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Startups maranhenses apresentam soluções de bioeconomia no Inova Amazônia Summit 

Com o apoio do Sebrae, quatro negócios do estado levaram produtos e soluções que conectam biodiversidade, inovação e oportunidades de mercado.

Quando a biodiversidade encontra a inovação, a floresta também pode virar negócio. Foi com essa perspectiva que quatro startups maranhenses chegaram a Rio Branco (AC) para apresentar produtos e soluções desenvolvidos a partir dos recursos, conhecimentos e potencialidades da Amazônia. Sabor da Ilha, Oji, Bioassu e Compensei participaram do Inova Amazônia Summit, entre os dias 17 e 19 de setembro, levando para o encontro diferentes formas de transformar a riqueza do território em produtos e soluções para o mercado.

A presença maranhense integrou uma programação que reuniu empreendedores, cooperativas, instituições públicas, investidores e representantes de organizações ligadas à bioeconomia e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. No mesmo período, a capital acreana também recebeu a Imersão Coopera + Amazônia, iniciativa que reúne cooperativas extrativistas de cinco estados da Amazônia Legal para discutir gestão, acesso a mercados e desenvolvimento das cadeias produtivas.

Biodiversidade e inovação na prática 

A participação das quatro startups apresentou diferentes formas de transformar os ativos do território em produtos, serviços e soluções. Algumas partem diretamente da biodiversidade; outras desenvolvem tecnologias e modelos de negócio relacionados aos desafios ambientais e às novas possibilidades da economia amazônica.

Entre elas está a Sabor da Ilha, que chegou ao Summit levando produtos que traduzem sabores e ingredientes do Maranhão. Para Ana Paula Grolli, representante da empresa, estar em um espaço que reúne diferentes estados e atores da Amazônia amplia as possibilidades de apresentar o potencial do território e criar novas conexões.

“Estamos aqui com o apoio do Sebrae para poder apresentar para outros estados e para o mundo esses sabores maravilhosos que o Maranhão tem. É uma oportunidade de mostrar todo o potencial que o Maranhão tem, com sua biodiversidade e sua exclusividade, e de levar isso para o mercado”, afirma.

A Bioassu também levou ao evento uma experiência diretamente relacionada a uma das principais cadeias da sociobiodiversidade maranhense: o babaçu. A empresa trabalha com produtos desenvolvidos a partir dessa cadeia e busca agregar valor aos ativos da biodiversidade, ao mesmo tempo em que contribui para a valorização das mulheres quebradeiras de coco e dos territórios onde essa atividade está presente.

“Queremos trazer o povo do babaçu para os ativos nobres da nossa biodiversidade, dar destaque e ajudar a manter as florestas de babaçuais e a inclusão das mulheres quebradeiras”, explica Márcia Werle, CEO da empresa.

A riqueza do território também aparece como matéria-prima para a inovação na indústria de cosméticos. É o caso da Oji Cosmética Regenerativa, que levou ao Summit produtos desenvolvidos a partir da perspectiva de aproveitamento sustentável dos recursos naturais e da criação de soluções para o cotidiano.

Para Tayla Trindade, representante da marca, a participação no evento permite mostrar como a biodiversidade pode se transformar em produtos inovadores e ampliar o alcance das iniciativas desenvolvidas no Maranhão. “É possível inovar através de produtos cosméticos que acompanham a gente no dia a dia e mostram toda a nossa potência criativa. Estar aqui é também uma oportunidade de levar o potencial do Maranhão para outros mercados e mostrar como a nossa biodiversidade pode gerar produtos inovadores”, destaca.

Já a Compensei levou ao Summit uma experiência que combina inovação e ação climática. Além de participar como expositora, a startup maranhense foi responsável pela descarbonização do evento, com uma equipe dedicada às ações de sustentabilidade, gerenciamento de resíduos e sensibilização dos participantes.

Para Vilena Cutrim, da Compensei, a participação teve um significado especial por unir a apresentação da solução desenvolvida no Maranhão à aplicação prática da sustentabilidade. “Ficamos muito felizes em participar de mais uma edição do Inova Amazônia Summit. Além de apresentar a Compensei, tivemos a oportunidade de contribuir para tornar o evento carbono neutro, mostrando que a sustentabilidade pode ser uma experiência prática, mensurável e capaz de envolver milhares de pessoas”, destaca.

