Quase 10 mil novos casos de câncer por ano no Maranhão acendem alerta para prevenção
Especialistas apontam que até metade dos diagnósticos pode ser evitada com mudanças no estilo de vida e reforçam a importância do diagnóstico precoce.
O Maranhão deve registrar cerca de 9.630 novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. A projeção integra a publicação “Estimativa 2026: Incidência de Câncer no Brasil”, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), e indica uma taxa de 119 diagnósticos para cada 100 mil habitantes, excluindo tumores de pele não melanoma. Em três anos, o volume pode ultrapassar 28 mil casos no estado.
O dado reforça a dimensão do problema de saúde pública e chama atenção para fatores que podem ser evitados. Parte expressiva dos casos está relacionada a hábitos de vida, o que coloca a prevenção como estratégia central para reduzir tanto a incidência quanto a mortalidade pela doença.
De acordo com a médica Patrícia Lima, da pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica São Luís, os números exigem uma mudança de comportamento em nível individual e coletivo. “A estimativa de 119 casos para 100 mil habitantes no Maranhão é preocupante. Segundo a Organização Mundial da Saúde e o Inca, aproximadamente 30% a 50% de todos os casos de câncer podem ser prevenidos. A prevenção primária através de políticas de incentivo à mudança de estilo de vida poderia reduzir os casos de câncer e as mortes pela doença”, afirma.
Entre os principais fatores modificáveis está a prática de atividade física. De acordo com o Inca, manter-se fisicamente ativo contribui para a proteção contra o câncer, ajudando a regular hormônios, fortalecer o sistema imunológico e manter o peso corporal adequado, fatores diretamente associados à redução do risco de tumores como os de intestino, mama e endométrio.
A alimentação também exerce papel decisivo nesse processo. O próprio Inca reúne evidências científicas que associam a má alimentação, o excesso de peso corporal e a inatividade física ao aumento do risco de câncer, destacando que esses fatores ainda são subestimados pela população.
Na prática clínica, esses fatores se somam. Patrícia Lima explica que os ultraprocessados possuem alta densidade de açúcar, gorduras e aditivos químicos que podem favorecer o aparecimento de alguns tipos de câncer. Já a obesidade altera hormônios e produz substâncias inflamatórias, criando um ambiente metabólico que, associado ao excesso de insulina, estimula vias de sinalização celular que favorecem a proliferação descontrolada de células, mecanismo central no surgimento de tumores.
O impacto de álcool e tabaco também é direto e bem estabelecido. Ambos são classificados como carcinógenos e estão associados a diferentes tipos de câncer. O tabaco contém mais de 70 substâncias comprovadamente cancerígenas, enquanto o álcool, ao ser metabolizado, transforma-se em uma substância tóxica que favorece a proliferação de células cancerígenas, principalmente em órgãos do trato gastrointestinal e no fígado.
Além dos fatores mais conhecidos, aspectos ligados à rotina têm ganhado relevância. “A privação de sono interrompe o ritmo circadiano e reduz a produção de melatonina, um hormônio com propriedades antioxidantes. O estresse crônico aumenta os níveis de cortisol e adrenalina, o que suprime a atividade das células de defesa, responsáveis por vigiar e destruir células tumorais iniciais. Esse desequilíbrio cria um terreno biológico mais vulnerável ao desenvolvimento e progressão de neoplasias”, explica a médica.
A combinação desses fatores ajuda a entender por que o câncer muitas vezes se desenvolve de forma silenciosa. A ausência de sintomas nas fases iniciais dificulta a percepção do problema e, em muitos casos, o diagnóstico ocorre quando a doença já está avançada.
“O câncer é uma doença silenciosa em suas fases iniciais; quando os sintomas aparecem, muitas vezes o tumor já atingiu estágios avançados. O diagnóstico precoce permite a identificação da doença na fase inicial, onde as taxas de cura podem ultrapassar 90% para diversos tipos de tumores”, destaca a
médica da pós-graduação em nutrologia da Afya Educação Médica São Luís.
Por isso, o acompanhamento regular da saúde ganha papel decisivo. Exames de rastreamento, como mamografia, colonoscopia e preventivos, permitem identificar alterações antes da evolução da doença, ampliando as chances de tratamento eficaz e menos invasivo.
A redução dos riscos passa por um conjunto de medidas integradas e contínuas. “Adotar uma dieta baseada em comida de verdade, evitar excesso de açúcar, gorduras, ultraprocessados, consumir mais alimentos naturais ricos em fibras; realizar pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física moderada por semana. Cessação do tabagismo, limitar consumo de álcool, higiene do sono são cruciais. Controle de gordura corporal, principalmente a visceral. E, por fim, manter os exames de rastreio em dia”.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades com pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. O grupo conta com 3.768 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e, nos últimos 25 anos, já formou mais de 24 mil alunos.
Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers.
Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023).
Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 – Saúde e Bem-Estar.
Mais informações em: educacaomedica.afya.com.br/ e ir.afya.com.br.
