“Ele não está apenas repetindo”: ecolalia pode ser tentativa de comunicação no autismo
Especialista explica que repetir frases, músicas ou perguntas nem sempre significa falta de compreensão
“Quer suco?”
“Quer suco?”
“Vamos tomar banho?”
“Vamos tomar banho?”
A repetição imediata ou tardia de palavras e frases, conhecida como ecolalia, ainda é um dos comportamentos mais incompreendidos dentro do transtorno do espectro autista (TEA). Muitas famílias associam o hábito à ausência de compreensão ou acreditam que a criança “não sabe falar”. Mas especialistas alertam: em muitos casos, a ecolalia é justamente uma forma de comunicação.
Segundo a fonoaudióloga Paula Anderle, repetir falas pode ter diferentes funções no desenvolvimento infantil.
“A ecolalia pode ajudar a criança a organizar pensamento, processar linguagem, participar de interações sociais e até expressar emoções. Nem sempre ela está repetindo sem intenção.”
A especialista explica que algumas crianças utilizam frases já conhecidas porque ainda estão construindo maneiras próprias de formular uma linguagem espontânea.
“Muitas vezes, a repetição é o caminho que aquela criança encontrou para se comunicar naquele momento. Quando o adulto interrompe ou corrige o tempo todo, pode acabar bloqueando iniciativas comunicativas importantes.”
Além disso, a ecolalia também pode aparecer em situações de ansiedade, sobrecarga sensorial ou tentativa de autorregulação emocional.
“Precisamos parar de enxergar toda repetição como algo negativo. Existe comunicação ali, existe tentativa de interação e existe desenvolvimento acontecendo.”
Para Paula, ampliar o entendimento sobre a linguagem no autismo é fundamental para promover uma inclusão mais respeitosa tanto em casa quanto na escola.
“Comunicação não é apenas fala espontânea e perfeita. Cada criança pode construir caminhos diferentes para se expressar.”
Possível gancho de data:
● Dia Mundial do Brincar (28 de maio)
● Mês do Orgulho Autista (junho)
● pautas de volta às aulas do segundo semestre já podem ser antecipadas em junho.
Caso tenha interesse na pauta, fico à disposição para fazer a ponte de entrevista com a especialista.
Paula Anderle é fonoaudióloga, analista do comportamento, especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA). Atua com avaliação e intervenção precoce, com foco na comunicação funcional, incluindo fala, linguagem e recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Seu trabalho é voltado à promoção da autonomia e da interação social de crianças autistas, com abordagem individualizada e baseada em evidências.
