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Interiorização do ensino médico avança com primeira turma de Medicina formada em Açailândia

Graduação amplia o acesso à saúde no MA, estado que tem a pior relação médico por habitante no país

A estudante de Medicina Sara Ellen Cabral Silva está a seis meses de concluir a graduação. Natural de Açailândia e bolsista do Programa Mais Médicos, ela reúne, ao longo de cinco anos de formação, experiências que vão desde as primeiras aulas teóricas até a rotina de atendimento nas unidades de saúde onde realizou atividades práticas e teve os primeiros contatos com o atendimento público. Sara é integrante da primeira turma de formandos do IDOMED Açailândia. São 23 novos médicos, que colam grau em dezembro deste ano.

Sara cursou o ensino médio no Instituto Federal do Maranhão (IFMA) e conta que o interesse pela Medicina surgiu ainda nesse período. Ao longo da graduação, o contato com a rotina acadêmica e a prática em saúde reforçou a decisão de seguir a carreira. Hoje, aos 28 anos e prestes a concretizar o sonho com a conclusão da graduação, ela relembra com carinho sua trajetória durante esse período.

“Quando olho para a Sara que entrou na faculdade em 2021, vejo alguém que já estava desacreditada da própria capacidade, mas que nunca deixou de acreditar nos seus sonhos. Eu era uma menina cheia de medos, receios e muitas inseguranças sobre o futuro. O IDOMED Açailândia me proporcionou experiências que me fizeram crescer não apenas como futura médica, mas também como ser humano. Cada experiência prática com os pacientes, cada aprendizado teórico e cada desafio contribuíram para construir a profissional que estou me tornando”, comenta a estudante.

DA PRIMEIRA TURMA À PRIMEIRA FORMATURA

Localizada a mais de 560 quilômetros da capital maranhense, Açailândia passou a contar, há cinco anos, com uma graduação em Medicina voltada à formação de profissionais na própria região, reduzindo a necessidade de deslocamento para grandes centros e contribuindo para a interiorização do ensino médico.

Essa necessidade fica ainda mais relevante quando se examinam as estatísticas sobre o tema. Dados da pesquisa Demografia Médica no Brasil 2025, produzida pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira (AMB), apontam que o Maranhão possui a menor proporção de médicos por habitante do país: são 1,26 médico para cada mil habitantes, enquanto a média nacional é de 2,81 médicos por mil habitantes. Na prática, isso significa que há aproximadamente um médico para cada 794 maranhenses, índice muito inferior ao observado em outras regiões do Brasil.

A desigualdade se torna ainda mais evidente quando se observa a distribuição desses profissionais. Segundo levantamento do Conselho Regional de Medicina do Maranhão (CRM-MA), a capital São Luís concentra cerca de 4,9 médicos por mil habitantes, enquanto o interior do estado registra apenas 0,6 médico por mil habitantes. Ou seja, é bem mais difícil ter acesso à assistência médica especializada fora da capital.

É nesse contexto que a formação de novos profissionais em municípios do interior ganha ainda mais relevância. Para o diretor-geral do IDOMED Açailândia, Caio Rocha, Sara e os demais integrantes da primeira turma representam não apenas a primeira turma de formandos da instituição, mas a consolidação de um projeto que visa ampliar o acesso à saúde na região tocantina.

“É um momento histórico. Todos eles estão desbravando os desafios naturais da implantação de uma graduação em Medicina em uma região que sonhava há anos com a formação de profissionais mais próximos da sua realidade. Foram protagonistas na construção de caminhos, no fortalecimento dos campos de prática e na consolidação de um projeto que nasceu com o propósito de transformar vidas”, afirma o diretor.

Agora, Sara parte para uma nova fase: a escolha da especialidade e a preparação para mais um processo seletivo: a residência médica. “Sigo com o mesmo sonho que me trouxe até aqui, mas com muito mais maturidade e confiança. Quero continuar me capacitando para oferecer o melhor cuidado possível aos meus pacientes, sempre com a certeza de que estou vivendo o propósito que Deus colocou no meu coração”, completa, entusiasmada, a futura médica.

LEGADO

Implantado em Açailândia em 8 de abril de 2021, o IDOMED Açailândia integra o movimento de descentralização do ensino médico no país, ampliando o acesso à formação em Medicina para além das capitais e dos grandes centros urbanos.

Além da formação de novos profissionais, a atuação do IDOMED Açailândia tem gerado impactos diretos na rede pública de saúde da região. Dados oficiais da instituição apontam que, ao longo dos últimos cinco anos, quase R$ 10 milhões foram destinados a ações realizadas por meio do Contrato Organizativo de Ação Pública Ensino-Saúde (Coapes). Os recursos foram aplicados em cursos de capacitação e especialização para servidores da saúde do município, incluindo treinamentos internacionais de excelência em ressuscitação e emergências cardiovasculares, além da aquisição de equipamentos e materiais voltados à melhoria da estrutura das unidades públicas de saúde. Somente no ano passado (2025), foram destinados R$ 5 milhões para iniciativas dessa natureza.

Para Caio Rocha, os resultados refletem o papel que a instituição vem desempenhando no desenvolvimento regional. Segundo ele, a presença da faculdade em Açailândia representa um motivo de orgulho para a comunidade acadêmica e para a cidade, pela contribuição para a formação de profissionais e para o fortalecimento dos serviços de saúde locais.

“Desde a chegada da instituição, percebemos um acolhimento muito positivo da comunidade, que abraçou o projeto com entusiasmo, reconhecendo a importância de ampliar as oportunidades de formação e crescimento para a população. Ficamos felizes em ver os resultados que já vêm sendo alcançados, tanto na formação de novos profissionais quanto no fortalecimento da própria cidade”, destaca o diretor.