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MasterChef coloca shibari em pauta e desperta curiosidade sobre o fetiche das cordas

Comentário de participante durante prova chamou atenção para uma prática japonesa que mistura arte, intimidade e confiança

Quem acompanhou o episódio do MasterChef Brasil desta terça-feira pode ter se surpreendido com uma referência pouco comum em um programa de culinária. Durante uma das provas, a participante Carla Araújo comparou a técnica de amarrar um frango ao shibari, prática japonesa conhecida pelas amarrações com cordas e bastante popular entre praticantes de BDSM.

A fala rapidamente repercutiu nas redes sociais e despertou a curiosidade de quem nunca tinha ouvido falar no termo. Embora seja frequentemente associado a fetiches, o shibari é uma prática muito mais ampla do que a maioria das pessoas imagina.

Originário do Japão, o shibari tem suas raízes no hojojutsu, técnica utilizada por samurais para imobilizar prisioneiros entre os séculos XV e XVI. Com o passar do tempo, as amarrações passaram a ganhar contornos artísticos e performáticos, evoluindo para uma prática que combina estética, técnica, confiança e conexão entre as pessoas envolvidas.

Para entender melhor o tema, o Sexlog, maior rede social de sexo e swing da América Latina, conversou com Amauri Filho, artista conhecido pelo perfil @liononadiet e praticante de shibari desde 2017. Segundo ele, a atividade vai muito além da simples restrição de movimentos. “O shibari é uma prática sobretudo de intimidade. Ainda que seja possível praticar por diversão, como acontece em festas de fetiche, a prática sempre exige alguma entrega, algum cuidado e conexão.”

No universo BDSM, a pessoa responsável pelas amarrações costuma ser chamada de rigger. Já quem é amarrado pode receber diferentes denominações, como modelo, dupla ou sub. Apesar de muitas pessoas associarem a prática diretamente à sexualidade, Amauri explica que existem diferentes formas de vivenciá-la.

Além do aspecto erótico, o shibari também pode ser praticado como expressão artística ou ferramenta de autoconhecimento. Algumas pessoas procuram experiências com cordas para explorar emoções, sensações corporais e estados de concentração que pouco têm relação com o sexo em si.

A associação automática entre BDSM e relações sexuais é, inclusive, um dos estereótipos mais comuns enfrentados por praticantes. “Acho que o fascínio do BDSM está no fascínio do proibido. Para quem já faz parte do universo, o BDSM é mais uma forma de se expressar. Mas pra quem vê de fora, é aquela espiada pela fechadura de algo que a gente tem curiosidade, mas disseram pra gente não fazer.”

Segundo levantamento realizado pelo Sexlog, maior rede social de sexo e relacionamento do Brasil, o interesse por fetiches cresce ano após ano entre os brasileiros, refletindo uma busca cada vez maior por autoconhecimento, novas experiências e formas alternativas de viver a sexualidade.

O aumento da visibilidade, porém, não elimina a necessidade de informação. Diferentemente da brincadeira feita no MasterChef, o shibari envolve técnicas específicas e exige conhecimento para ser praticado com segurança. Amauri explica que as cordas exercem pressão sobre a pele, músculos, vasos sanguíneos e nervos, o que pode gerar lesões quando as amarrações são realizadas de forma inadequada. Por isso, a recomendação dos praticantes é buscar conteúdo educativo, cursos e profissionais experientes antes de tentar reproduzir técnicas mais avançadas.

Para quem ficou curioso após a referência no reality culinário, ele recomenda conhecer a comunidade presencialmente por meio de eventos voltados ao universo fetichista, onde o respeito, a inclusão e o consentimento costumam ser valores centrais.

Sobre o Sexlog

O Sexlog é a maior rede social de sexo e swing do Brasil, com mais de 25 milhões de usuários cadastrados. A plataforma reúne pessoas solteiras e casadas interessadas em explorar fantasias, conhecer novas experiências e se conectar com parceiros que compartilham interesses semelhantes.