Da calistenia ao muay thai: 1,9 milhões de buscas por treinos em casa refletem o impacto das baixas temperaturas na prática de exercícios
Com a chegada do inverno, a frequência em academias tende a recuar. Segundo a Associação Brasileira de Academias (ACAD), o movimento dos estabelecimentos fitness pode cair até 20% no período mais frio do ano. E os dados sugerem que boa parte dessa energia pode ir parar dentro de casa: brasileiros fizeram 1,9 milhões de buscas por treinos em casa no Google Brasil, nos últimos 12 meses.
O dado é do novo estudo da Maximum Boxing, referência em equipamentos de esportes de combate, que recentemente, mapeou o interesse nacional por termos como “treinar em casa” e pesquisas relacionadas. Dos milhões de pesquisas realizadas, foi possível identificar quais atividades despertam maior interesse e como os brasileiros desejam se exercitar dentro do próprio lar.
O levantamento mostra ainda um crescimento superior a 20% no interesse por algumas das modalidades mais pesquisadas para prática doméstica, como calistenia e muay thai, além de um aumento na procura por acessórios que viabilizam esse tipo de treino em casa.
O que os brasileiros querem treinar em casa (e por quanto tempo)?
A procura por modalidades que utilizam o peso do próprio corpo acompanha uma tendência observada no mercado fitness mundial. Segundo o levantamento anual do American College of Sports Medicine (ACSM) em 2026, o treinamento funcional aparece entre as 10 principais tendências globais do setor.
Os dados da Maximum Boxing reforçam esse movimento no Brasil. Sozinha, a calistenia — modalidade baseada em exercícios com o peso corporal — concentra 36,4% de todo o interesse mapeado pelo estudo. Com 721 mil buscas, a procura digital pela atividade física cresceu 49% em relação ao período anterior.
É o caso também da ginástica em casa (99 mil buscas) e do HIIT (94 mil), treino intervalado de alta intensidade. As duas modalidades reforçam a preferência por exercícios dinâmicos, de curta duração e que dispensam equipamentos. Somadas à calistenia, essas três práticas chegam a 914 mil pesquisas online e concentram cerca de 46,1% do interesse total do ranking de treinos domésticos.
Já a musculação, em terceiro lugar com 238 mil buscas, aparece como a principal opção para quem busca treinos com pesos e maior foco no fortalecimento muscular.

Os dados também mostram que o interesse não se limita ao treino de alta intensidade. Em segundo lugar no ranking aparece o pilates em casa, com 644 mil buscas e crescimento de 22%, reforçando a demanda por atividades voltadas à estabilidade, controle motor e fortalecimento do core.
Na mesma linha, o yoga (38 mil buscas) complementa esse grupo de práticas mais focadas em mobilidade, flexibilidade e respiração. Juntas, as duas modalidades somam 682 mil buscas, o equivalente a cerca de 34% do total do levantamento, evidenciando a relevância de treinos associados ao bem-estar físico e mental, ainda que com menor intensidade cardiovascular.
Entre os esportes de combate, o boxe em casa aparece com 60 mil buscas, seguido pelo muay thai (31 mil, com alta de 19%) e pelo jiu-jítsu em casa (10 mil). Embora tenham origem em modalidades esportivas específicas, essas práticas vêm sendo adaptadas ao ambiente doméstico como forma de condicionamento físico, coordenação e gasto calórico. Já para quem busca um treino mais leve e com componente aeróbico, a zumba, que soma 45 mil buscas, traz a opção de uma atividade que mistura exercício físico e dança.
Outro recorte que chama atenção é o crescimento da busca por treinos rápidos, entre 15 e 30 minutos, que registraram alta de 23%. O avanço pode estar ligado à falta de tempo, mas também à busca por praticidade e equilíbrio entre condicionamento físico e saúde mental. De todo modo, o interesse por treinos rápidos demonstra o desejo dos brasileiros em conciliar a prática de modalidades esportivas com uma rotina cada vez mais corrida.
Porque o brasileiro quer treinar?
.Quando o assunto é a finalidade do treino, emagrecer lidera com ampla vantagem, somando 374 mil buscas — mais que o dobro da segunda colocada. O dado reforça que, mesmo com a popularização de discursos sobre bem-estar e performance, a perda de peso ainda é o principal gatilho de entrada para a atividade física no ambiente doméstico.
