Jeans e camiseta não são mais o suficiente: por que os homens estão investindo mais em moda?
Para além de um guarda-roupa funcional, público masculino tem adotado estilo como ferramenta de comunicação de identidade
Durante muito tempo, o uniforme masculino foi resolvido sem esforço: jeans, camiseta e, no máximo, uma variação segura entre cores neutras. Esse repertório não desapareceu, mas sim amadureceu. Hoje, as mesmas peças seguem presentes, mas inseridas em composições mais intencionais, onde caimento, matéria-prima e combinação fazem diferença.
Os números ajudam a dimensionar essa virada, uma vez que o mercado global de moda masculina deve alcançar US$ 923,85 bilhões até 2030, enquanto mais de 44 bilhões de peças serão produzidas no período, segundo projeções do Grand View Research e da Statista, respectivamente. O avanço indica o crescimento em escala do setor, junto ao surgimento de uma demanda mais sofisticada, que passa a valorizar escolhas com mais critério.
Nesse cenário, a mudança tem menos a ver com ruptura e mais com camada. O homem contemporâneo continua buscando praticidade, mas já não deixa de lado a ideia de construir uma imagem coerente com os diferentes contextos que atravessa ao longo do dia. Trabalho híbrido, vida social e presença digital ampliam cada vez mais o papel da roupa como linguagem, e elevam o nível de exigência sobre o que se veste.
Esse cuidado se estende para além do guarda-roupa. O mercado de beleza e cuidados pessoais masculinos projeta atingiu cerca de US$ 47,06 bilhões em 2025, e projeta US$ 64,14 bilhões até o fim da década, com crescimento consistente, segundo a Mordor Intelligence. A lógica é integrada: aparência, bem-estar e estilo passam a compor um mesmo território de interesse.
Como reflexo, o consumo masculino se reorganiza. A decisão de compra incorpora atributos como versatilidade, durabilidade e coerência estética. O guarda-roupa passa a ser pensado como sistema, em que peças dialogam entre si, e não mais como um conjunto isolado de itens. “Existe uma evolução clara no comportamento. O cliente quer praticidade, mas também quer construir uma imagem consistente”, afirma Emilio Guerra, CEO da Skyler, marca referência de moda masculina.
De acordo com o executivo, na prática, isso se traduz em novas combinações. Jeans e camisetas seguem como base, mas passam a dialogar com elementos mais complexos, como blazers leves, camisas de corte preciso e calças de alfaiataria contemporânea. “Hoje, o diferencial está na forma de usar, não apenas no que se usa”, observa Emilio. “O cliente entende melhor proporção, qualidade e combinação, e isso muda completamente o resultado”, reforça.
A resposta da indústria acompanha esse movimento, através de marcas que conseguem estruturar portfólios coerentes, com peças que se conectam, tendem a capturar melhor essa nova demanda. A Skyler aparece como um exemplo dessa leitura aplicada. Com faturamento superior a R$ 78 milhões em 2025, a empresa organiza seus mais de 400 lançamentos por temporada a partir de uma lógica de complementaridade, e não apenas de variedade.
A coleção Timeless, lançamento mais recente da franquia, sintetiza esse momento ao propor uma abordagem alinhada ao conceito de quiet luxury. A alfaiataria surge revisitada, com construções mais leves, enquanto camisetas, polos e jeans permanecem como pilares, agora inseridos em composições mais elaboradas. Tecidos naturais, como algodão e linho, e uma cartela de cores sóbria reforçam a versatilidade e a longevidade das peças.
“No fim, o que muda é a forma como o homem se relaciona com o próprio guarda-roupa. O básico continua essencial, mas ganha novas camadas, e é isso que constrói um estilo mais completo”, conclui Emilio.
Sobre a Skyler:
A Skyler é uma marca de moda masculina que atua no mercado desde 1997, atualmente com 67 lojas em todo o Brasil. Com mais de 400 novos produtos por coleção, suas peças atendem diferentes estilos de vida por meio das linhas Essential, Casual, Motion, Tech, Business, Premium, Forward e Junior.
