Pesquisa aponta perfil de donas de negócios e mostra inovação como fundamental para sucesso nos negócios

A maranhense Natana Oliveira, 28, tem talento nato para lidar com o público infantil. Antes mesmo que a pandemia trouxesse para muitas mulheres a necessidade de buscar no empreendedorismo uma alternativa para ajudar no orçamento doméstico, ela percebeu que esse dom era também uma oportunidade. E decidiu, então, investir em um empreendimento voltado para a infância, convicta de que dali surgiria um negócio rentável.

Foi assim o começo da Casa da Criança, uma loja de moda infantil em Balsas que, durante o período da pandemia, conseguiu inovar. Tudo porque a empresária resolveu investir em capacitação, compartilhou com os seus colaboradores e atentou para as tendências e oportunidades que surgiram no mercado. Resultado: na crise, ela conseguiu crescer tanto em número de clientes novos e fidelizados, quanto no faturamento.

Natana é administradora de formação e, além da Casa da Criança, cuida da gestão da clínica odontológica do marido – que após alguns anos de atuação em Balsas, também deu uma virada de chave, recentemente, franqueando-se à Odonto Special, da apresentadora Sabrina Satto. O que a clínica tem de conexão com o universo infantil? O espaço ‘Odonto Special Kids’, adaptado para as necessidades das crianças, reunindo ambientes lúdicos e seguros para brincadeiras, jogos e dinâmicas visando conquistar os pequenos que visitam a clínica, como clientes ou acompanhantes de pais ou parentes. Uma inovação que vem fazendo a diferença no mercado local.

Em pouco tempo, a franquia tornou-se referência na cidade.  O insight de se aliar a uma marca reconhecida nacionalmente, somada à uma gestão empreendedora e planejada, trouxe mais lucratividade e sucesso para o negócio.

“A palavra para 2020 foi ressignificar. Buscamos um novo sentido para os nossos negócios, conquistamos novos clientes, fidelizamos os que já estavam conosco e o mais importante: não paramos de estudar! Nos capacitamos muito, fizemos inúmeros cursos online, recebemos consultorias do Sebrae e nos agarramos a todas as informações e conteúdos que nos fizessem continuar e não parar diante dessa pandemia. O objetivo era sairmos dela ainda mais fortes e melhores”, ressalta a empreendedora.

Além dos cursos de cursos e consultorias online gratuitas que recebeu do Sebrae durante a pandemia, Natana participou de outra estratégia do Sebrae voltada para a área de mercado: o Liquida Bazar, que aconteceu no digital e presencialmente, repetindo o sucesso que teve desde a primeira edição da ação em Balsas. Hoje, a empresária sinaliza que se sente mais preparada para enfrentar novos desafios. “Com o apoio adequado e as orientações do Sebrae, nós empreendedoras podemos nos preparar para chegar cada vez mais longe”, pontua.

“O expressivo número de mulheres que empreendem no Maranhão, suas lutas e anseios estão presentes na nossa agenda diária. O Sebrae tem sido um parceiro efetivo dessas mulheres, apoiando-as para que atuem com uma gestão mais eficiente, possibilitando acesso à inovação, tecnologia e ao mercado, promovendo a qualificação, incentivando a formação de redes colaborativas e a afirmação delas como seres construtores de suas próprias histórias. E isso, para nós, é uma grande honra e um desafio permanente. Ao apoiar as empreendedoras do nosso estado, estamos ajudando o Maranhão a crescer e se desenvolver com base no empreendedorismo, valorizando as mulheres e trabalhando pela igualdade e por respeito a elas, que são guerreiras”, assinala a diretora de Administração e Finanças do Sebrae no Maranhão, Rachel Jordão.

Empreendedorismo feminino na pandemia  

Empreendedoras como Natana personificam as 263 mil donas de negócios identificadas no Maranhão pelo Sebrae na pesquisa Empreendedorismo Feminino no Brasil, que abrange dados até o terceiro trimestre de 2020, período

sob intenso impacto da pandemia de coronavírus. O sudeste concentra 43% dessas mulheres (lideram o ranking, os estados de São Paulo, com 23%, e o de Minas Gerais, com 9%).

A pesquisa aponta que, no terceiro trimestre de 2020, o Brasil registrava 25,6 milhões de Donos de Negócios, sendo destes 8,6 milhões de mulheres (33,6%) e 17 milhões de homens (66,4%). Revela também que no terceiro trimestre do ano passado, a proporção de mulheres no comando de um negócio caiu quase um ponto percentual em comparação com o mesmo período de 2019.

O indicador vinha crescendo desde 2016 de forma bastante consistente. E a explicação para a queda está na maior dedicação das mulheres às tarefas domésticas em razão do isolamento social e dos cuidados com crianças e idosos e a família, que se tornaram obstáculos à atividade empreendedora.