Na sequência, aparecem “secar o abdômen” (146 mil) e “fortalecer as costas” (143 mil), indicando uma combinação de objetivos estéticos e funcionais. Não se trata apenas de aparência, mas também de demandas ligadas à rotina sedentária, especialmente dores e desconfortos musculares.
Em seguida, os dados mostram uma distribuição mais segmentada de objetivos: ganhar volume em pernas e glúteos (136 mil), trabalhar quadríceps (104 mil) e fortalecer membros superiores (102 mil). Mais do que uma busca genérica por “boa forma”, o interesse revela um público que já pensa o corpo de forma localizada, com metas específicas por grupos musculares.
Fecham o ranking ganhar massa muscular (75 mil), desenvolver ombros (51 mil), fortalecer bíceps (42 mil) e tonificar tríceps (37 mil), reforçando uma leitura mais técnica do treino, que se aproxima do universo da musculação tradicional mesmo dentro do ambiente doméstico.
“Quando olhamos para esses dados, fica claro que o treino em casa deixou de ser apenas uma alternativa de conveniência. Ele passa a carregar objetivos muito definidos, que vão desde emagrecimento até ganho de força e definição muscular. O mais interessante é perceber como esses interesses se fragmentam: o brasileiro não fala mais só em ‘treinar’, ele já sabe o que quer trabalhar no corpo”, afirma William Ferraz, coordenador da Maximum Boxing.
Para o especialista, essa mudança também ajuda a explicar a diversificação das práticas. “Modalidades como boxe e muay thai entram nesse cenário justamente porque entregam mais do que condicionamento. Elas combinam gasto energético, força e coordenação. Isso amplia o repertório de quem treina em casa e mostra que o espaço doméstico já compete com a academia em termos de variedade de estímulos”, completa.
Quais acessórios os brasileiros estão buscando?
As buscas por kit de treino em casa cresceram 23% nos últimos 12 meses, um indicativo de que a prática doméstica já não é mais improvisada: começa a ganhar forma de rotina estruturada, ainda que em espaços reduzidos.
Para montar a academia em casa, o halter segue como o acessório mais buscado, com 32 mil pesquisas. Mas o avanço mais consistente aparece justamente nos itens que permitem montar treinos completos sem grande investimento. O elástico lidera esse movimento, com alta de 123% e 14 mil buscas, seguido pelo tatame (7 mil, +88%) e pelo tapete de exercícios (+85%). O step também acompanha essa tendência, reforçando a procura por ferramentas simples, versáteis e fáceis de encaixar no cotidiano.
Na sequência, a barra fixa (6,1 mil buscas, +50%) e o saco de pancada (5 mil) ampliam o repertório doméstico para além do treino de força, incorporando também resistência e combate.

O conjunto dos dados sugere uma mudança de lógica: mais do que montar uma “mini academia”, o brasileiro tem buscado soluções em formato de kit: combinações enxutas, acessíveis e adaptáveis. Isso permite variar estímulos sem depender de aparelhos grandes ou de alto custo, e manter a rotina de exercícios mesmo nos dias mais frios.
Metodologia
Para identificar os treinos, finalidades e acessórios mais buscados para prática em casa, foram analisadas pesquisas realizadas por brasileiros no Google nos últimos 12 meses. O levantamento teve como base o termo “treino em casa” e suas variações, contemplando buscas relacionadas ao tema no período. A partir desse recorte, foram construídos três rankings com os principais resultados e respectivos volumes de busca no último ano.
Sobre a Maximum Boxing
Fundada em 2019, a Maximum nasceu da escassez de produtos de qualidade da luta em pé, como Boxe, Muay Thai, MMA, Kickboxing e Karatê. Além da necessidade de assegurar mais proteção para os praticantes de artes marciais, a marca também tem como propósito incentivar as pessoas a praticarem esportes. Hoje, a Maximum Boxing já se destaca pela qualidade e diferencial dos produtos, como as Luvas de Boxe e Muay Thai, feitas em couro de Microfibra Premium e com durabilidade até duas vezes maior do que o couro tradicional.
