Menos de 7% dos municípios maranhenses contam com esgotamento sanitário

Foi com muito suor e esforço que a diarista Ana Cláudia (31) conseguiu construir a casa onde vive com a mãe e as duas filhas, no Jardim Tropical, periferia de São Luís. “Cada centavo recebido de salário foi usado aqui. Hoje temos nossa casinha própria”, orgulha-se a mãe que trabalha o dia inteiro para garantir o sustento da família.

Apesar do sonho realizado, a trabalhadora ainda tem algumas preocupações, em especial, com a saúde das filhas e da mãe, que já é idosa: a sujeira que escorre de porta em porta e ameaça a saúde pública.

Apesar de serem diversas, algumas das principais doenças que podem ser causadas pela água de esgoto não tratado são: Hepatite A, Giardíase, Amebíase ou Disenteria Amebiana, Leptospirose, Cólera, Ascaridíase e Febre Tifoide, por exemplo.

Um levantamento da Associação das Concessões Privadas de Saneamento (ABCON), com base nos números do SNIS 2019 (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) apontou que, no Maranhão, apenas 14 cidades contam com serviço de tratamento de esgoto, ou seja, apenas 6,5% dos municípios maranhenses contam com esgotamento sanitário.

Sem esperar

Para contribuir com a transformação social, o Centro de Apoio aos Pequenos Empreendimentos (Ceape) criou o programa Ceape Sanear, que já beneficiou, ao todo, 1.476 famílias. O programa tem como finalidade melhorar a qualidade de vida da população brasileira por meio de investimentos em  saneamento básico. “As pessoas podem obter uma linha de crédito para reformar ou construir um banheiro, poço artesiano, fossa séptica, cisterna ou até mesmo melhorar a qualidade da água que consome”, explica Nathalia Pereira, coordenadora do programa Ceape Sanear.

Criado a partir do convênio com a Water.org – organização americana e sem fins lucrativos – o programa a atende pessoas de baixa renda. “Quase metade da população brasileira ainda não tem coleta de esgoto e 35 milhões de brasileiros ainda não possuem água tratada em casa. Quando vimos os dados estatísticos alarmantes decidimos ajudar essas pessoas oferecendo não somente o crédito, mas dignidade”, revela Nathalia Pereira.

Como funciona o crédito?

O Ceape Sanear oferece crédito mais acessível para famílias que têm a necessidade de melhorar as condições de saneamento em suas residências, desde que atendam a alguns critérios.

“O valor da parcela não pode exceder  30% do valor da renda líquida. Além disso, não pode haver restrições no SPC e Serasa; no caso de empreendedores, é preciso ter avalista e a atividade deve estar ativa há, no mínimo, seis meses, possuindo capacidade de pagamento comprovada. Se for dupla ou grupo não necessita de avalista; o cliente não-empreendedor pode ter emprego com carteira assinada (período mínimo de seis meses), ser servidor público aposentado ou não, ter contrato de prestação de serviços (em vigor), ser aposentado pelo INSS ou pensionista vitalicio”, esclarece.

A solicitação do crédito pode ser feita por telefone. “Basta entrar em contato pelo número 0800 885 0135 que a central repassará para o assessor da área. O atendimento é realizado em até 72 horas e a ligação é gratuita”, explica Fernando Coelho, gerente de Marketing e Relacionamento do Ceape Sanear.
Quanto ao valor do crédito, varia de R$ 500 a R$ 10.000, sendo liberado conforme a capacidade de pagamento do cliente. O crédito também pode ser  parcelado de 3 a 24 vezes e ser renovado de acordo a necessidade de cada cliente.

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