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Sebrae identifica oportunidades de melhoria em cooperativas que trabalham com o babaçu no Maranhão

Visitas do projeto Coopera + Amazônia buscam conhecer a realidade das cooperativas e orientar ações de fortalecimento da gestão, a produção e o acesso a mercados.

Fortalecer a gestão, aprimorar os processos produtivos e ampliar as oportunidades de comercialização estão entre os desafios de cooperativas que trabalham com o coco babaçu no Maranhão. Para conhecer essas necessidades e identificar oportunidades de desenvolvimento, o Sebrae Maranhão visitou três organizações localizadas nos municípios de Itapecuru-Mirim, Arari e Codó, como parte das ações do projeto Coopera + Amazônia.

As visitas têm como objetivo conhecer a realidade de cada cooperativa, dialogar com seus representantes e identificar necessidades e oportunidades de melhoria. A partir desse levantamento, será possível direcionar ações mais adequadas às demandas de cada organização, respeitando suas características e potencialidades.

A iniciativa busca contribuir para que as cooperativas avancem em aspectos essenciais ao funcionamento dos negócios, por meio de consultorias, qualificação da gestão, aprimoramento dos processos produtivos, melhorias estruturais, desenvolvimento de produtos e estratégias de acesso a mercados.

O Coopera + Amazônia é uma iniciativa executada pelo Sebrae, com financiamento do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto contempla cinco estados da Amazônia Legal:  Maranhão, Pará, Acre, Amazonas e Rondônia e atua no fortalecimento das cadeias produtivas como as do babaçu, açaí, cupuaçu e castanha. Entre as frentes previstas estão consultorias em gestão, formação de lideranças, qualificação dos processos produtivos, aquisição de equipamentos, desenvolvimento de produtos, análise de mercado e apoio à comercialização.

Conhecer a realidade para orientar as ações

Em Itapecuru-Mirim, a visita aconteceu na Cooperativa das Quebradeiras de Coco Babaçu de Itapecuru-Mirim (COOBAVIDA) que reúne oitenta mulheres quebradeiras de coco que transformam o babaçu em diferentes produtos. Entre eles estão óleo, azeite, mesocarpo, alimentos processados e carvão produzido a partir da casca. A experiência da cooperativa mostra como o aproveitamento da palmeira pode gerar produtos de valor comercial e oportunidades de renda para as famílias envolvidas na atividade.

Durante a visita, foram discutidos desafios relacionados à gestão, à infraestrutura e à organização dos processos produtivos, além de possibilidades de padronização e ampliação dos mercados. A qualificação das cooperadas também faz parte da trajetória da organização, que já recebeu capacitações do Sebrae.

Para a presidente da COOBAVIDA, Terezinha Nogueira, a parceria com a instituição contribuiu para a formação das mulheres e para o desenvolvimento da produção.

“O Sebrae é um parceiro que veio para somar, com pessoas para nos capacitar e nos ensinar a aproveitar essa riqueza do babaçu. Temos mais de 200 mulheres capacitadas por meio dos cursos de pão e biscoito oferecidos pelo Sebrae. Isso contribuiu para que hoje tivéssemos essa produção”, destaca.

Capacitação e valorização do trabalho das quebradeiras

Em Arari, a agenda foi realizada com a Rede Mulheres do Maranhão, organização que articula grupos produtivos de mulheres em nove municípios. A rede trabalha com diferentes atividades, incluindo a produção de derivados do babaçu e de frutos nativos, como azeite, biscoitos, cocadas, farinhas e achocolatado, além de biojoias, bolsas e ecobags.

No município, o trabalho tem foco nas áreas de panificação e confecção. A visita permitiu discutir as condições de produção e as perspectivas de desenvolvimento dos grupos, considerando necessidades de infraestrutura, qualificação, padronização e acesso a novos mercados. A agenda também abriu espaço para a aproximação institucional com a Vale, que mantém iniciativas relacionadas ao desenvolvimento da cadeia do babaçu.

A presidente da Rede Mulheres do Maranhão, Silvana Barbosa, destaca que a transformação da matéria-prima em produtos com maior valor agregado tem contribuído para melhorar a renda das famílias.

“Ao longo dos anos, encontramos a possibilidade de ter um negócio produtivo, continuando a quebrar o coco, mas de uma forma menos cansativa. Hoje, agregamos valor ao babaçu com todos os produtos que fazemos e já conseguimos trazer uma renda melhor para dentro de casa”, afirma.

A dirigente também aponta a continuidade do trabalho e a participação das novas gerações como parte dos objetivos da organização. “Queremos que tenhamos mais jovens, que a renda aumente cada vez mais e que o nosso trabalho não pare. Queremos que nossos filhos continuem essa jornada”, acrescenta.

Melhorias na gestão e no processo produtivo

Em Codó, a equipe do Sebrae visitou a Cooperativa dos Agricultores e Agricultoras Familiares Agroextrativistas de Codó (COOAAFA), localizada no povoado Monte Cristo, na zona rural do município. A cooperativa reúne agricultores e agricultoras familiares que trabalham com o agroextrativismo e comercializam produtos derivados do babaçu, como óleo e sabão.

Entre os pontos discutidos estão a organização da gestão, o planejamento da produção, a padronização dos produtos, a logística e a apresentação comercial. O aproveitamento de resíduos e a construção de estratégias para ampliar a comercialização também integram as possibilidades a serem avaliadas no desenvolvimento do trabalho.

Para o representante da COOAAFA, Edvan Conceição Silva, a aproximação com o Sebrae representa uma oportunidade de ampliar o conhecimento e buscar novas parcerias.

“Para nós, é um momento muito importante receber o Sebrae em nossa cooperativa e estabelecer essa parceria. Estamos nessa luta para levar conhecimento cada vez mais longe e buscar a aproximação com outras instituições que possam contribuir com o nosso trabalho. Estamos muito confiantes nessa parceria com o Sebrae e nas oportunidades que ela poderá trazer para a nossa cooperativa”, afirma.

Cooperação e perspectivas para a cadeia do babaçu

As visitas fazem parte de uma etapa de aproximação e diagnóstico, importante para compreender as particularidades de cada cooperativa e identificar possibilidades de atuação. A partir das necessidades levantadas, o projeto prevê ações voltadas à qualificação da gestão, ao desenvolvimento de lideranças, à melhoria dos processos produtivos, à inovação e à ampliação do acesso a mercados, respeitando as características e o estágio de desenvolvimento de cada organização.

A articulação com parceiros também integra a estratégia do Coopera + Amazônia, com o objetivo de buscar soluções para os desafios identificados e criar condições para que as cooperativas desenvolvam suas atividades com melhores perspectivas de produção e comercialização.

Para Albertino Leal, diretor superintendente do Sebrae Maranhão, o contato direto com os cooperados é essencial para construir ações alinhadas às realidades locais e às expectativas de quem trabalha com o babaçu.

“Passamos por três cooperativas que trabalham com o babaçu e desenvolvem produtos diversos, em Itapecuru-Mirim, Arari e Codó, conhecendo a realidade e as perspectivas de cada uma. Conversamos com os cooperados para entender suas expectativas, identificar possibilidades e avaliar como podemos contribuir. Percebemos que há necessidades, mas, principalmente, que é possível avançar. O Sebrae pretende atuar de forma efetiva, buscando parceiros que contribuam para melhorar os processos produtivos, a gestão e a liderança, além de estimular o desenvolvimento de novos produtos. Queremos elevar o padrão da cadeia do babaçu e valorizar quem trabalha com essa riqueza em nosso estado”, conclui.