Wrestling e inglês para meninas: ONG passa por expansão e impactará cerca de 500 beneficiárias
Mempodera oferece atividades gratuitas e amplia atuação, chegando a oito núcleos em três estados brasileiros
Ampliando sua atuação em 2026, a Mempodera implantará novos núcleos de atendimento em três estados brasileiros, passando a contar com oito unidades em funcionamento no país. As novas unidades serão implantadas em São Luís (MA), onde a organização chegará a quatro núcleos por meio do patrocínio da Vale via Lei do Esporte; em Cubatão (SP), passando a atender também na UME Marta Josete Ramos Impaléa (CEU); e em Extrema (MG), município que marca a chegada da Mempodera ao terceiro estado de atuação, com patrocínio do Mercado Livre.
A expansão vai permitir que a organização sem fins lucrativos alcance cerca de 500 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, oferecendo gratuitamente atividades de wrestling e inglês introdutório para meninas de seis a 17 anos.
Desde sua criação, a organização já beneficiou mais de 1,2 mil crianças e adolescentes. Além de ampliar o atendimento direto, a expectativa é de que os novos núcleos impactem, de forma indireta, cerca de duas mil pessoas. A expansão também resultará no aumento da equipe, que passará a reunir aproximadamente 40 profissionais.
“Estamos muito felizes em aumentar o impacto de beneficiárias em cerca de 75% e chegar a um novo estado. Começamos oferecendo wrestling e inglês em apenas um núcleo e, hoje, ver que estamos chegando a oito é motivo de comemorar, pois significa mais meninas empoderadas. Chegar em Extrema é uma alegria em particular para mim, que sou mineira, e agora vou ver meninas do meu estado natal sendo beneficiadas. Em 2027, queremos ampliar a metodologia Mempodera para dois novos lugares, sendo Machado (MG) e Macaé (RJ)”, afirma Mayara Graciano, coordenadora da Mempodera.
O novo núcleo de Extrema beneficiará cerca de 40 meninas e ainda está em processo de articulação com parcerias locais, além da contratação de novos profissionais para iniciar as atividades ainda em 2026. “Queremos potencializar os impactos positivos do Mercado Livre nas comunidades em que a empresa atua, impulsionando organizações e iniciativas que fomentam a inclusão e o desenvolvimento social nessas localidades”, afirma Laura Motta, gerente sênior de sustentabilidade do Mercado Livre.
Outra escola que receberá a iniciativa é a UEB Henrique de La Roque, em São Luís, em que cerca de 50 alunas serão beneficiadas, por meio do patrocínio da Vale via Lei do Esporte. A UEB fica localizada no Eixo Itaqui-Bacanga e tem cerca de 300 mil habitantes, de acordo com o último censo, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Uma das empresas que atua na região e apoiará o novo núcleo, é a Vale. “A Vale enxerga o esporte como uma ferramenta de desenvolvimento social e busca contribuir para democratizar o acesso e a produção de projetos esportivos que promovam inclusão e tenham abrangência territorial”, ressalta Fernanda Fingerl, gerente de Metodologias da Fundação Vale.
Expansão possibilitará retorno de meninas para o projeto
Na Escola Municipal de Tempo Integral Negro Cosme, localizada no bairro Liberdade, o maior quilombo urbano da América Latina, em São Luís, o projeto atende meninas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Com a mudança para o 6º ano, muitas delas precisam trocar de escola e, consequentemente, deixam de participar das atividades. A criação de um novo núcleo na UEB Mário Andreazza permite ampliar essa atuação para as estudantes do 6º ao 9º ano, podendo trabalhar assuntos pertinentes para essas adolescentes, como saúde menstrual e empoderamento, além de possibilitar a continuidade do atendimento às meninas que já eram beneficiárias na Negro Cosme.
