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Inovar é estratégia para ampliar competitividade da indústria maranhense

Sistema FIEMA atua em diferentes frentes para que industriários acessem recursos, modernizem processos, façam inovação incremental e criem produtos

SÃO LUÍS – Durante a Feira do Empreendedor, o público conheceu iniciativas realizadas pelo Sistema FIEMA (SESI, SENAI, IEL, Federação) que buscam estimular uma mudança cultural para que a inovação passe a ser incorporada ao dia a dia das indústrias. O painel “Inovação na Indústria: Conectando Startups, Indústrias e Fontes de Financiamento” mostrou como hubs de inovação e o projeto Inova Indústria, que iniciou a sua segunda etapa, contribuem para aproximar as empresas de diferentes modalidades de apoio, desde consultorias e capacitações até projetos voltados à eficiência energética, otimização de processos e desenvolvimento de novos produtos.

Raul Loiola, consultor do IEL-MA, explicou que o Sistema FIEMA (SESI, SENAI, IEL, Federação) oferece diversas oportunidades aos empresários, de acordo com a natureza do projeto. No caso do Serviço Social da Indústria (SESI), a atuação é voltada à inovação interna e às demandas ligadas à saúde e segurança do trabalhador. Já o SENAI concentra esforços em projetos que exigem base técnica e científica, com apoio de laboratórios, consultores e equipes especializadas. Por sua vez, a FIEMA tem ações voltadas aos sindicatos e às empresas a eles associadas, a exemplo do Projeto Inova Indústria, e o IEL-MA realiza inovação incremental por meio de consultorias e capacitações.

As empresas residentes no Hub SENAI de Inovação, por exemplo, têm suporte para estruturar projetos com maior densidade tecnológica, especialmente aqueles que dependem de instituições de ciência e tecnologia para atender às exigências de editais e chamadas públicas. Já o Inova Indústria, executado pela Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) com apoio institucional do Sebrae Maranhão, atende iniciativas que não exigem a figura de um ICT intermediário, permitindo que empresas acessem diretamente oportunidades de inovação, consultorias e soluções voltadas à melhoria de processos e ao desenvolvimento de novos produtos.

FINANCIAMENTO DA INOVAÇÃO – A captação de recursos para inovação, especialmente em editais de maior porte, como os da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e de ministérios federais, que podem variar de R$ 5 milhões a R$ 45 milhões, foi um dos assuntos em debate. Raul explicou que para acessar esses mecanismos as empresas precisam estar formalmente constituídas, enquadradas nas exigências de cada chamada e com regularidade fiscal, o que ainda é um desafio para boa parte da indústria local. “A contrapartida pode variar de 5% a 30%, muitas vezes sem desembolso financeiro imediato, e ser cumprida com recursos internos, equipes e estrutura da própria empresa”, explicou o consultor.

Edgar Lira, especialista em Inovação do Hub SESI de Inovação em Saúde, destacou que a entidade tem ampliado sua atuação junto às empresas por meio de soluções inovadoras voltadas à saúde do trabalhador, com foco especial no bem-estar físico e mental. Ele explicou que a instituição desenvolve aplicativos, softwares e programas específicos, como o Mentis Semear, que utiliza realidade virtual e termômetro emocional para identificar percepções e sentimentos dos colaboradores. “A atuação conjunta entre indústria, academia, iniciativa privada e empreendedores permite criar soluções preventivas, capazes de diagnosticar, implementar e acompanhar ações de saúde no ambiente de trabalho antes que os problemas se agravem”, disse Edgar.

Kellen Luz, instrutora do SENAI-MA, destacou o papel da instituição no apoio às indústrias por meio da inovação incremental, oferecendo consultorias, laboratórios, testes e acompanhamento técnico para transformar ideias em produtos e processos viáveis. Segundo ela, o SENAI atua desde a pesquisa e validação de projetos até o desenvolvimento final, especialmente quando as empresas não dispõem de infraestrutura, equipamentos ou equipes especializadas para avançar sozinhas. Kellen explicou ainda que o SENAI-MA reúne profissionais de diferentes áreas e estrutura tecnológica capaz de atender demandas em setores como alimentos, segurança do trabalho e processos industriais, sempre em parceria com os empresários.

INDÚSTRIA MARANHENSE – As empresas Dona Cervejaria e a Sabor da Ilha são exemplos de indústrias que integram iniciativas de inovação do Sistema FIEMA (SESI, SENAI, IEL, Federação). Tânia Miyake, diretora da FIEMA e presidente do Sindicato das Indústrias de Bebidas, Refrigerantes, Água Mineral e Aguardente do Estado do Maranhão (Sindibebidas), contou que a Dona Cervejaria, da qual é sócia, desenvolve um projeto de inovação voltado à eficiência energética. O foco é no reaproveitamento de água quente, na redução de perdas no processo de resfriamento e na substituição de equipamentos, como trocadores de calor, para tornar a operação da cervejaria mais sustentável.

Segundo Tânia, as medidas devem gerar uma economia estimada entre 10% e 20%, com implantação concluída até dezembro e consolidação da modernização da fábrica ao longo de 2027. A executiva também ressaltou a importância dos editais de fomento, como os da FAPEMA e da Finep, além do apoio do Inova Indústria e de conexões com o Hub SENAI de Inovação, onde a Dona Cervejaria é uma das empresas residentes. “A subvenção econômica é um instrumento essencial para reduzir riscos e impulsionar a inovação na indústria maranhense, especialmente em um estado com grande potencial ligado a importantes biomas”, destacou.

Ana Paula Grolli, presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentos do Estado do Maranhão (SIAMA) e diretora da Sabor da Ilha, disse que a inovação na empresa nasceu da necessidade de unir segurança alimentar e sustentabilidade. Um dos principais projetos em desenvolvimento é a produção de geleias em sachê com embalagem biodegradável. O novo formato, além de prático e ambientalmente sustentável, vai colocar a marca em evidência durante o consumo em restaurantes. Outro eixo da inovação na Sabor da Ilha é o aproveitamento de resíduos orgânicos, especialmente cascas e coroas de abacaxi, que deram origem a uma farinha desenvolvida em parceria com o SENAI-MA. “No Hub SENAI, recebemos apoio técnico para desenvolver projetos, validar processos e estruturar propostas para editais de fomento. Esse suporte tem sido decisivo para transformar ideias em negócios viáveis”, acrescentou Ana Paula.