Maranhão busca ampliar parceria com a China para atrair investimentos e diversificar indústria
Reunião destacou potencial logístico, comercial e tecnológico do estado
São Luís — Em meio ao avanço das relações comerciais entre Brasil e China, o Maranhão tenta consolidar uma nova etapa de sua inserção internacional, agora voltada à atração de investimentos e ao fortalecimento industrial. Esse foi o eixo de uma reunião realizada na segunda-feira (4), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), que reuniu lideranças empresariais, autoridades públicas e representantes da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China.
O encontro, promovido pelo Conselho Temático de Desenvolvimento Industrial e Inovação (CODIN) da FIEMA, em parceria com o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Programas Estratégicos (SEDEPE), discutiu oportunidades estratégicas para ampliar a cooperação com o país asiático. A agenda incluiu temas como articulação institucional, missões internacionais e mecanismos para fomentar negócios bilaterais.
A vinda do presidente da Câmara Brasil-China, Charles Andrew Tang, ocorreu no âmbito da parceria entre a FIEMA e a SEDEPE, que é de longa data e contribui para fortalecer a atração de investimentos, ampliar a inserção internacional do estado e impulsionar o desenvolvimento econômico sustentável.
A presença do presidente da Câmara Brasil-China, Charles Andrew Tang, deu o tom das discussões. Considerado uma referência nas relações econômicas entre os dois países, ele destacou a relevância do Maranhão no cenário internacional, sobretudo pelo papel no fornecimento de commodities e pela infraestrutura logística. Segundo Tang, o estado reúne condições singulares para ampliar sua participação no comércio global, especialmente pela capacidade portuária e pela proximidade com rotas internacionais.
Dados apresentados pelo Observatório da Indústria do Maranhão reforçam esse diagnóstico. Em 2025, o estado exportou US$ 1,71 bilhão para a China, enquanto as importações somaram US$ 289,3 milhões, resultando em saldo amplamente positivo. A soja concentrou a maior parte das vendas externas, com US$ 1,68 bilhão, seguida por celulose e minério de ferro. Ao longo dos últimos anos, a balança comercial manteve superávit consistente, indicando vantagem estrutural na relação comercial com o país asiático.
Além do peso econômico, a China também se destaca como principal destino das exportações brasileiras. No último ano, o país asiático respondeu por cerca de US$ 100 bilhões em compras do Brasil, consolidando-se como o maior parceiro comercial do país. Esse cenário amplia o interesse de estados exportadores, como o Maranhão, em aprofundar vínculos e diversificar sua pauta produtiva.
Durante a reunião, o presidente do CODIN e vice-presidente executivo da FIEMA, Luiz Fernando Renner, afirmou que o estado reúne condições para avançar além da exportação de matérias-primas. Ele defendeu a ampliação de parcerias para atrair empreendimentos industriais capazes de agregar valor à produção local. “O Maranhão possui infraestrutura logística competitiva, tanto para exportação quanto para importação, e pode se tornar também um polo de produtos industrializados”, afirmou.
A estratégia passa pela articulação entre setor produtivo e poder público. Representando o governo estadual, o secretário adjunto da SEDEPE, José Domingues Neto, destacou o papel do Estado na construção de um ambiente favorável aos negócios e à cooperação internacional. “O Maranhão tem avançado na criação de condições institucionais para atrair investimentos e fortalecer cadeias produtivas. A aproximação com parceiros estratégicos, como a China, amplia nossas oportunidades de desenvolvimento e consolida o estado como um ambiente competitivo para novos empreendimentos”, afirmou.
Outro eixo abordado foi o potencial tecnológico, com destaque para o setor espacial. O diretor de Governança do Setor Espacial da Agência Espacial Brasileira (AEB), Rogério Luís Veríssimo Cruz, ressaltou iniciativas voltadas ao fortalecimento do Centro de Lançamento de Alcântara. Segundo ele, a estratégia inclui tanto a consolidação da base para operações comerciais quanto o desenvolvimento socioeconômico da região.
A cooperação internacional aparece como fator decisivo nesse processo. O histórico de parceria entre Brasil e China na área espacial, como o programa de satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), aliado ao interesse recente de empresas estrangeiras, indica um ambiente favorável à expansão de investimentos tecnológicos. A participação de instituições locais, incluindo universidades e entidades industriais, é apontada como essencial para viabilizar esse avanço.
Participaram do evento o vice-presidente executivo da FIEMA e presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE Maranhão, Celso Gonçalo; os diretores da FIEMA, Milton Campelo e Leonor de Carvalho; o 1º secretário da FIEMA, Pedro Robson Costa, além de nomes relevantes do cenário empresarial e institucional, como o ex-presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Ted Lago; o empresário Paulo Salvador da Grão-Pará Maranhão; o superintendente de Planejamento e Desenvolvimento Econômico da SEDEPE, Pedro Dantas Rocha Neto; além de dirigentes da Emap, da Secretaria de Agricultura e Pecuária (Sagrima), da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), do Instituto de Metrologia e Qualidade Industrial do Maranhão (INMESQ) e representantes do setor produtivo.
