diversos prestadores de serviços, o que não foi visto com bons olhos pelo mercado. 

A ascensão da Microsoft 

Neste meio tempo, a Microsoft subiu cerca de 2% no acumulado de 2024, após um aumento de 57% em 2023. Segundo a Reuters, o valor de mercado da empresa está em US$2,837 trilhões, enquanto a Apple, ainda em primeiro lugar, está avaliada em US$2,866 trilhões. 

Porém, vale frisar que a Microsoft já esteve na liderança deste ranking das empresas mais valiosas do mundo, mas nunca se manteve no topo por muito tempo. Essa disputa, que acontece desde 2018, teve seu mais recente “round” em 2021, quando a Apple enfrentou incertezas devido à escassez de chips.

Isso pode ser visto também através da visão de Wall Street perante a Microsoft. As corretoras não estão dando recomendações de venda para as ações da empresa, e grande parte delas recomendam a compra. Totalmente diferente da situação da Apple, onde somente dois terços dos analistas que cobrem a empresa, a classificam como “compra”.

A empresa fornece softwares para computadores como o notebook i5, por exemplo, também está presente na maioria dos dispositivos usados tanto por usuários comuns, quanto por grandes companhias, o que possibilita que a marca consiga se valorizar cada vez mais. Mas esse não foi o grande acerto da empresa. 

Por que essa valorização em torno da Microsoft?

A inteligência artificial tem se tornado um dos temas mais recorrentes nos meios empresariais, e a Microsoft conseguiu enxergar o potencial dessa ideia. Tanto é que ela realizou um investimento pesado de US$13 milhões no lançamento de ferramentas de software baseadas em IA generativas graças à sua parceria com a OpenAI, criadora do Chat GPT. 

Isso acaba sendo confirmado por meio de uma análise do Boston Consulting Group (BCG), feita em parceria com o Fórum Econômico Mundial (WEF), em que afirma que 68% das empresas de manufatura já têm pelo menos uma aplicação de Inteligência Artificial (IA) em sua produção.

O nível de revolução que as Inteligências Artificiais acabaram por provocar nos processos internos e externos, é algo que ainda não existe um modo concreto de quantificar. Porém, grande parte das empresas têm implementado essa ferramenta para personalizar o atendimento aos clientes, e até mesmo melhorar departamentos internos. 

Voltando para a Microsoft, esse investimento pesado fez com que ela estivesse na vanguarda de todas as inovações relacionadas à Inteligência Artificial Generativa, o que fez com que a empresa se tornasse ainda mais valorizada por estar à frente do grande movimento de revolução da tecnologia da próxima década. 

Isso somente consolidou a marca como vanguardista, principalmente após investir pesado no armazenamento na nuvem. Por conta disso, os investidores veem mais segurança em investir na Microsoft, do que em outras empresas, já que ela sempre está à frente das novas tecnologias do mercado.

O que não significa que a empresa conseguirá superar o valor de mercado da Apple, e muito menos se manter “na crista da onda”. Mas ao que tudo indica, as perspectivas para a Microsoft são excelentes, e talvez, muito em breve, ela possa superar a fabricante de smartphones.