SENAI-MA reúne instituições para conectar inovação aos desafios da indústria
Painel do Mundo SENAI discutiu colaboração entre empresas, ambientes de inovação e poder público
SÃO LUÍS – Aproximar os desafios da indústria de quem pode contribuir com soluções foi o objetivo do painel “Da conexão à transformação: como levar inovação para a indústria?”, realizado nesta sexta-feira (6), no Hub SENAI de Inovação e Tecnologia, na unidade do Monte Castelo. O encontro integrou a programação do Mundo SENAI e reuniu representantes de empresas, ambientes de inovação e poder público, com participação de estudantes.
Segundo Erika Nascimento, analista de inovação do Hub SENAI, a iniciativa buscou conectar pessoas, soluções e oportunidades para ampliar a competitividade industrial. A proposta do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI-MA) foi apresentar aos alunos e aos demais participantes caminhos para transformar conhecimento em respostas às necessidades das empresas.
“A gente tem como objetivo ser esse grande integrador de pessoas, e de soluções”, afirma Erika. Durante o painel, ela apresentou três frentes de atuação do Hub SENAI: o desenvolvimento de soluções para desafios industriais, a articulação entre instituições do ecossistema de inovação e o apoio à captação de recursos para projetos.
A analista destacou que essa aproximação permite conhecer iniciativas de outras organizações, compreender as demandas do setor produtivo e identificar possibilidades de atuação conjunta no Maranhão. Para os estudantes, o contato com os participantes do painel também abriu espaço para entender como suas ideias podem chegar às empresas.
SOLUÇÕES PARA PROBLEMAS REAIS – A analista de inovação da Vale, Apoena Mendes, apresentou um exemplo relacionado à operação ferroviária. Segundo ela, a descarga das baterias durante as paradas das locomotivas exigia intervenções para permitir a retomada do funcionamento. A conexão com uma startup possibilitou testar uma solução com tecnologia solar ligada à bateria.
O caso ilustrou a importância de compreender o problema antes de escolher a tecnologia e de considerar alternativas simples. Apoena também destacou o papel dos ambientes de ensino na construção dessas respostas. “A indústria precisa de vocês para que a gente traga ideias cada vez mais inovadoras e desafiadoras”, disse aos estudantes.
Marcos Barros, diretor do Oxygeni Hub, relacionou a inovação à formação profissional. Ele apresentou um modelo de ensino no qual os alunos trabalham com problemas de empresas desde o início da formação. As demandas orientam o estudo de conteúdos como programação, inteligência artificial e estatística, com acompanhamento de professores e profissionais do mercado.
Segundo Marcos, essa dinâmica permite aplicar o conhecimento, construir um portfólio e estabelecer contato com empresas ainda durante o curso. O trabalho também envolve empreendedorismo e apoio ao desenvolvimento de negócios, para que as soluções possam avançar além da sala de aula.
SAÚDE E SEGURANÇA – Ana Paula Soares, representante da comunidade SOLuíses, complementou a discussão com um exemplo de solução em validação voltada à segurança do trabalho. A iniciativa utiliza câmeras e análise de imagens para identificar situações de risco e verificar o uso de equipamentos de proteção individual. Ela destacou a importância das conexões com empresas para testar os protótipos em situações reais.
Edgar Lira, do Hub SESI de Inovação em Saúde, destacou que o desenvolvimento de soluções começa pela escuta dos trabalhadores e das empresas. Esse contato permite identificar desafios de saúde mental, ergonomia e segurança e orientar projetos de acordo com as necessidades de cada ambiente de trabalho.
“O Hub SESI traz iniciativas voltadas para a saúde e bem-estar desse colaborador a partir da escuta ativa”, afirma Edgar. Entre as ações apresentadas, ele citou o acompanhamento por meio de um termômetro emocional e oficinas voltadas ao bem-estar dos trabalhadores, além de iniciativas de análise postural e das condições de iluminação.
Edgar também anunciou a previsão de uma nova maratona de inovação em saúde e de um mapeamento do ecossistema de saúde, em parceria com o Observatório da Indústria. A proposta é identificar desafios no Maranhão e subsidiar o desenvolvimento de soluções específicas para o setor.
A relação entre demandas públicas, universidades e mercado foi abordada por Luiz Vinícius, assessor de inovação da Secretaria Municipal de Inovação, Sustentabilidade e Projetos Especiais de São Luís (SEMISPE). Ele destacou a contribuição da comunidade acadêmica para enfrentar problemas da cidade e apresentou a organização de desafios públicos como uma oportunidade de participação para estudantes e empreendedores. “É muito importante a gente conectar o ecossistema”, afirma Luiz.
