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Fumaça das queimadas pode agravar doenças respiratórias; confira algumas orientações médicas

A fumaça das queimadas representa um risco para a saúde que vai além do desconforto provocado pelo cheiro de queimado e pela irritação nos olhos e na garganta. Com a presença de partículas finas capazes de penetrar profundamente nos pulmões, a poluição do ar pode desencadear sintomas respiratórios, agravar doenças preexistentes e afetar também pessoas que não têm histórico de problemas respiratórios.

No Maranhão, o cenário reforça a importância do alerta. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontaram 7.513 focos de calor no estado entre janeiro e setembro de 2026, colocando-o na quarta posição do ranking nacional no período. A exposição à fumaça torna necessário redobrar os cuidados, sobretudo entre os grupos mais vulneráveis.

De acordo com Maria Cecília Maiorano, coordenadora da pós-graduação em Pneumologia da Afya Educação Médica São Luís e doutora em Pneumologia, a fumaça contém gases e partículas muito pequenas que provocam inflamação e irritação das vias respiratórias.

“Mesmo uma pessoa que não tenha nenhuma doença respiratória pode apresentar sintomas quando a exposição é intensa ou prolongada”, alerta a pneumologista.

Entre as manifestações mais comuns estão tosse, pigarro, aumento da secreção, rouquidão, chiado no peito e sensação de falta de ar. A médica orienta que a população procure atendimento quando houver falta de ar importante ou progressiva, chiado intenso, dor ou aperto no peito, tontura ou dificuldade para realizar atividades habituais.

Quem precisa redobrar os cuidados?

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos que exigem atenção especial durante períodos de fumaça intensa. A médica de Família e Comunidade e professora da Afya Santa Inês, Lorenna Batista Braga de Sousa, explica que os efeitos da poluição não são iguais para todos.

“Nas crianças, as vias respiratórias são mais estreitas, e a exposição à fumaça pode favorecer irritações e agravar quadros como asma e outras doenças respiratórias. Já nos idosos, a menor capacidade de defesa e a presença frequente de condições crônicas podem aumentar o risco de complicações”, diz a médica. 

Quem convive com asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), por exemplo, também precisa de atenção redobrada. Segundo a pneumologista Maria Cecília, a fumaça pode intensificar a inflamação das vias aéreas e desencadear crises, com tosse, chiado e falta de ar. Em alguns casos, a piora dos sintomas pode exigir atendimento de emergência ou internação.

“Durante períodos de queimadas, a principal recomendação para quem tem doença respiratória é reduzir ao máximo a exposição à fumaça. Também é importante manter o tratamento habitual corretamente e não interromper as medicações de controle”, orienta a pneumologista.

Como reduzir a exposição à fumaça?

Algumas medidas podem ajudar a diminuir o contato com a poluição do ar durante períodos de queimadas:
* Reduza as atividades ao ar livre: principalmente quando houver fumaça intensa ou piora perceptível da qualidade do ar.
* Mantenha portas e janelas fechadas enquanto a fumaça estiver mais presente no ambiente externo, desde que isso não provoque calor excessivo ou comprometa a ventilação segura.
* Use proteção respiratória adequada: se precisar sair em locais com muita fumaça, uma máscara PFF2 ou N95 bem ajustada pode reduzir a inalação de partículas finas. Ela não elimina todos os riscos.
* Mantenha os tratamentos em dia: pessoas com doenças respiratórias devem seguir as orientações médicas e não suspender medicamentos por conta própria.
* Observe os sinais de alerta: falta de ar intensa ou progressiva, dor no peito, confusão mental ou piora importante do estado geral exigem avaliação médica.