Uma dessas alunas que terá acesso à luta e ao inglês é Sara Vitória, que foi beneficiária na Negro Cosme e retorna às atividades. “Estou me sentindo muito feliz, forte, confiante e grata por fazer novamente parte da Mempodera. Antes de entrar no projeto, eu sofria muito bullying na escola. Eu me sentia muito triste, insegura e achava que estava sozinha. Depois que chegou à minha escola, minha vida mudou, pois fiz novas amizades e também aprendi a confiar mais em mim. Conheci professoras, pessoas que sempre me apoiaram e também tive o acompanhamento da psicóloga que me ajudou a entender meus sentimentos e fortalecer a minha autoestima, além de acreditar que eu sou capaz”, relata Sara, de 12 anos.
“Contar com a Mempodera há dois anos no nosso território é essencial, sobretudo no que tange à valorização do esporte e o incentivo, cada vez mais, a essa prática para as mulheres, principalmente agora, na Escola Mario Andreazza também. É importante estar em vários espaços, principalmente em um país onde ainda há uma taxa muito alta de feminicídio. Precisamos de trabalhos como esse, que visam empoderar as mulheres e as meninas e valorizar ainda mais o protagonismo feminino do nosso estado”, ressalta o professor Marcos Soares, vice-presidente do Pacto Pela Paz, na região do Quilombo Urbano da Liberdade.
Empoderamento feminino e espaços seguros
As atividades da Mempodera são desenvolvidas de forma lúdica e educativa. A organização acredita que o empoderamento feminino, racial e social nem sempre está presente desde o início, mas pode ser desenvolvido ao longo da vida. E estar em ambientes que inspiram, com pessoas que estimulam o processo, faz toda a diferença.
Os profissionais e a equipe são treinados para agir com base nos cinco pilares em que o método se fundamenta: ambiente seguro, postura acolhedora da equipe, inclusão e diversidade, intencionalidade, cooperação e jogos e brincadeiras. Durante as atividades, também há oficinas com temas como saúde, meio ambiente, educação antiracista e equidade de gênero.
“Firmar uma parceria com a Mempodera por meio do esporte é maravilhoso, pois vão trabalhar as questões emocionais, de disciplina e combate ao bullying e a violência. A nossa expectativa é que, ao atingir o público que está em uma área vulnerável, possam sair atletas, não só para o esporte em si, mas para a vida”, destaca Lurdinha Queiroz, gestora da Unidade de Ensino Básico (UEB) Mário Andreazza.
“Ao trazer a Mempodera para a escola, ampliamos o protagonismo feminino. Vivemos em uma sociedade machista e precisamos desmistificar muitas coisas de comportamento e falas, principalmente o pensamento de que a luta é uma modalidade masculina. Com o projeto, também serão abordadas as questões sociais e psicológicas, além da aceitação de si. Para a comunidade de modo geral, vai oportunizar uma troca de experiências e de vivências”, explica Suelen Soares Ribeiro, professora de suporte pedagógico da UEB Henrique de La Roque.
Sobre a Mempodera
Fundada em 2018, a Mempodera é uma organização social que promove o desenvolvimento e o empoderamento de crianças e adolescentes, com prioridade para meninas, por meio do esporte e da educação. Presente em escolas públicas, a organização oferece gratuitamente atividades de wrestling e inglês introdutório, utilizando essas ferramentas para fortalecer a autoestima, ampliar o conhecimento sobre direitos e promover a igualdade de gênero.
As ações são realizadas com apoio do Ministério do Esporte, por meio da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, e contam com o patrocínio da Vale, Itaú, Mercado Livre, Unipar, B3, EY, Everllence Brasil, Dasa, Kaefer RIP e Transpetro e apoio da Fundação Volkswagen. Desde sua criação, mais de 1200 crianças e adolescentes já participaram dos projetos da organização em Cubatão e Pedro de Toledo (SP) e São Luís (MA), ampliando oportunidades de desenvolvimento pessoal e social. Mais informações em www.mempodera.com.
