“Como as pessoas de lá têm, aqui também tem que ter”, diz aluna da primeira Escola Digna da Ilha de Curupu

A 20 km de São Luís, em um verdadeiro paraíso natural situado no município da Raposa, moradores de uma pequena comunidade conhecida como povoado Canto, na Ilha de Curupu, finalmente podem matricular seus filhos em uma escola de verdade – e sem precisar fazer uma longa jornada pelo mar e pela areia para isso. Isso porque o governador Flávio Dino entregou neste mês o anexo da Unidade Escolar Manoel Batista, a primeira Escola Digna da localidade. 

“Quando eu era apenas uma criança, eu já sonhava com isso. É muito difícil a gente se afastar dos pais da gente para ter um estudo melhor e aqui não tinha”, conta a educadora Cleidiane de Jesus, que nasceu na região, mas precisou se mudar para a cidade de São José de Ribamar para completar os estudos. 

Hoje Cleidiane é professora dos 22 alunos da comunidade Canto inscritos na Unidade Escolar Manoel Batista. Durante longos anos, antes da entrega da Escola Digna de Curupu, a escola funcionou em um barracão improvisado de madeira e depois passou a funcionar, também de forma improvisada, na casa da própria professora Cleidiane de Jesus.

Na antiga e insalubre estrutura do passado, as crianças eram obrigadas a assistir as aulas em duas condições degradantes: no calor escaldante durante a estação seca ou molhadas com os respingos de água da chuva que entrava no casebre durante o período chuvoso.  

“Antes ela [a professora Cleidiane] lecionava em um barraco, em uma casinha de madeira, que ou chovia, entrava água por cima e batia no chão e molhava, ou então era muito calor e ninguém conseguia aprender nada”, comentou o secretário de Estado da Educação (Seduc), Felipe Camarão, durante o ato de entrega da nova unidade. 

“Subir na vida”

Com essa nova escola na Ilha de Curupu, a pequena Mary Costa pode agora sonhar em chegar a faculdade e “subir na vida” por meio dos estudos. Para a menina, finalmente o poder público lembrou que os moradores da pequena comunidade “também são seres humanos”. 

“Podemos aqui ‘subir’ bem alto, como arranjar um trabalho, subir na vida, fazer faculdade, fazer muitas coisas aqui. A gente só tem que agradecer quem lembrou da gente, quem lembrou que a também somos seres humanos. Porque todo mundo é igual, não tem gente diferente uma da outra. Como as pessoas de lá têm, a gente aqui também tem que ter”, comemorou a aluna. 

Se Mary acredita que agora ela vai poder “ir para escola com gosto”, para Sabrina Assunção, outra aluna do povoado, no novo prédio os estudantes enfim poderão acompanhar as aulas sem sofrer com o calor.  

“Agora a gente não vai mais sentir calor. Ficou melhor com essas janelas, com esses ventiladores aqui na sala. Ficou muito bacana. Gostei de tudo. Amei demais”, conta Sabrina.

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