Embrapa lança obras para construção da nova Unidade no Maranhão
Estrutura será instalada no campus Maracanã do IFMA, em São Luís, e ampliará a capacidade de pesquisa e inovação para a agricultura maranhense e o Matopiba
A Embrapa promove nesta segunda-feira (22), às 9 horas, o lançamento das obras de sua nova sede no Maranhão. A estrutura será construída em uma área de cerca de 22 hectares no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís.
Participarão da cerimônia a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá; a diretora-executiva de Governança e Informação, Selma Beltrão; o chefe-geral da Embrapa Maranhão, Marco Bomfim; o secretário de Agricultura e Pecuária do Maranhão, Jucielly Oliveira; autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário; a equipe técnica da Embrapa; e a comunidade acadêmica do IFMA.
Intitulado “Uma Embrapa do tamanho que o Maranhão merece”, o evento será realizado no local da construção, na Avenida dos Curiós, s/n, Vila Esperança, em São Luís.
Com investimento de R$ 43,9 milhões, proveniente do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), do Governo Federal, a obra integra a reestruturação da Embrapa Maranhão. A nova sede deverá ampliar a capacidade de pesquisa, inovação e articulação institucional da Unidade, com atuação voltada aos biomas Amazônia e Cerrado, à região do Matopiba, à agricultura familiar e às comunidades tradicionais do estado.
A reestruturação conta com o apoio do Governo do Maranhão e da bancada federal do estado, que destinaram, respectivamente, R$ 10 milhões e R$ 5 milhões para investimentos em infraestrutura e equipamentos.
Estrutura moderna e funcional
Segundo o chefe-geral da Embrapa Maranhão, Marco Bomfim, a Unidade passou, nos últimos anos, por um processo de reestruturação e preparação para chegar a esta etapa com segurança técnica, definição de escopo, mecanismos adequados de governança e fortalecimento das parcerias no estado. “A nova sede terá uma estrutura moderna e funcional, com soluções construtivas que combinam robustez, durabilidade e economia de operação e manutenção, além de considerar as condições sociais e geográficas do Maranhão”, afirma Bomfim.
Bomfim acrescenta que a implantação da sede tem significado institucional especial para a presença da Embrapa no estado. “A expectativa é consolidar uma base sólida para a pesquisa, a inovação e a atuação territorial de longo prazo no Maranhão, conectada ao ecossistema de inovação.”
De acordo com o chefe-geral, a nova estrutura está articulada à contratação de 50 empregados aprovados no último concurso público e à implantação do Hub Matopiba na Unidade Experimental de Pesquisa de Balsas (UEP Balsas). A iniciativa reúne 11 Unidades da Embrapa, incluindo a Embrapa Maranhão, e deverá contribuir para o Plano de Desenvolvimento do Matopiba, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O diretor-geral do IFMA – Campus Maracanã, Jeovani Machado Rodrigues, afirma que a parceria reúne duas instituições comprometidas com a pesquisa, a inovação e o desenvolvimento social do Maranhão: “Quando reunimos conhecimento, infraestrutura e experiência, fortalecemos ações capazes de gerar soluções sustentáveis e mais próximas das necessidades da população maranhense”, destaca.
Maranhão reúne potencial agrícola e diversidade ambiental
Há pouco mais de 50 anos, o Brasil revolucionou a realidade no campo e se tornou líder mundial em ciência e tecnologia para a agricultura tropical, terceiro maior produtor e segundo maior exportador de alimentos do mundo, graças às pesquisas da Embrapa e de seus parceiros, ao trabalho dos produtores e ao apoio das políticas públicas. Hoje, essa trajetória de sucesso ainda enfrenta desafios, como garantir a sustentabilidade da atividade, harmonizar o desenvolvimento econômico com a conservação ambiental e promover a inclusão socioprodutiva da agricultura familiar.
No Maranhão, esses temas e desafios de futuro se manifestam com especial intensidade. Estrategicamente localizado na zona de transição entre a Amazônia e o Cerrado, o estado apresenta grande potencial produtivo e ampla diversidade socioambiental. É um dos dez maiores produtores agrícolas do país e a quarta maior economia do Nordeste.
Por outro lado, possui um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano e o maior índice de pobreza rural do país. Seu território está majoritariamente inserido na Amazônia Legal, e 33% integra o Matopiba, a maior fronteira agrícola do país, localizada no Maranhão, na região do Cerrado.
Ciência, inovação e tecnologia de ponta a serviço do Maranhão
Para responder aos desafios da produção sustentável e de alto valor agregado, a Embrapa Maranhão contará com uma central analítica multiusuário equipada com instrumentos de alta complexidade, como cromatógrafos e espectrofotômetros. A estrutura será integrada aos laboratórios de Química de Produtos Naturais e de Microbiologia e apoiará o desenvolvimento de novos bioinsumos e compostos bioativos.
Também serão construídos os laboratórios de Análise de Alimentos e de Processos Agroindustriais, este último com uma planta-piloto, destinados ao desenvolvimento de processos e produtos derivados da agricultura familiar, da pesca artesanal e do extrativismo. O objetivo é promover a bioeconomia inclusiva e a agregação de valor. A estrutura incluirá ainda um Laboratório de Inovação Social, voltado ao desenvolvimento de negócios de impacto social e à inclusão socioprodutiva das comunidades locais.
Para contribuir com o enfrentamento da emergência climática, será estruturado o Laboratório de Bioeficiência e Sustentabilidade na Pecuária, o primeiro desse tipo no bioma Amazônia e o único nas regiões Norte e Nordeste. O laboratório permitirá levantar indicadores de emissão de metano por bovinos, desenvolver tecnologias para reduzir essas emissões e selecionar animais com maior eficiência alimentar.
O campo experimental, com 19 hectares, contará com estrutura para apoiar o desenvolvimento de tecnologias destinadas às principais cadeias produtivas e a sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), sistemas agroflorestais (SAFs), piscicultura, apicultura, meliponicultura e cultivos alimentares.