Inovação nos negócios

Embora mais prejudicadas pela pandemia, as mulheres mostraram-se mais inovadoras. Dados de levantamento feito pelo Sebrae e Fundação Getúlio Vargas – FGV apontam que as mulheres demonstraram maior agilidade e competência ao implementar inovações em seus negócios.

De acordo com o levantamento, a maioria das mulheres (71%), faz uso das redes sociais, aplicativos ou internet para vender seus produtos. Já o percentual de homens que utilizam essas ferramentas é bem menor: 63%. Essa vantagem das mulheres diante dos empresários também foi verificada no uso do delivery e nas mudanças desenvolvidas em produtos e serviços.

“Esses dados mostram que os impactos econômicos da pandemia de Covid-19 atingiram as mulheres empreendedoras, freando um crescimento que se verificava desde 2016, de elevação na representatividade das mulheres no universo do empreendedorismo no país. E, ao contrário de nos desestimular, esse fato nos incentiva a continuar lutando para apoiar as mulheres que, corajosamente empreendem neste cenário, buscam inovar e surpreender o mercado”, reflete Rachel Jordão.

Maranhão contabiliza 263 mil mulheres donas de negócios

No Maranhão, são 263 mil mulheres donas de negócios, atuando em uma região onde o empreendedorismo feminino está no DNA de 24% das mulheres ouvidas.

O recorte da pesquisa por estados aponta que no Maranhão, questões que sinalizam desigualdade estão presentes no cotidiano das empreendedoras.

São exemplos, o quesito escolaridade, onde apenas 13% das donas de negócios tem formação superior. Mas, no conjunto geral dos dados, esse traço aparece com força: 78% são brancas e relativamente jovens (59% com idade até 44 anos); 56% são chefes de família, contra 46% da média nacional; 79% ganha até 1 salário-mínimo e só 13% são empregadoras e quando tem empregados, na comparação com negócios comandados por homens, também estão em desvantagem – 79% das maranhenses empregam de 1 a 5 pessoas. E, além disso, 30% delas dedica mais de 40 horas semanais ao negócio, ainda tendo que conciliar com a jornada familiar.

Uma das formas de contribuir para minimizar os efeitos dessas estatísticas foi o Projeto Sebrae Delas Mulher de Negócios, executado no Maranhão em 2019 e 2020.

Para a diretora de Administração e Finanças da instituição e grande entusiasta da iniciativa, os resultados são significativos, tendo o projeto mobilizado mais de 300 mulheres em São Luís, Imperatriz e Caxias em 2019 e parte de 2020.

“O Delas foi um marco e o início de uma virada para muitas das mulheres participantes, de ressignificação de seus negócios e para a compreensão de seus papeis e possibilidades no mundo dos negócios e no plano pessoal. Sem dúvida, uma iniciativa que trouxe novos horizontes para as empreendedoras maranhenses”, conclui a diretora.

Voltado especialmente para as empreendedoras, o projeto Delas trouxe incentivo e suporte ao empreendedorismo feminino por meio do desenvolvimento de competências, networking, planejamento, acesso a mercado, formação de redes de apoio, inovação e para a descoberta de muitas vocações no universo feminino. Em 14 meses, dezenas de cursos, workshops e consultorias beneficiaram mulheres maranhenses nos três municípios ajudando na identificação e soluções de problemas e na integração das mulheres de negócios do Maranhão.

Dados sobre o Empreendedorismo Feminino

  • Os homens estão mais endividados do que as mulheres: 38% deles têm dívidas/empréstimos, mas estão em dia, contra 34% delas.
  • As mulheres são mais cautelosas em relação a contrair dívidas: 35% delas disseram que não possuem dívidas contra 30% dos homens.
  • Em 2019, as mulheres dedicaram 10,4 horas por semana a mais que os homens aos afazeres domésticos (IBGE)
  • A 9ª Pesquisa de Impacto do Coronavírus nos Pequenos Negócios mostra que as mulheres empreendedoras foram mais prejudicadas do que os homens no que diz respeito ao faturamento mensal (75% delas acusaram diminuição contra 71% dos homens)”.
  • As mulheres, foram mais proativas do que os homens no lançamento de novos produtos (46% delas passaram a comercializar novos produtos/serviços, contra 41% dos empresários) e na presença digital (76% delas fazem uso das redes sociais, aplicativos ou internet na venda de seus produtos/serviços, enquanto 67% dos homens utilizam esses canais).
  • Segundo dados da pesquisa GEM 2019, o Brasil tem 52 milhões de empreendedores, sendo desse total 24 milhões de mulheres, com maior concentração na faixa de 24 a 45 anos.
  • Dificuldades da mulher empreendedora ligadas à gestão e conhecimento do mercado, conciliação de múltiplos papéis: dupla jornada, acesso ao crédito, preconceito e discriminação baseada em estereótipos de gênero, medo do fracasso, baixo investimento, educação desigual e falta de estímulo.