AVC pode atingir um em cada quatro brasileiros e muitas vezes age em silêncio alerta neurocirurgião do Natus Lumine
Reconhecer os sinais e agir rápido pode ser a diferença entre a vida, a morte ou sequelas permanentes
Por muito tempo associado apenas à idade mais avançada, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) tem desafiado essa percepção e se consolidado como uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil — atingindo adultos em plena fase produtiva e, em alguns casos, até jovens.
O alerta é direto e preocupante. “Em cada quatro pessoas que conhecemos, uma delas vai ter um AVC ao longo da vida”, afirma o neurocirurgião Dr. Max Freire, do Natus Lumine Hospital e Maternidade.
Segundo o especialista, o maior perigo está justamente no fato de que o AVC pode se instalar de forma silenciosa, sem dor e sem aviso prévio, o que faz com que muitos pacientes demorem a buscar ajuda. “O tempo é determinante. Cada minuto sem atendimento significa perda de neurônios e aumento do risco de sequelas graves ou óbito”, explica o médico, que ressalta a importância da informação sobre a doença.
O que é o AVC e por que ele é tão perigoso
O AVC ocorre quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido, seja por um entupimento de uma artéria (AVC isquêmico, o mais comum) ou pelo rompimento de um vaso sanguíneo (AVC hemorrágico). Sem oxigênio, as células cerebrais começam a morrer em poucos minutos.
O cérebro não avisa com dor intensa, como acontece em um infarto do coração. Por isso, o AVC costuma ser subestimado e se instala de forma silenciosa. Mas o corpo dá avisos claros é preciso estar atento aos mesmos.
“Reconhecer rapidamente os sinais é fundamental para salvar vidas” explica o Dr. Max Freire, que destaca entre os principais sintomas de alerta, a
Fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, especialmente em rosto, braço ou perna. E mais, dificuldade para falar ou compreender o que é dito, fala enrolada ou confusa; assimetria facial, como boca torta ao sorrir; perda súbita da visão, total ou parcial, em um ou nos dois olhos; tontura intensa, desequilíbrio ou dificuldade para andar e dor de cabeça súbita e muito forte, sem causa aparente, mais comum no AVC hemorrágico.
O que fazer diante da suspeita de um AVC
Diante de qualquer um desses sinais, a orientação é clara: não esperar o sintoma passar. O agir rápido pode salvar vidas.
“Não é hora de automedicação nem de observar em casa. É ligar imediatamente para o serviço de emergência e levar o paciente a um hospital com estrutura para atendimento neurológico”, reforça o neurocirurgião Max Freire.
O tratamento do AVC, especialmente o isquêmico, depende de uma janela de tempo curta — em geral, até 4h30 após o início dos sintomas — para que terapias que dissolvem o coágulo sejam eficazes. Uma forma simples de identificação, segundo campanhas internacionais, é aplicar o método SAMU:
Sorriso (peça para a pessoa sorrir e observe se há assimetria); Abraço (verifique se consegue levantar os dois braços); Mensagem (observe se a fala está alterada) e Urgência (busque imediatamente o serviço de emergência).
Prevenção: a arma mais poderosa contra o AVC
Apesar da gravidade, o AVC pode e deve ser prevenido. Estima-se que até 80% dos casos poderiam ser evitados com controle adequado dos fatores de risco. Entre os principais estão: Hipertensão arterial (o maior vilão); Diabetes; Colesterol elevado; Tabagismo; Sedentarismo; Obesidade; Consumo excessivo de álcool e Estresse crônico.
“Cuidar da pressão arterial, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e fazer check-ups periódicos com cardiologista e endocrinologista são atitudes simples que salvam vidas”, ressalta Dr. Max Freire.
Informação também salva
O alerta do especialista é um chamado à conscientização coletiva. O AVC não escolhe hora nem lugar. Quanto mais informadas as pessoas estiverem, maiores são as chances de reconhecer os sinais precocemente e evitar consequências devastadoras da doença.
Em um país onde milhares de pessoas ainda chegam tardiamente aos hospitais, falar sobre AVC é, acima de tudo, uma estratégia de saúde pública.
