Após acidente, Grupo Mateus precisa recuperar imagem para ser confiável a acionistas na Bolsa

O Grupo Mateus esteve presente, nas últimas 48 horas, nos principais veículos de comunicação do país, mas, ao contrário da exposição da semana passada, desta vez de forma negativa, por conta do acidente ocorrido em uma de suas lojas, em São Luís, nesta sexta-feira (02), cujo saldo foi de uma morte, oito feridos e um grande estrago de materiais. Trata-se algo terrível para uma empresa que vinha sendo enaltecida pela sua preparação para estreia na Bolsa de Valores, onde pretende captar, no primeiro ano de vendas de ações, mais de R$ 6,2 bilhões.

Até que ponto a ocorrência deste fim de semana atrapalha os tão ambicionados planos do empresário Ilson Mateus, fundador e presidente da empresa, para entrar no mercado de ações?

É claro que não se trata de um acidente de grandes proporções em comparação a outros, envolvendo empresas que estão no mercado de ações há mais tempo, como é o caso de Brumadinho, em Minas Gerais, que abalou, mas não derrubou a Vale, contudo, como se trata de uma estreante, algumas situações podem pesar e seria até o caso de se pensar no adiamento dessa estreia, a fim de evitar frustrações.

O contador e auditor João Conrado de Carvalho, um dos mais conceituados consultores de empresas do estado, diz que se o que aconteceu foi apenas um acidente, isto não vai abalar muito o processo de abertura de capital da empresa. “Acidentes acontecem, a empresa está adotando medidas para minimizar os danos às pessoas que foram atingidas e logo será esquecido”, opina.

Segundo Conrado, os futuros investidores vão comprar ações do Mateus mais preocupados com os números que a empresa divulgará em seus relatórios contábeis do que numa ocorrência trágica (por mais que seja lamentável), bem como serão influenciados pela opinião dos auditores e pelas perspectivas de mercado.

“As demonstrações contábeis divulgadas em 20 de junho deste ano mostram melhora nos indicadores em relação a 31 de dezembro do ano passado, e é e isso será levado em conta”, explica.

Confiança – Para João Conrado, há, no entanto, algo a ser observado neste episódio, pois se não foi apenas um acidente, mas consequência de erros no armazenamento de mercadorias, excesso de peso nas prateleiras, erro de cálculo na montagem e não fixação dessas prateleiras, sinais de ausência de laudos de engenharia, erro de algum funcionário ao manobrar equipamentos etc, isto sim pode afetar a imagem do Grupo Mateus e, em se configurando negligência, o momento não é dos melhores para vender ações, mas de corrigir uma série de processos.

“Se for constatado acidente, a análise dos investidores tende a ficar restrita às questões financeiras acima citadas. Se for erro ou imperícia dos funcionários, há a possibilidade de afetar, porém, eu não acredito que o abalo seja maior, a ponto de comprometer o processo”, analisa o consultor.

Outro aspecto a ser levado em conta pelos futuros acionista é o financeiro, pois, mesmo com bom desempenho em vendas, é preciso analisar o grau de endividamento, o excesso de transações entre empresas do mesmo grupo e uma série de outros fatores que possam deixar o investidor de sobreaviso.

Fonte: Maranhão Hoje

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