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Silêncio digital: o impacto das telas no atraso de fala infantil preocupa especialistas


Fonoaudióloga alerta para o crescimento de casos de atraso de fala em crianças expostas precocemente a celulares e tablets, e explica como o uso excessivo de tecnologia está mudando a forma como as crianças se comunicam

O uso precoce e prolongado de telas têm alterado silenciosamente o desenvolvimento infantil — e um dos sinais mais evidentes está na fala. De acordo com a fonoaudióloga Angelika dos Santos Scheifer, especialista em atraso de fala, tem crescido o número de crianças que chegam aos consultórios sem conseguir se comunicar adequadamente por conta da exposição excessiva a tablets, celulares e outros dispositivos digitais.

“As crianças estão aprendendo a deslizar o dedo antes de aprender a pronunciar as primeiras palavras. Isso mostra que algo mudou na base da comunicação humana”, alerta Angelika.

Segundo a especialista, a fala é resultado de uma complexa rede de estímulos auditivos, sociais e emocionais — elementos que diminuem drasticamente quando a criança passa mais tempo interagindo com telas do que com pessoas. A ausência de trocas verbais e o predomínio de estímulos visuais rápidos reduzem o tempo de atenção, prejudicam a imitação motora e verbal e dificultam a construção da linguagem.

“O desenvolvimento da fala não depende apenas de ouvir sons, mas de sentir a intenção por trás deles. Quando uma mãe olha para o filho e diz algo, há emoção, ritmo, pausa e expressão facial. Nenhum aplicativo é capaz de reproduzir isso”, explica.

Angelika observa que muitos pais buscam ajuda acreditando que o atraso de fala é um problema isolado, quando na verdade pode ser um sintoma de um ambiente com pouco diálogo, pouca escuta e excesso de estímulos artificiais. Ela ressalta, contudo, que o problema pode ser revertido com acompanhamento especializado e mudanças simples na rotina familiar.

“O primeiro passo é reduzir o tempo de tela e aumentar as interações reais. Brincadeiras com sons, músicas, leitura de histórias e conversas diárias são formas poderosas de estimular a fala. O cérebro infantil precisa de contato humano para aprender a se comunicar”, orienta a fonoaudióloga.

Para a especialista, é fundamental que pais e cuidadores estejam atentos aos sinais de alerta — como ausência de balbucio até um ano, falta de palavras isoladas até um ano e meio ou dificuldade de formar frases curtas até os 2 anos e meio. Em casos assim, procurar avaliação fonoaudiológica é essencial para garantir a estimulação adequada e evitar impactos futuros no aprendizado e na socialização.

“A tecnologia é uma aliada quando usada com equilíbrio. O problema não são as telas, mas o tempo que elas tomam das experiências reais. Falar é um ato humano — e nasce da convivência, da escuta e do afeto”, conclui Angelika.

Caso queira se aprofundar na pauta, fico à disposição para fazer a ponte de entrevista com a especialista.

Angelika dos Santos Scheifer

Fonoaudióloga, pós-graduada em Avaliação e Reabilitação em Motricidade Orofacial e Distúrbios de Fala e Linguagem, formação avançada em PECS, formação em laserterapia para clínica fonoaudiológica e aprimoração em ação fonoaudiológica no TEA. Produtora de conteúdo digital para promoção de saúde em fala e linguagem. Atua em atendimento clínico e em treinamento familiar para o desenvolvimento da fala infantil, com consultas presencial e online para todo o Brasil.