Produção de plástico só aumenta e sua decomposição vigora entre os principais problemas ambientais do mundo

No mês em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma das ações simples no dia a dia e que podem fazer diferença na preservação ambiental é diminuir o uso de sacolas plásticas. Mas o ideal, segundo o coordenador do curso de Biomedicina da Estácio, Everton Diniz, seria aliar diminuição do consumo ao acesso a plásticos menos poluentes.

Desde a sua invenção em 1964, a produção de plástico no mundo aumentou vinte vezes, chegando a 322 milhões de toneladas em 2015 e com expectativa de só aumentar. “Embora a fabricação de embalagens plásticas seja essencial para a sociedade moderna, tanto a sua produção quanto o descarte estão associados a problemas ambientais graves, como  contaminação de solo, água e ar. Isso porque a matéria-prima empregada no processo é obtida pela extração e refino de petróleo, sendo altamente nocivo ao ambiente, desde o momento de sua extração até o descarte, com produtos que não se degradam facilmente, e com isso se acumulam nos lixões e aterros sanitários por até 400 anos”, explica.

O professor da Estácio destaca que, mesmo apresentando todos estes problemas, o plástico ainda é muito utilizado, já que apresenta bom desempenho para determinadas funções como resistência e impermeabilidade. Sendo assim, a solução ideal para os problemas causados pelo plástico ao meio ambiente não se reduz apenas à uma mudança de hábito visando seu uso consciente, mas também à criação de matérias-primas substitutas de fácil decomposição natural. “A indústria nos oferece hoje os chamados plásticos biodegradáveis, mas eles são obtidos por meio de processos cerca de 20% mais caros que os empregados na fabricação de plásticos comuns, e se decompõe em cerca de 12 semanas, desde que seja reciclado e submetido a um processo industrial de compostagem. Se não for enviado à indústria, parte deste plástico irá perdurar no ambiente tanto quanto o plástico comum. Desta forma, plásticos biodegradáveis são ambientalmente melhores do que os comuns, porque ocupam menos espaço nos lixões e aterros, além de terem parte de suas moléculas podendo ser decompostas por microrganismos”, revela.

Mas segundo Everton, podem sim existir alternativas ainda mais eficazes para combater a poluição causada pelo plástico, e destaca que um grupo de iniciação científica do curso de Biomedicina da Estácio Resende, sob sua orientação, tem realizado estudos promissores nesse campo. “Temos feito estudos com nanocelulose obtida pelo chá de Kombuchá – obtido a partir da fermentação do chá das folhas da planta Camellia Sinensis -, beneficiada com filme nanoestruturado de carbono tipo diamante, o chamado DLC. A pesquisa busca desenvolver um substituto sustentável e eficiente para as embalagens plásticas, que se decomponha em um período inferior a um mês após seu descarte e que seja produzido a partir de um processo menos oneroso que os usualmente empregados na produção de plásticos biodegradáveis”, aposta..

Além das vantagens ao meio ambiente e de custo de produção, o estudo espera ainda obter embalagens hidrofóbicas (impermeável à água e a todas as substâncias que se misturam a ela), com excelentes propriedades mecânicas, invisíveis ao infravermelho, antimicrobianas e capazes de fixar essências e perfumes.