Campanha alerta que eleitores terão dois votos para o Senado em 2026
Pesquisa Genial/Quaest mostra que 66% dos brasileiros não conhecem a regra; iniciativa também explica as atribuições da Casa e alerta para o abandono do voto para o Senado
Nas eleições de 2026, cada eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes para o Senado Federal. A informação, ainda desconhecida por boa parte da população, é o ponto de partida de Voto pro Senado, campanha cívica e apartidária assinada pelo Instituto Update, organização liderada por mulheres que atua para ampliar a participação política e fortalecer sistemas democráticos. A iniciativa quer explicar como funciona essa votação e reduzir o abandono do voto para o cargo.
Pesquisa nacional Genial/Quaest, realizada entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026, revela que apenas 34% dos brasileiros sabem que poderão escolher dois senadores neste ano. Outros 22% acreditam que terão apenas um voto, 10% respondem que poderão escolher três candidatos e 34% não sabem ou não responderam. Somados, os eleitores que indicam outro número ou não conhecem a regra chegam a 66%, quase sete em cada dez brasileiros. Registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números BR-06591/2026 e BR-07661/2026, o levantamento ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O Senado Federal é formado por 81 parlamentares, três de cada estado e do Distrito Federal, com mandatos de oito anos. A renovação ocorre alternadamente: em uma eleição, é escolhida uma vaga por unidade da Federação; na seguinte, duas. Em 2026, estarão em disputa dois terços da Casa, o que corresponde a 54 cadeiras. Além de elaborar e revisar leis, os senadores fiscalizam o Poder Executivo. Entre as competências exclusivas do Senado estão aprovar indicações para cargos como ministros dos tribunais superiores, procurador-geral da República, presidente e diretores do Banco Central e embaixadores; autorizar operações financeiras da União, dos estados e dos municípios; e processar e julgar autoridades em crimes de responsabilidade, como nos processos de impeachment.
“São decisões que mexem com a economia, com as instituições e com a fiscalização do próprio governo. Quando o eleitor entende o que está em jogo, fica mais fácil avaliar as candidaturas e dar o peso certo aos dois votos que vai ter neste ano”, diz Carolina Althaller, diretora executiva do Instituto Update.
Desigualdade no acesso à informação
Os dados da Genial/Quaest mostram que a informação sobre a eleição para o Senado está chegando menos às mulheres. Apenas 28% delas sabem que poderão escolher dois candidatos. “As mulheres vivem as políticas públicas na prática e estão muito próximas de seus efeitos no cotidiano, seja no cuidado com a família, na saúde, na educação ou no acesso aos serviços públicos. Quando a informação sobre a votação para o Senado não chega até elas, existe uma desigualdade no acesso ao exercício pleno do voto. Elas precisam saber que terão duas escolhas e entender o poder desses votos sobre decisões que afetam diretamente suas vidas”, explica Carolina.
A pesquisa também aponta diferenças relacionadas à renda e à escolaridade. Entre pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos, 26% sabem que terão dois votos para o Senado. O percentual chega a 45% entre quem possui renda superior a cinco salários mínimos. Entre entrevistados com ensino fundamental, 25% sabem que poderão escolher dois candidatos; no grupo com ensino superior, o percentual é de 46%.
A campanha também chama atenção para o chamado abandono do voto para o Senado, que ocorre quando o eleitor comparece à seção eleitoral e participa da escolha para outros cargos, mas não registra votos válidos para as vagas de senador, seja por decisão, desconhecimento ou erro durante a votação. Dados do TSE mostram que, em 2018, último pleito no qual duas cadeiras por estado estavam em disputa, foram registrados 63,3 milhões de votos brancos e nulos para o Senado. Em 2022, quando cada eleitor escolheu apenas um senador, esse total foi de 23 milhões.
“Ter dois votos não quer dizer votar duas vezes no mesmo candidato. Cada voto para senador é composto pelos três números de uma candidatura, e as duas escolhas precisam ser diferentes. Se o eleitor repetir o mesmo número, só o primeiro voto vale. A gente quer que essa orientação chegue de um jeito simples, porque ninguém deveria perder o direito de escolher por não saber como funciona”, afirma Dany Fioravanti, diretora de Estratégia do Instituto Update.
Campanha em diversos meios de comunicação
Com a mensagem central “são dois votos”, a campanha Voto pro Senado já começou no ambiente digital, com vídeos para plataformas nas redes sociais e no site oficial: https://votoprosenado.com.br/. O conteúdo será reforçado progressivamente até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A estratégia também prevê spots de rádio e mídia exterior distribuídos por diversas comunidades, em diferentes estados. As peças, que também estarão publicadas nas redes sociais da campanha (instagram.com/votoprosenado) vão destacar, de forma direta, que cada eleitor terá dois votos para o Senado e que eles devem ser destinados a candidaturas diferentes.
Sobre o Instituto Update
O Instituto Update é uma organização liderada por mulheres e uma plataforma regional de inovação e imaginação política no Sul Global. A entidade conecta lideranças, fortalece redes e produz conhecimento com o objetivo de ampliar a participação política de mulheres diversas e contribuir para sistemas democráticos mais participativos.
