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Projetos acústicos precisam ser estudados e personalizados

Projetos acústicos precisam ser estudados e personalizados para que a retenção do ruído sonoro seja adequada, especialmente em igrejas, e a vizinhança não seja impactada, alertam dados da Associação Brasileira para a Qualidade Acústica. Templos em que a experiência religiosa privilegia o silêncio, como a meditação, ou a combinação de sons, como instrumentos e fala humana, necessitam de acústica eficiente. Os rituais precisam respeitar a privacidade, o sossego das residências ao redor e atender às recomendações da ABNT NBR 10152.

Carlos Eduardo Bertachi, engenheiro especializado em acústica, afirma que os locais de adoração precisam levar em conta a acústica como um fator que vai além da estética ou do conforto. Destaca que o projeto acústico para igreja é o principal responsável pelo bom funcionamento das atividades no local e deve levar em conta necessidades específicas da arquitetura. “Um especialista é fundamental para tomar decisões baseadas na estrutura existente e nas demandas sonoras do local”, acrescenta.

De acordo com o especialista, o forro de igreja precisa ter isolamento acústico que auxilia na atenuação de ruídos externos e internos e com melhoria da inteligibilidade do som. Assim, não somente a escolha do material do forro se torna importante, como a execução correta do projeto também. Para o engenheiro, a instalação do forro precisa ser feita por profissionais qualificados, que saibam não comprometer a segurança nem a integridade estrutural do edifício.  

Bertachi afirma que, com o som mais limpo e sem reverberações indesejadas, o ambiente se torna ainda mais propício para orações e sermões. Complementa que “há uma sensível melhoria na comunicação dentro do espaço, pois a palavra falada ou cantada não é perdida ou distorcida entre as paredes e o teto”. O projeto bem orquestrado garante ao ambiente qualidade sonora nos eventos e conforto auditivo aos frequentadores.

O engenheiro destaca que os designs modernos dos forros acústicos também têm o potencial de aprimorar o aspecto visual das igrejas ao combinar, de forma harmoniosa, funcionalidade e estética. O projeto bem estudado e personalizado pode garantir outros aspetos que contribuem para a sua eficiência, como boa iluminação ao edifício e ainda reduzir a temperatura média em todo o espaço.

Carlos Eduardo Bertachi indica que o forro deve ser resistente a eventuais gotejamentos do telhado, e o seu material deve ser incombustível, contendo laudos probatórios. O profissional ainda explica que todo forro deve ter eficiência acústica estipulada pelo Coeficiente de Redução de Ruído (NRC em inglês). No caso das igrejas, o parâmetro deve ser superior a 0,8. 

“Considerando esses aspectos, é preciso refletir sobre a possibilidade de se trabalhar com uma empresa que tenha experiência comprovada na área de tratamento acústico para igrejas”, acrescenta o engenheiro especializado em acústica. 

Atenção histórica à acústica nos templos 

Arquitetos ouvidos pela Associação Brasileira para a Qualidade Acústica explicam que o som e o silêncio sempre foram essenciais às experiências religiosas. Ritmos, cantos e pregações sempre moldaram emoções e sensações espirituais no interior dos templos. Na história desses ambientes, a acústica não era apenas técnica, mas parte das vivências rituais e da construção simbólica do sagrado.

De acordo com os especialistas em acústica, as arquiteturas antigas, inspiradas em estilos românico, gótico e barroco, priorizavam o significado místico e político sobre a inteligibilidade da fala. Nessas estruturas, usadas para liturgias em latim, a oratória clara para a congregação não era o foco, e os tempos de reverberação frequentemente eram muito longos.

A evolução das práticas religiosas e do uso musical nos templos ao longo dos séculos exigiu uma nova atenção acústica, segundo os entrevistados. A introdução da música popular religiosa e de equipamentos eletrificados no século XX acabou revelando que muitos espaços históricos não estavam preparados para as necessidades sonoras modernas.

Conforme os arquitetos, nos dias de hoje, a acústica em templos considera normas técnicas e prioriza o conforto. Assim, os responsáveis pelos ambientes tiveram que buscar maneiras de equilibrar a reverberação da palavra falada e da música com as exigências de silêncio e privacidade. 

Explicam que essa adaptação reflete tanto em mudanças nos rituais quanto na necessidade de se respeitar o entorno urbano e a experiência dos fiéis. Citam ainda a ABNT NBR 10152 como parâmetro técnico que define níveis aceitáveis de ruído e serve como base para projetos acústicos em templos inseridos nas regiões residenciais dos municípios.