Temporada de pipas em São Luís acende alerta na rede elétrica e pode gerar riscos e responsabilização por danos
Outubro é um dos meses de ventos mais fortes em São Luís, efeito da combinação dos ventos alísios com a brisa marítima. É também a época em que as pipas tomam o céu da cidade, em uma tradição que reúne crianças e jovens. Quando a brincadeira acontece perto da rede elétrica, porém, o risco aumenta. Segundo a advogada Lucimary Galvão, sócia do escritório Galvão Leonardo Advocacia, esses incidentes podem causar acidentes, interromper o fornecimento de energia, provocar prejuízos e levantar questões de responsabilidade civil.
Os números da Equatorial Maranhão mostram o tamanho do problema. De janeiro a junho de 2026, foram registradas 1.135 ocorrências envolvendo pipas na rede elétrica em todo o estado. São Luís lidera, com 389 casos, seguida por Imperatriz (87) e São José de Ribamar (81). Uma única ocorrência pode deixar milhares de pessoas sem energia ou representar risco à vida.
Quando a pipa ou a linha atinge a fiação, o que era lazer passa a afetar o funcionamento da rede. Por isso, a recomendação é empinar pipas apenas em locais afastados dos cabos elétricos. Se a pipa ficar presa na rede, não se deve tentar retirá-la, pois a tentativa pode provocar acidentes e novos danos.
“Quando uma ocorrência provoca danos à rede elétrica, é preciso olhar para as consequências daquele fato. Uma interrupção pode afetar equipamentos, produtos, atividades comerciais e outros serviços, gerando prejuízos que vão além do dano inicial na estrutura”, afirma Lucimary Galvão.
A advogada ressalta, no entanto, que a responsabilização por danos materiais não é automática. É preciso analisar o que aconteceu, qual foi o prejuízo e se há uma relação comprovada entre a conduta e o dano. Essa avaliação é o que define quem pode ser responsabilizado e quais consequências o caso pode ter.
Outro ponto de atenção é o uso de cerol e linha chilena. No Maranhão, a Lei Estadual nº 11.344/2020 proíbe a comercialização de cerol, linha chilena e outros produtos cortantes usados para empinar pipas. Em São Luís, a Lei Municipal nº 6.909/2021 também trata da proibição desses materiais. Além do risco à segurança, o uso desses materiais pode ter peso na análise jurídica quando estiver ligado a um dano.
“O uso de um material proibido pode pesar na análise de uma ocorrência, principalmente quando existe uma relação entre essa conduta e o prejuízo provocado. Nesses casos, é preciso avaliar as circunstâncias e as provas para entender a responsabilidade envolvida”, explica Lucimary Galvão.
