Violência contra a mulher: saiba como combater esse crime dentro e fora de casa

“Caiu da escada”, “escorregou no banheiro” ou “tropeçou no tapete da sala”. Essas são algumas das desculpas usadas por mulheres que sofrem de violência doméstica no Brasil. Por medo de denunciar,  milhares se calam diante da violência de seus agressores. 

Para combater esse crime, foi criado o Dia Internacional de Luta Contra a Violência à Mulher, no dia 25 de novembro. A data, escolhida para homenagear as irmãs Pátria, Maria Teresa e Minerva Mirabal – torturadas e assassinadas nesta mesma data, em 1960, a mando do ditador da República Dominicana, Rafael Trujillo – chama a atenção para os números assustadores de violência contra a mulher, em todo o mundo. 

No Brasil, segundo dados do Balanço dos atendimentos realizados pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, no primeiro semestre deste ano, 39,34% dos casos registrados correspondiam a violência diariamente; 32,76%, semanalmente. Isso significa que em 71,10% dos casos, a violência ocorre com uma frequência extremamente alta. Do total de relatos, 51,06% referem-se a agressões físicas e 31,10%, à violência psicológica. Em 67,63% dos casos, as agressões foram cometidas por homens com quem as vítimas mantêm ou mantiveram uma relação afetiva.

Já no Maranhão, somente entre os meses de janeiro a agosto, foram contabilizados cerca de 2.400 atendimentos a vítimas de violência, realizados pela Defensoria Pública do Estado (DPE/MA). Dado que equivale a uma média de 300 registros por mês. No bimestre março-abril, os números de feminicídio subiram de seis casos, em 2019, para 14 em 2020, um aumento de 133% no total dos casos.

A violência contra mulher pode ser relacionada à diversas implicações legais, a depender do tipo penal acometido, como explica a coordenadora do curso de direito da Estácio São Luís, Renata Reis. “Em relação à violência moral, podemos observar o que diz os artigos 138, artigo 139 e o artigo 140, relacionados à calúnia, difamação e injúria, com penas de detenção ou multa. Também é possível verificar a violência sexual, presente no artigo 213 e o feminicídio, visualizado no artigo 121 do Código Penal”, detalha.

Para a psicóloga do Hapvida Saúde, Celiane Lopes, na maioria dos casos, as agressões e até mesmo o feminicídio surgem a partir do relacionamento abusivo. “É comum em uma relação tóxica o parceiro ou parceira possui um sentimento de posse, sem se importar com as consequências negativas que suas atitudes podem causar. Estas, quando uma vez não identificadas, podem evoluir para abusos psicológicos, agressão física e até mesmo atos que possam que colocam a vida do outro em risco”, pontua a especialista.

A psicóloga explica ainda que as relações de caráter abusivo costumam passar por três fases iniciais, que já podem ser consideradas como os primeiros sinais e precisam de atenção redobrada. “A primeira fase, ocorre quando o tratamento existe da melhor forma, nesse momento, o importante é a conquista e o envolvimento do parceiro (a). Já na segunda, há uma mudança repentina de humor e comportamento. E por fim na terceira, começam a surgir os demais sinais de um relacionamento abusivo, como controle e até agressão”, explica.

Como identificar uma relação tóxica?

Com já vimos o relacionamento abusivo é o primeiro passo para a violência doméstica. Por isso para evitar que o número de casos de crime aconteça, veja como identificar uma relação tóxica e fuja dela.

  • Ciúmes e desconfiança em excesso

Se seu companheiro costuma dizer: “eu confio em você, mas não confio nos outros”, fique atenta. “Camuflar o ciúme usando outras pessoas é um dos primeiros sinais. Na desculpa de não confiar em quem está  a sua volta, o agressor controla com quem o parceiro está e até as roupas que usa”, alerta.

  • Ele nunca tem culpa 

A vítima é sempre o agressor. “Como frases como: você me provoca, você sabe que eu gosto, por que você, costumam ser usadas por pelo controlador. O agressor deposita a culpa na parceira, fazendo com que ela assuma esse sentimento”, exemplifica.

  • Você não pode ter amigos (as)

O isolamento é outra característica de um relacionamento abusivo. “Através de frases como: homem e mulher não podem ter amizade ou essa sua amiga é uma má influência pra você, o agressor isola a vítima. Assim ele entende que o seu único amigo será ele, criando uma maior dependência da vítima”,  pontua.

  • Comportamento agressivo

No desejo por controlar a vítima, o agressor passa a ter um comportamento agressivo, como segurar com força, empurrar. “Ele pode também quebrar objetos ou se exaltar em locais públicos. Essa é forma que ele encontra para não bater diretamente na parceira”.

  • Pedido de perdão 

Após o comportamento agressivo é comum o agressor prometer que nunca mais vai repetir o erro. “É exatamente nesse momento que mora o perigo. Promessas como essa nunca serão cumpridas pelo agressor, pelo contrário, se tornaram mais frequentes”, chama a atenção.

Denuncie!

Em caso de violência contra mulher, a denúncia é a melhor arma. “Não existe mais aquela história de que em briga de marido e mulher niguém mete a colher. Caso saiba de alguma caso de violência contra mulher denuncie e ajude quem sofre ao seu lado”, incentiva Celiane.

Contatos: 

Central de Atendimento à Mulher – Disque 180 

Polícia Militar – Ligue 190  

Delegacia Especializada da Mulher – (98) 99187-6622

Casa da Mulher Brasileira – (98) 98425-8469 / 98409-8557 

Patrulha Maria da Penha – (98) 2016-8480 / 99219-3671