Antioxidantes: saiba mais sobre os aliados contra o estresse oxidativo
Você sabia que o corpo produz radicais livres naturalmente enquanto realiza funções básicas, como respirar e transformar nutrientes em energia? Esse processo faz parte do funcionamento das células. No entanto, um problema aparece quando a produção dessas moléculas reativas supera a capacidade de defesa do organismo, situação conhecida como estresse oxidativo.
Esse desequilíbrio pode ser favorecido por fatores presentes na rotina. A poluição do ar, por exemplo, está entre as exposições ambientais capazes de aumentar a produção de espécies reativas de oxigênio e estimular processos inflamatórios no organismo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a poluição do ar ambiente e doméstico esteve associada a 6,7 milhões de mortes em 2019, o que ajuda a dimensionar o impacto desse fator ambiental sobre a saúde.
E é justamente nesse equilíbrio que os antioxidantes entram. Produzidos pelo próprio organismo ou obtidos por meio da alimentação, eles ajudam a controlar a ação das moléculas oxidantes e fazem parte dos mecanismos naturais de proteção das células.
O que é o estresse oxidativo e por que ele merece atenção e cuidados?
Antes de tudo, é preciso entender que os radicais livres são moléculas instáveis produzidas naturalmente pelo organismo durante processos como a respiração e a produção de energia. Por serem reativos, eles podem interagir com outras estruturas das células. Em quantidades controladas, fazem parte do funcionamento normal do corpo e são neutralizados pelos próprios sistemas de defesa.
O problema surge quando há radicais livres em excesso. Nesse cenário, eles podem reagir com componentes importantes das células, como proteínas, gorduras e DNA, provocando danos. Quando a produção dessas moléculas supera a capacidade do organismo de controlá-las, ocorre o estresse oxidativo. O quadro é estudado em relação a diferentes processos de envelhecimento celular e doenças crônicas.
Algumas situações podem aumentar essa carga, como:
- Exposição à poluição do ar;
- Tabagismo;
- Sedentarismo;
- Alimentação desequilibrada;
- Exposição excessiva à radiação ultravioleta.
O tabagismo é um dos exemplos mais claros desse processo. A revisão “Oxidative stress and inflammation: elucidating mechanisms of smoking-attributable pathology for therapeutic targeting”, publicada no Bulletin of the National Research Centre, mostrou que a fumaça do cigarro desencadeia estresse oxidativo por meio da formação de espécies reativas de oxigênio, que podem causar danos ao DNA.
Quando persistente, o desequilíbrio também pode atingir lipídios e proteínas, além do material genético das células. Pesquisas relacionam o estresse oxidativo a processos envolvidos em doenças cardiovasculares, alterações metabólicas e doenças neurodegenerativas, embora isso não signifique que ele seja, sozinho, a causa dessas condições.
Também é importante não confundir estresse oxidativo com uma doença que apresenta sintomas próprios. Não há um conjunto específico de sinais que permita identificá-lo apenas pela percepção do corpo. A avaliação depende do contexto clínico e, em pesquisas, de marcadores bioquímicos.
O papel importante dos antioxidantes na alimentação
Os antioxidantes fazem parte dos mecanismos de defesa do organismo contra moléculas oxidantes. Eles incluem vitaminas, minerais e compostos presentes em diferentes alimentos. Frutas, hortaliças, cereais integrais, leguminosas e oleaginosas são fontes de diferentes substâncias com atividade antioxidante.
Os resultados também ajudam a entender por que a alimentação deve ser analisada como um conjunto. Uma revisão sistemática e meta-análise chamada “Effects of the Mediterranean diet on oxidative stress: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials”, publicada no Journal of Translational Medicine, reuniu 20 ensaios clínicos randomizados com 2.208 participantes. Os pesquisadores observaram que a dieta mediterrânea, rica em alimentos antioxidantes, aumentou a capacidade antioxidante total do sangue e reduziu alguns marcadores relacionados ao dano oxidativo.
Além dos alimentos, outros compostos antioxidantes também podem complementar a rotina, conforme a necessidade de cada pessoa e a orientação de um profissional. Entre eles, por exemplo, está a coenzima q10+, que participa da produção de energia celular e possui propriedades antioxidantes.
E é claro que uma alimentação variada pode incluir diferentes fontes desses compostos. Entre os alimentos que apresentam substâncias antioxidantes estão:
- Frutas: acerola, goiaba, laranja, kiwi e frutas vermelhas;
- Hortaliças: brócolis, espinafre, couve, tomate e pimentão;
- Leguminosas: feijão e outras variedades de leguminosas;
- Cereais integrais: aveia e arroz integral;
- Oleaginosas: castanhas, nozes e amêndoas;
- Outros alimentos: azeite de oliva, chá verde e chocolate amargo.
A recomendação, portanto, é variar as fontes ao longo das refeições, em vez de concentrar a alimentação em um único alimento ou nutriente. A suplementação também é uma opção válida que pode ser bem aproveitada, desde que orientada por um profissional de saúde, que avaliará a necessidade individual com base na dieta, estado de saúde e possíveis deficiências.
