Vereadores debatem paralisação do transporte público na capital
A greve no sistema de transporte público de São Luís, iniciada no último dia 13 de março, foi um dos principais temas discutidos pelos vereadores durante a sessão ordinária desta segunda-feira (16), na Câmara Municipal. Parlamentares manifestaram preocupação com os impactos da paralisação, que já chega ao quarto dia, e cobraram providências para garantir a retomada do serviço essencial à população.
Durante o debate, o vereador Pavão Filho (PSB) destacou os prejuízos causados pela suspensão do transporte coletivo e defendeu maior atuação dos poderes públicos para solucionar o impasse. Segundo ele, a paralisação compromete diretamente o deslocamento dos trabalhadores e afeta a economia da cidade.
“A população da nossa cidade está sem transporte para ir e vir. A economia está abalada com a paralisação que já está no quarto dia. Esta Casa não pode ficar em silêncio porque representa a população. O transporte coletivo é um dos serviços essenciais de São Luís”, afirmou.
O parlamentar também relembrou aspectos do contrato de concessão do transporte coletivo firmado em 2016, durante a gestão do então prefeito Edivaldo Holanda Júnior. De acordo com ele, o acordo previa revisão anual da tarifa, revisão contratual a cada quatro anos e a circulação de cerca de 700 ônibus, sendo 70% da frota equipada com ar-condicionado. No entanto, segundo o vereador, essas exigências não estariam sendo cumpridas.
“Hoje, quando não há greve, circulam apenas cerca de 550 ônibus. São Luís tem um dos piores sistemas de transporte coletivo do Brasil. O empresário reclama da tarifa, o usuário reclama da qualidade do serviço e a Prefeitura afirma que não dará reajuste. O sistema vai entrando em um processo de degradação e os maiores prejudicados são os trabalhadores”, pontuou Pavão Filho, defendendo ainda uma atuação do Poder Judiciário diante da situação.
O vereador Astro de Ogum (PCdoB) também criticou a persistência dos problemas no sistema de transporte público da capital. Para ele, a situação se arrasta há anos e exige medidas estruturais por parte do poder público. “Esse problema do transporte público é uma ferida crônica. Quando vemos o Executivo anunciar R$ 1,6 bilhão em obras na cidade, questionamos por que ainda não resolveu o problema do transporte. A Prefeitura tem condições de financiamento. Se ainda não solucionaram, é porque não quiseram”, afirmou.
O parlamentar acrescentou que, segundo informações do sindicato do setor, seriam necessários cerca de 1.300 ônibus para atender adequadamente à demanda do Município.
O co-vereador do Coletivo Nós (PT), Jhonatan Soares, também se manifestou sobre a paralisação, lembrando que esta é a terceira interrupção do serviço registrada somente neste ano. O parlamentar destacou a necessidade de aprofundar o debate institucional sobre o tema e cobrou esclarecimentos sobre o repasse de subsídios ao sistema.
“Estamos mais uma vez com essa situação de greve na nossa cidade. Precisamos nos perguntar qual o nosso papel diante desse cenário. Os empresários afirmam que o subsídio não está sendo repassado de forma correta, enquanto a Prefeitura diz que o pagamento está sendo feito”, pontuou.
Jhonatan Soares relatou ainda ter buscado informações junto à assessoria jurídica do Sindicato dos Rodoviários, que informou não ter recebido comprovação recente de repasses por parte das empresas. Segundo o vereador, a existência de informações divergentes reforça a necessidade de esclarecimentos públicos.
“Existem muitas informações conflitantes e o que mais preocupa é o silêncio da gestão municipal. A Prefeitura foi convocada pela Câmara, mas não compareceu, assim como também não esteve presente em audiência do Ministério Público. Como representantes da população, queremos saber como fica o direito de cerca de 700 mil ludovicenses que dependem diariamente do transporte coletivo”, destacou.
Ao final do pronunciamento, o Coletivo Nós solicitou apoio dos demais parlamentares, especialmente, da Comissão de Mobilidade Urbana da Casa, para liderar o debate e buscar encaminhamentos que contribuam para a solução do impasse.
