O trabalho está acabando com a sua postura?
Dores no pescoço, ombros e costas podem ser sinais de que a rotina profissional está sobrecarregando o corpo
Você termina o expediente com dor no pescoço, ombros pesados ou aquela sensação de que as costas estão travadas? Para muita gente, esse desconforto já virou parte da rotina. Mas os especialistas alertam: normalizar esses sintomas e ignorar a dor pode ser um erro.
Com o aumento das horas em frente ao computador e ao celular, problemas posturais têm se tornado cada vez mais comuns, especialmente entre trabalhadores que passam longos períodos sentados. “Os quadros mais frequentes envolvem dores na região do pescoço, ombros e coluna lombar, além do aumento da tensão muscular”, explica o fisioterapeuta da Unifacimp Wyden, Rafael Marinho.
Rafael explica que um dos problemas mais comuns é a chamada postura da cabeça anteriorizada, também conhecida como “pescoço de tela”. Essa condição acontece quando a pessoa projeta a cabeça para frente durante muitas horas ao olhar para o celular ou computador. Esse hábito aumenta a sobrecarga na região cervical e pode provocar dores persistentes. “Também são frequentes os ombros mais fechados, a curvatura acentuada das costas e os desconfortos lombares”, enumera.
O especialista faz, ainda, outro alerta importante: o problema nem sempre está apenas na postura, mas no tempo em que o corpo permanece parado. “O nosso corpo foi feito para se movimentar. Até uma postura considerada correta, quando mantida por muitas horas sem pausa, pode gerar dor e sobrecarga”, destaca.
SINAIS DE ATENÇÃO
Dores frequentes no pescoço, ombros e costas devem ser vistas como sinais de alerta, especialmente quando surgem ao final do expediente ou passam a fazer parte da rotina. Além delas, outros sintomas também merecem atenção, como a sensação constante de peso ou tensão muscular, rigidez no pescoço, dores de cabeça frequentes, formigamento nos braços ou nas mãos, cansaço excessivo e desconforto ao permanecer sentado por longos períodos. Também é importante observar quando a dor começa a limitar movimentos simples do dia a dia ou interfere na qualidade do sono, pois esses sinais podem indicar a necessidade de avaliação e acompanhamento profissional.
“Muita gente normaliza o desconforto e pensa: ‘isso é do trabalho mesmo’. Mas dor constante não é normal. Ela indica que algo não está funcionando bem e merece atenção”, alerta o fisioterapeuta.
É justamente nesse contexto que entra a ergonomia, área responsável por adaptar o ambiente de trabalho às necessidades do corpo humano, reduzindo o desgaste físico e prevenindo dores e lesões. O fisioterapeuta explica que pequenas mudanças podem fazer grandes diferenças.
“A ergonomia não serve apenas para deixar o ambiente mais confortável. Ela ajuda a diminuir a sobrecarga sobre músculos, articulações e estruturas da coluna, evitando que pequenos desconfortos evoluam para problemas mais sérios”, explica.
O especialista orienta que a tela do computador deve ficar na altura dos olhos para evitar a inclinação constante do pescoço, enquanto os pés precisam permanecer apoiados. Já a cadeira deve oferecer suporte adequado para a região lombar. Os braços também devem ficar apoiados durante a digitação, reduzindo a tensão sobre ombros e punhos. No caso dos notebooks, Rafael recomenda atenção especial. “Muitas pessoas passam o dia inteiro trabalhando com a tela baixa, o que força uma postura inadequada. Sempre que possível, o ideal é utilizar suportes e acessórios que permitam um posicionamento mais ergonômico”, orienta.
Mas, para o fisioterapeuta, tão importante quanto a postura é o movimento. “Não existe uma postura perfeita para ser mantida durante oito horas seguidas. O corpo foi feito para se movimentar. O mais saudável é alternar posições, levantar periodicamente, caminhar um pouco e fazer pequenas pausas ao longo do expediente”, conclui.
