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SENAI-MA amplia bioeconomia na Grande São Luís com nova etapa de cursos práticos a partir de agosto

Trilha de Aprendizagem prossegue com mais quatro formações de um total de seis

SÃO LUÍS – O SENAI‑MA, em parceria com a Petrobras, dá sequência ao projeto “Fortalecimento de Cadeias Produtivas do Amapá, Pará e Maranhão para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal” com a oferta de novos cursos. Serão ministradas formações técnicas que visam transformar matérias‑primas regionais, como coco verde, juçara e seus resíduos, em oportunidades produtivas e de geração de renda nas comunidades participantes.

A programação prevista para o ciclo que começa em agosto inclui quatro cursos: Boas Práticas de Fabricação (20 horas), Técnicas de Panificação e de Biscoitos (80 horas), Fundamentos da Qualidade da Água (40 horas) e Empreendedorismo (20 horas), com instrutores do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Maranhão (SENAI‑MA). A equipe é responsável pela parte prática e pela integração da transferência tecnológica aos territórios beneficiados de Igaraú e Maracanã, em São Luís; Mangue Seco, na Raposa; e Pindoba, em Paço do Lumiar.

A formação em Técnicas de Panificação e de Biscoitos, conduzida pelos instrutores Mayara Ribeiro e Marcos Cruz, visa desenvolver competências técnicas para a produção de pães, bolos e biscoitos incorporando ingredientes locais com alto potencial tecnológico e nutricional, como a farinha do mesocarpo do coco verde, a água de coco e a polpa de juçara. A formação aborda as características físico-químicas, funcionais e tecnológicas desses produtos, bem como os efeitos desses ingredientes sobre a qualidade, estabilidade e aceitabilidade dos produtos.

“O conteúdo programático integra boas práticas de fabricação, técnicas de processamento, padronização de formulações, elaboração de fichas técnicas, controle de qualidade, avaliação sensorial, análise de custos, precificação e estratégias de agregação de valor, visando ao aproveitamento sustentável dos recursos locais, à inovação tecnológica e ao fortalecimento das capacidades produtivas das comunidades participantes, com foco na geração de trabalho, renda e desenvolvimento socioeconômico”, explicou Mayara.

Já o módulo de Fundamentos da Qualidade da Água, sob a coordenação de Leandra Santos, enfatiza controle físico‑químico e microbiológico, prevenção de doenças de veiculação hídrica e práticas de monitoramento. Parte das atividades integra a etapa de transferência tecnológica para instalação e uso de filtros ecológicos desenvolvidos com resíduos de coco verde e juçara, testados em laboratório para garantir eficácia e segurança antes da adoção comunitária.

O curso de Boas Práticas de Fabricação, ministrado por Roseane Veras, prepara os participantes para a higiene, segurança e conformidade legal na manipulação de alimentos, condicionante essencial para comercialização e formalização de pequenos empreendimentos locais. Enquanto o módulo de Empreendedorismo, com a instrutora Josilene Mos, trabalha competências básicas para identificar oportunidades de negócio, promover o desenvolvimento pessoal do empreendedor e o ensino de estratégias para estruturar novos empreendimentos nos diferentes setores da economia local. A Trilha de Aprendizagem se estenderá de agosto deste ano a agosto de 2027 e já contemplou outros dois cursos ofertados gratuitamente em todas as quatro comunidades beneficiadas: Educação Ambiental e Processos Construtivos em Alvenaria.

TECNOLOGIAS SOCIAIS – Paralelamente às formações, o SENAI‑MA segue desenvolvendo tecnologias que serão transferidas às comunidades: a produção de farinha a partir do mesocarpo do coco verde, um resíduo transformado em ingrediente rico em fibras que pode ser incorporado de 5% a 20% na farinha de trigo em pães e biscoitos; filtros ecológicos fabricados com cascas de coco e caroços/raquíolas de juçara para tratamento de água; tijolos ecológicos que utilizam líquido da casca do coco e cinzas de resíduos; e uma pasta coagulante para remoção de turbidez da água. Essas soluções são testadas nos laboratórios do SENAI e adaptadas para replicação com utensílios domésticos e processos simples, garantindo caráter social e baixo custo de reprodução nas comunidades.

O projeto “Fortalecimento das Cadeias Produtivas do AP, PA e MA para a Promoção da Bioeconomia na Amazônia Legal” é uma iniciativa em parceria com a Petrobras, por meio do seu Programa Petrobras Socioambiental, que apoia iniciativas socioambientais voltadas à promoção da inclusão produtiva, da sustentabilidade e do desenvolvimento local.

A combinação de capacitação técnica com transferência de tecnologias sociais, que transforma resíduos locais em insumos de valor agregado, busca fortalecer cadeias produtivas ligadas ao coco verde e à juçara, reduzir desperdícios e promover economia circular nas comunidades, abrindo caminhos para empreendimentos de base local e maior autonomia econômica das populações atendidas.