Inadimplência no Maranhão cresce 5,41% em um ano, mostra levantamento do SPC Brasil
CDL São Luís chama a atenção para o avanço das dívidas em atraso, que cresceram 12,27% no mesmo período
O número de consumidores inadimplentes no Maranhão cresceu 5,41% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). O resultado ficou acima da média da região Nordeste, que registrou alta de 4,58%, e abaixo da média nacional, de 6,97%. Na comparação entre agosto e setembro deste ano, o estado também apresentou crescimento no número de devedores, com variação de 3,04%.
Os dados integram o levantamento mais recente do SPC Brasil divulgado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de São Luís (CDL São Luís), que acompanha a evolução da inadimplência no estado. Em relatório anterior, com dados de junho de 2026 e divulgado em julho, o indicador já apontava crescimento de 4% no número de consumidores inadimplentes em relação a junho de 2025. Na ocasião, a alta também ficou acima da média nordestina, de 3,96%, e abaixo da nacional, de 7,55%.
Além da evolução do número de consumidores negativados, outro indicador chama a atenção, que é o volume de dívidas em atraso cresce em ritmo mais acelerado. Em setembro de 2026, o número de débitos em atraso no Maranhão aumentou 12,27% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto o total de consumidores inadimplentes avançou 5,41%.
A diferença entre os dois indicadores é de 6,86 pontos percentuais. Para o presidente da CDL São Luís, Fábio Ribeiro, os números reforçam a necessidade de acompanhar não apenas a quantidade de consumidores negativados, mas também a evolução do volume de dívidas.
“Os dados mostram que o número de dívidas em atraso está crescendo proporcionalmente mais rápido do que o de consumidores inadimplentes. Esse cenário merece atenção, pois evidencia a dimensão do problema e reforça a importância de iniciativas que ajudem os consumidores a organizar suas finanças e buscar alternativas para regularizar suas pendências”, afirma Fábio Ribeiro.
O presidente destaca ainda a importância da educação financeira, do planejamento do orçamento familiar e do uso consciente do crédito como medidas para evitar o agravamento das dívidas.
“O crédito é importante para movimentar a economia, mas precisa ser utilizado com responsabilidade. O consumidor deve acompanhar seu orçamento, priorizar o pagamento das despesas e, quando necessário, buscar alternativas para renegociar suas dívidas. O planejamento financeiro é fundamental para evitar o acúmulo de débitos e contribuir para uma relação mais saudável com o crédito”, diz Fábio.
Dívidas em atraso crescem 12,27%
Na comparação com outras regiões, o crescimento do número de dívidas em atraso no Maranhão ficou acima da média do Nordeste, de 10,40%, e abaixo da nacional, de 13,62%. Na passagem de agosto para setembro, o volume de débitos em atraso no estado avançou 4,09%, enquanto, no Nordeste, a alta foi de 2,44%.
Os dados também mostram que cada consumidor negativado no Maranhão devia, em média, R$ 4.337,62, considerando a soma de todas as suas dívidas. Entre os consumidores inadimplentes, 30,97% possuíam débitos de até R$ 500, percentual que chega a 44,40% quando consideradas as dívidas de até R$ 1 mil.
Tempo de atraso ultrapassa dois anos
Outro indicador que chama a atenção é o tempo médio de atraso das dívidas, que alcançou 30,4 meses no Maranhão. Além disso, 35,59% dos consumidores negativados estavam inadimplentes havia entre um e três anos, evidenciando a dificuldade de parte da população para regularizar sua situação financeira.
Reincidência segue elevada
A reincidência também permanece como um dos destaques do levantamento. Em setembro de 2026, 86,51% das negativações registradas no Maranhão correspondiam a consumidores que já haviam aparecido nos cadastros de inadimplentes nos 12 meses anteriores.
Em relatório divulgado em julho, com dados referentes a junho de 2026, esse percentual era de 87,34%. A comparação indica uma redução de 0,83 ponto percentual entre os dois levantamentos.
Entre as negativações registradas em setembro, 66,03% correspondiam a consumidores que ainda não haviam quitado dívidas anteriores e voltaram a ser negativados. Outros 20,48% haviam saído dos cadastros de inadimplentes nos últimos 12 meses, mas retornaram. Os 13,49% restantes não tinham restrições no CPF ao longo desse período e, por isso, não foram classificados como reincidentes.
Perfil
Entre os consumidores reincidentes, as mulheres representam 57,39%, enquanto os homens correspondem a 42,61%. A faixa etária de 30 a 39 anos concentra a maior participação nesse grupo, com 26,05%.
Os dados ajudam a dimensionar os desafios relacionados à permanência e ao retorno dos consumidores aos cadastros de inadimplentes, reforçando a importância de ações voltadas à organização financeira e à regularização de débitos.
