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Sebrae fortalece inclusão socioprodutiva e projeta alcançar 2 mil pessoas em situação de vulnerabilidade no Maranhão

Ação do programa Cidade Empreendedora sinaliza impactos sociais positivos, com iniciativas empreendedoras ou geração de condições de empregabilidade

No povoado de Mangabeira, em Santa Helena (MA), vive Noélia Vieira Ferreira, de 33 anos. Mãe atípica, ela vive o desafio de cuidar de três filhos, um deles adotivo. Entre os três, um tem TOD (Transtorno Opositivo-Desafiador) associado a TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e a menina foi diagnosticada com autismo nível 1. 

Para ela e o companheiro, a rotina do dia a dia envolve cuidar das crianças, levar à escola e do lar e estar atenta ao bem-estar delas. Nessa luta, as dificuldades servem de motivação. Ela fabrica e vende doces e salgados, mas já trabalhou em um restaurante, fornecendo esses produtos. Hoje, tira da atividade boa parte do sustento, além de estímulo para uma vida melhor.

Noélia pertence a um grupo de mulheres que são o público-alvo do Sebrae com a expansão da atuação no programa Cidade Empreendedora no estado, por meio de uma estratégia voltada à inclusão socioprodutiva, que foi incorporada como um eixo próprio do projeto. A iniciativa busca promover a emancipação socioeconômica de famílias e das mulheres, articulando políticas públicas municipais, focadas na capacitação, qualificação profissional, empreendedorismo e geração de renda, alcançando 106 municípios maranhenses.

As ações combinam desenvolvimento humano, capacitação técnica, empreendedorismo e inserção produtiva. No caso de Noélia, que vende seus doces e salgados na própria residência e “onde mais tiver encomendas”, ajuda a gerar mudanças pessoais e contribui para inserção no mercado, consolidando o empreendedorismo como vetor de transformação social. 

Para o superintendente do Sebrae no Maranhão, Albertino Leal, “essa estratégia fortalece a gestão pública no atendimento ao cidadão, especialmente públicos historicamente mais vulneráveis; mas também tem impactos na geração de renda e melhoria da autoestima dos participantes, a partir do empreendedorismo”. “Essa ação vai muito além da capacitação. É um movimento de transformação e conquista de independência, que tem o empreendedorismo como base para gerar oportunidades e sustentar sonhos”, completou ele. 

Estratégia transformadora

O eixo de Inclusão Socioprodutiva do Cidade Empreendedora atua em quatro frentes: com o Diagnóstico de Inclusão Produtiva; a implantação dos Planos Municipais de Inclusão Produtiva; o projeto Força Mulher e a Metodologia das 3 Fases.

O Diagnóstico funciona como uma radiografia socioeconômica dos municípios. Nesta etapa, é identificado o perfil das famílias vulneráveis, são mapeadas políticas públicas existentes e avaliada a estrutura das redes de proteção social como base para as ações voltadas à inserção produtiva e geração de renda. A partir daí, é implantado o Plano Municipal de Inclusão Produtiva, que orienta a gestão local quanto à definição de metas, responsabilidades e estratégias para qualificar os serviços ofertados ao cidadão, fortalecendo ainda a articulação com organizações da sociedade civil e parceiros locais.

Força Mulher se destaca como estratégia de ação ao público feminino

Já no atendimento direto à população, duas metodologias concentram as ações do eixo: o Força Mulher e a Metodologia das 3 Fases. Com o Força Mulher, prioriza-se o protagonismo de mulheres como Noélia, a partir de um dado relevante: aproximadamente 90% dos responsáveis familiares inscritos no Cadastro Único são mulheres. A metodologia trabalha o fortalecimento da autoestima, o desenvolvimento socioemocional, a qualificação profissional e o acesso ao mercado, buscando ampliar a autonomia econômica e a capacidade de geração de renda dessas participantes.

Noélia, que participa da capacitação oferecida em Turilândia, se emociona ao falar das descobertas ao concluir o programa. “Nas palestras e atividades, descobri minha força e aprendi coisas novas. Mudei meu jeito de pensar, de fazer os produtos, aprendi a aceitar críticas construtivas e seguir a vida para frente. Estou aprendendo sobre precificação e como vender pelas redes sociais”, conta ela, comemorando o resultado do Dia das Mães, que trouxe um lucro de quase R$ 600 reais. 

Ela explica que, aos poucos, vem conquistando muitos sonhos. Dois anos atrás, conseguiu comprar uma moto e agora, já vislumbra um futuro melhor. “Do que ganhei no Dia das Mães, separei uma parte para reinvestir e a outra comprei material para o telhado de minha casa”, diz a empreendedora. 

A mudança veio com o Programa Força Mulher. “Trata-se de espaço de acolhimento, aprendizado e oportunidades, incentivando mulheres a acreditarem no seu potencial, desenvolverem novas habilidades e construírem caminhos mais fortes e prósperos, com coragem e determinação”, explica o analista do Sebrae e gestor estadual da iniciativa, Carlos Vitor Barros.

Ele destaca outra solução voltada para o público vulnerável, que é a Metodologia das 3 Fases, direcionada ao desenvolvimento integral dos beneficiários e rompimento dos ciclos de pobreza por meio de três etapas complementares: desenvolvimento humano, com foco em competências socioemocionais; capacitação profissional associada à formação empreendedora; e geração de renda, com acompanhamento e mentorias voltadas à sustentabilidade dos empreendimentos e à inserção produtiva.

As ações do eixo de Inclusão Socioprodutiva iniciaram-se em 2025, enquanto as primeiras turmas do Força Mulher e da Metodologia das 3 Fases tiveram início em abril deste ano. Atualmente, diversas cidades já avançaram para a etapa de qualificação profissional. Para operacionalizar a iniciativa, o Sebrae mobiliza uma rede com mais de 30 consultores especializados que percorrem diferentes regiões do Maranhão levando as ações aos municípios. 

O eixo de Inclusão Socioprodutiva conta com a parceria do Senai, que executa as oficinas profissionalizantes nos municípios contemplados pelo eixo. Parte do Força Mulher e da  Metodologia das 3 Fases, essas ações incluem acolhimento social, qualificação técnica, formação empreendedora, acesso a mercado e atividades de inspiração e mobilização.

“Meu maior sonho é abrir minha lanchonete e vender meus produtos para mais pessoas. Para outras mulheres, que têm esses mesmos sonhos, eu posso dizer para não terem medo e lutar sempre até vencer onde Deus permitir, porque sonhar não tem preço”, conclui Noélia. 

Resultados que geram impacto e dignidade

Além dos resultados econômicos, os primeiros resultados do eixo de Inclusão Socioprodutiva sinalizam transformações sociais profundas, geradas pelo programa Cidade Empreendedora. Hoje, o programa chega a 96 municípios, numa parceria com o Governo do Estado, ou na modalidade de contratação direta, onde são atendidos 36 municípios, em parceria com as prefeituras locais.