Suplementos de origem natural: o que saber antes de usar
Na busca por uma rotina mais saudável, ingredientes como algas, ervas e extratos vegetais ganharam espaço entre as opções de suplementação. Segundo levantamento do Instituto Locomotiva, 75% dos brasileiros utilizam suplementos alimentares ou vitaminas.
Nesse cenário, o mercado de suplementos naturais também chama a atenção: o segmento movimenta cerca de US$ 35 bilhões por ano no Brasil, conforme dados da Euromonitor International.
Com tantas opções disponíveis, porém, é importante lembrar que a origem de um ingrediente não determina, por si só, sua segurança.
Embora possam complementar a alimentação em situações específicas, os suplementos de origem natural precisam ser escolhidos de acordo com as necessidades individuais, a composição e a regularização sanitária.
O que são suplementos de origem natural?
Os suplementos de origem natural são produtos formulados com ingredientes provenientes de fontes vegetais, animais ou minerais. Eles podem conter nutrientes ou outras substâncias concentradas e têm como finalidade complementar a alimentação, sem substituir refeições.
Entre os ingredientes utilizados estão plantas, ervas, algas e extratos vegetais. Óleos de peixe, sementes e determinados minerais também podem servir como fontes de componentes presentes nesses produtos. Alguns exemplos encontrados no mercado são:
— Produtos à base de plantas: preparações com cúrcuma, gengibre e outras espécies vegetais;
— Algas: como chlorella, utilizada como ingrediente em suplementos;
— Óleos e sementes: fontes de compostos como os ácidos graxos ômega-3;
— Vitaminas e minerais: nutrientes apresentados em formulações concentradas, conforme a composição de cada produto;
— Proteínas: como o whey protein, derivado do soro do leite.
A presença desses ingredientes, entretanto, não significa que todos os produtos tenham a mesma finalidade ou sejam indicados para qualquer pessoa. A necessidade de suplementação depende de fatores como alimentação, condições de saúde, restrições alimentares e possíveis deficiências nutricionais.
Por isso, antes de incluir suplementos naturais na rotina, é importante avaliar se existe uma necessidade concreta e se a formulação é adequada para cada caso.
Natural não significa isento de riscos
A associação entre natureza e segurança pode levar ao consumo sem orientação, especialmente quando produtos são divulgados como alternativas livres de efeitos adversos. No entanto, substâncias de origem vegetal também podem provocar reações indesejadas, principalmente quando utilizadas em excesso ou em situações inadequadas.
Dependendo da composição e da quantidade consumida, os suplementos naturais podem causar desconfortos gastrointestinais, alergias e alterações na pressão arterial ou no ritmo cardíaco. O uso indiscriminado de determinadas substâncias também pode prejudicar órgãos como fígado e rins.
Outro ponto importante são as interações medicamentosas. Alguns componentes podem alterar a ação de remédios ou aumentar o risco de efeitos adversos. A intensidade dessas interações depende da substância, da dose, do medicamento utilizado e das condições de saúde de cada pessoa.
O risco varia conforme o produto e o contexto clínico, o que reforça a importância de informar ao profissional de saúde sobre todos os suplementos e medicamentos utilizados.
Além disso, há perigos relacionados à procedência. Produtos irregulares ou falsificados podem conter substâncias não declaradas, ingredientes proibidos ou quantidades diferentes das informadas no rótulo. A contaminação por compostos tóxicos também é uma preocupação.
Assim, a expressão “natural” não deve ser interpretada como garantia de pureza, eficácia ou ausência de problemas.
Como escolher com segurança e orientação profissional
Diante desses riscos, a escolha de suplementos de origem natural deve começar pela avaliação da necessidade de uso.
Isso vale para produtos de origem natural muito procurados, como a spirulina: a escolha deve ser feita com orientação de nutricionista ou médico e em produtos regularizados. Esses profissionais podem considerar o histórico de saúde, a alimentação, os objetivos individuais e os medicamentos utilizados para orientar a decisão.
Também é importante verificar a situação sanitária do produto. No Brasil, produtos naturais em cápsulas podem ser classificados como suplementos alimentares ou medicamentos fitoterápicos, conforme suas características e finalidade. Cada categoria segue requisitos específicos de autorização e controle.
No caso dos suplementos alimentares, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disponibiliza uma ferramenta para consultar os constituintes autorizados, seus limites de uso e as condições aplicáveis. Ingredientes que não constam na lista de constituintes permitidos não podem ser utilizados nessa categoria.
Já os produtos comercializados com finalidade terapêutica precisam atender às exigências aplicáveis aos medicamentos. Para verificar se um produto está registrado como medicamento, é possível consultar a base de registros da Anvisa. Na hora da compra, alguns cuidados ajudam a reduzir os riscos:
— Leia o rótulo: verifique a composição, a quantidade dos ingredientes, as orientações de uso e a identificação do fabricante;
— Desconfie de promessas milagrosas: alegações de resultados garantidos ou de tratamento de várias condições merecem atenção;
— Informe sobre medicamentos: comunique ao profissional de saúde o uso de remédios, vitaminas e outros suplementos.
Em todos os casos, é importante evitar o uso por conta própria, o aumento de doses ou a combinação de produtos sem avaliação prévia, mesmo quando são de origem natural.