Inovação que nasce do território

A presença maranhense no Summit também evidencia que a inovação na Amazônia não se limita a um único setor ou modelo de negócio. As quatro startups atuam em frentes distintas e demonstram como biodiversidade, tecnologia, criatividade e sustentabilidade podem se encontrar na construção de novas soluções.

É justamente nesse ponto que entra a atuação do Sebrae. A instituição acompanha negócios em diferentes estágios de desenvolvimento, oferecendo capacitação, orientação e acesso a ambientes que permitem aos empreendedores ampliar suas conexões e conhecer novas possibilidades de mercado.

Para a coordenadora estadual de Produtividade e Transformação Digital do Sebrae Maranhão, Danielle Abreu, a participação dos negócios maranhenses em uma agenda amazônica amplia o alcance das iniciativas desenvolvidas no estado e aproxima os empreendedores de outros atores do ecossistema. 

“O papel do Sebrae é criar pontes. Quando levamos negócios maranhenses para um ambiente como o Inova Amazônia Summit, estamos conectando conhecimento, inovação, criatividade e biodiversidade a mercados, investidores e potenciais parceiros. O Maranhão tem uma diversidade de ativos e de saberes que pode se transformar em produtos, serviços e soluções com valor agregado. Nosso trabalho é apoiar esses empreendedores para que essas ideias avancem, ganhem estrutura e encontrem espaços para chegar a novos públicos e mercados”, destaca Danielle.

As quatro empresas presentes no evento integram ou já participaram de iniciativas como o Inova Amazônia e o Inova Cerrado, programas voltados ao desenvolvimento de negócios inovadores associados à biodiversidade. A participação na programação contou ainda com a articulação entre Sebrae Maranhão e Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), que também esteve presente na comitiva maranhense. A parceria aproxima os empreendedores de conhecimentos, conexões e oportunidades para transformar pesquisa, inovação e potencialidades do território em soluções com aplicação no mercado.

Cooperativismo e economia da floresta

Durante a programação, outro destaque foi a Imersão Coopera + Amazônia, que colocou no centro da agenda outro importante componente da economia amazônica: as cooperativas extrativistas.

A imersão reuniu 24 cooperativas e 48 cooperados, além de representantes dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), equipe técnica do BNDES, Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (UNICAFES).

A programação faz parte do Coopera + Amazônia, projeto financiado pelo Fundo Amazônia, por meio do BNDES, e executado pelo Sebrae. A iniciativa atua em cinco estados da Amazônia Legal: Maranhão, Pará, Rondônia, Acre e Amazonas e terá 48 meses de execução, entre 2026 e 2030.

O projeto combina qualificação em gestão cooperativa, acesso a mercados e fortalecimento das cadeias produtivas extrativistas. A proposta é contribuir para que as cooperativas avancem em sua organização e capacidade comercial, conectando a geração de renda das famílias extrativistas à conservação da floresta em pé.

Recursos Amazônicos e Economia

Nesse cenário, startups, empresas e cooperativas aparecem em diferentes pontos de uma mesma agenda: a construção de uma economia baseada nos recursos, conhecimentos e potencialidades da Amazônia, com geração de valor nos próprios territórios.

Para o diretor-superintendente do Sebrae Maranhão, Albertino Leal, a presença do estado nas duas agendas mostra a diversidade de caminhos que podem ser construídos a partir da biodiversidade e da capacidade empreendedora da região. “O Maranhão tem uma posição estratégica dentro da Amazônia Legal e reúne uma diversidade de cadeias produtivas, conhecimentos tradicionais, empreendedores e soluções inovadoras. Estar presente em uma agenda como essa significa colocar os negócios maranhenses em contato com outros territórios, instituições e mercados. O Sebrae tem justamente esse papel de aproximar, preparar e criar oportunidades para que a riqueza da nossa biodiversidade possa gerar valor, renda e novas perspectivas para quem empreende no estado”, conclui.