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Seu dente parece estar ficando mais comprido? Pode ser retração gengival

Ao sorrir ou escovar os dentes, algumas pessoas percebem que os dentes parecem estar mais longos ou aparentes do que antes. Em muitos casos, essa mudança está relacionada à retração gengival, condição caracterizada pelo deslocamento da margem da gengiva, deixando exposta uma parte da raiz do dente que normalmente estaria protegida pelo tecido gengival.

Embora possa passar despercebida no início, a retração gengival merece atenção. Além de modificar a aparência do sorriso, ela pode provocar sensibilidade dentária, principalmente ao contato com alimentos frios, quentes ou ácidos. Isso acontece porque a superfície radicular não possui a mesma proteção proporcionada pelo esmalte que recobre a coroa dos dentes.

A alteração do contorno gengival também pode dificultar a higienização em determinadas regiões e favorecer a retenção de biofilme bacteriano. Segundo Roberto Gondim, professor e coordenador do curso de Odontologia da Faculdade Anhanguera, identificar a origem do problema é fundamental para impedir sua progressão. “A retração gengival pode ter diferentes causas e, muitas vezes, resulta da combinação de fatores relacionados à higiene bucal, características anatômicas e condições periodontais. Quando ocorre exposição da raiz, também pode haver maior sensibilidade e aumento do risco de cárie radicular.

Por isso, identificar a causa é importante tanto para controlar a progressão quanto para definir a abordagem mais adequada para cada paciente”, explica.

Confira cinco situações que podem contribuir para a retração gengival:

  1. Escovar os dentes com muita força

A ideia de que uma escovação mais vigorosa proporciona uma limpeza melhor pode acabar prejudicando a gengiva. O excesso de pressão, especialmente quando associado a uma técnica inadequada ou ao uso de escovas com cerdas muito rígidas, pode provocar trauma repetitivo e favorecer o aparecimento ou a progressão da retração.

  1. Acúmulo de biofilme e doenças periodontais

A higiene bucal inadequada favorece o acúmulo de biofilme bacteriano próximo à gengiva, podendo provocar inflamação. Quando há progressão para periodontite, os tecidos responsáveis pela sustentação dos dentes podem ser comprometidos, podendo ocorrer alterações na posição da margem gengival e exposição das raízes.

  1. Sobrecarga sobre os dentes

Bruxismo e apertamento podem gerar forças excessivas sobre os dentes e seus tecidos de suporte. Embora não sejam considerados, isoladamente, causas diretas de retração gengival, essas sobrecargas podem estar presentes em pacientes que também apresentam outros fatores predisponentes e devem ser avaliadas pelo cirurgião-dentista.

  1. Posição dos dentes e características da gengiva

A posição dos dentes na arcada e a espessura dos tecidos que os recobrem também influenciam o risco de retração. Dentes posicionados fora do contorno ósseo adequado ou pessoas que apresentam gengiva mais fina podem ter maior predisposição ao problema, especialmente quando outros fatores estão associados.

  1. Traumas e hábitos repetitivos

Morder objetos, utilizar palitos de maneira inadequada, traumatizar repetidamente a gengiva ou manter outros hábitos que provoquem atrito constante na região pode causar lesões. Quando esses comportamentos se repetem ao longo do tempo, podem contribuir para alterações do tecido gengival.

A retração gengival não costuma regredir espontaneamente, e o tratamento depende da causa, da extensão da exposição radicular e das condições dos tecidos que sustentam os dentes. Em alguns casos, o controle dos fatores causadores e o acompanhamento profissional são suficientes; em outros, procedimentos periodontais específicos podem ser indicados.

Por isso, ao perceber aumento da sensibilidade, mudança no contorno da gengiva ou dentes aparentemente mais compridos, a recomendação é procurar um cirurgião-dentista para avaliação. O diagnóstico precoce ajuda a identificar os fatores envolvidos e a evitar a progressão do problema.