Quando o comportamento fala: como identificar sinais de transtornos do neurodesenvolvimento no seu filho
Neuropsicopedagoga explica como diferenciar desafios comuns da infância de sinais que podem indicar TDAH, autismo, TOD ou transtornos de aprendizagem
Com o crescimento de diagnósticos como TDAH, autismo, TOD e transtornos específicos de aprendizagem, pais e educadores enfrentam um desafio cada vez mais complexo: entender o que é comportamento típico e o que pode sinalizar um transtorno do neurodesenvolvimento. Para orientar famílias, a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, especialista em desenvolvimento infantil, esclarece como observar os sinais com atenção e responsabilidade.
Silvia reforça que os transtornos do neurodesenvolvimento se manifestam desde os primeiros anos de vida e não surgem de forma brusca. “Nem toda agitação é TDAH, nem toda criança tímida está no espectro autista e nem toda birra é TOD. O que diferencia um transtorno é a persistência, a intensidade e o impacto na vida da criança”, explica.
Sinais que merecem atenção dos pais
A especialista recomenda observar padrões repetidos, não apenas episódios isolados:
1. Dificuldades de atenção, impulsividade e hiperatividade (TDAH)
Quando a criança perde o foco com facilidade, age sem pensar ou não consegue se organizar em diferentes ambientes.
2. Desafios na interação social e comunicação (TEA)
Inclui evitar contato visual, dificuldade para compartilhar interesses, comportamentos repetitivos e possíveis sensibilidades sensoriais.
3. Problemas persistentes na aprendizagem (Dislexia)
Trocas de letras, leitura muito lenta, escrita com muitos erros ou dificuldade inesperada em matemática.
4. Padrões intensos de oposição, raiva e desafio (TOD)
O TOD, cada vez mais reconhecido, envolve comportamentos como:
● birras frequentes e intensas, acima do esperado para a idade;
● desafio constante a regras e figuras de autoridade;
● irritabilidade persistente;
● dificuldade em lidar com frustrações pequenas;
● tendência a discutir, provocar ou culpar outros.
“O TOD não significa ‘falta de limites’ ou ‘personalidade forte. “É um transtorno que envolve regulação emocional e precisa ser compreendido, não punido”, alerta Silvia.
Diferenças entre os transtornos
Silvia resume de forma clara:
● TDAH → foco, impulsividade e organização.
● TEA → socialização, comunicação e comportamentos repetitivos.
● Transtornos de aprendizagem → leitura, escrita e raciocínio matemático.
● TOD → comportamento opositor, irritabilidade e dificuldade com regras.
“Cada transtorno tem sua lógica e suas necessidades. Às vezes, um mesmo diagnóstico convive com outro, por isso avaliações rápidas e generalistas podem confundir mais do que ajudar”, destaca a neuropsicopedagoga.
Quando buscar ajuda
A recomendação é procurar um profissional quando os sinais:
● duram mais de seis meses;
● aparecem em mais de um ambiente (casa, escola, convivência social);
● trazem prejuízos para aprendizagem, convivência ou autoestima.
“A avaliação multidisciplinar é essencial. Avaliar não é buscar rótulos, é entender. E quando entendemos, conseguimos apoiar essa criança para que se desenvolva com autonomia e alegria”, reforça Silvia.
O papel da família e da escola
Segundo Silvia, a cooperação entre casa e escola é determinante. Professores observam padrões na rotina escolar, enquanto a família percebe nuances do comportamento diário.
“Quando esses olhares se unem, a criança ganha uma rede real de proteção e suporte. Conhecimento é cuidado. Quando entendemos o funcionamento da criança, abrimos portas, e nunca as fechamos”, conclui.
Caso queira se aprofundar na pauta, fico à disposição para fazer a ponte de entrevista com a especialista.
Silvia Kelly Bosi
Cientista e neuropsicopedagoga, graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, com especializações em Autismo, Desenvolvimento Infantil, Análise do Comportamento, Neurociências e Neuroaprendizagem. Certificada internacionalmente pelo CBI of Miami em Desenvolvimento Infantil e Avaliação Comportamental. Mestranda em Atenção Precoce pela Universidad del Atlántico (Espanha) e Perita Judicial certificada pela PUC-Rio. Atua com foco em avaliação neuropsicopedagógica e intervenção nos contextos clínico e educacional.
