Projeto Circuito Cultural SESI transforma tradição em aprendizado
Estudantes conheceram processos de criação e preservação
SÃO LUÍS– Conhecer o Bumba Meu Boi para além dos arraiais foi uma das experiências vividas por estudantes durante o encerramento da etapa do Circuito Cultural SESI, realizada no SESI Casarão, em São Luís. Depois de três dias de oficinas, música, dança e atividades educativas, os participantes, entre crianças e adolescentes, visitaram a sede do Boi da Floresta, no bairro da Liberdade.
A proposta foi aproximar o público infanto-juvenil de manifestações que fazem parte da identidade do Maranhão, mostrando que, em uma apresentação, existem história, trabalho, religiosidade, saberes e pessoas responsáveis pela continuidade dessas tradições.
Para Rayana da Silva Lima, 16 anos, estudante do 1º ano do Ensino Médio da Escola SESI São Luís, a experiência ampliou seu olhar sobre a cultura local. “Eu já conhecia o Bumba Meu Boi, mas participar das atividades e conhecer de perto quem mantém essa tradição fez diferença. Percebi que cada manifestação reúne história, com conhecimentos e costumes que passam de uma geração para outra. Foi uma experiência que me fez valorizar ainda mais a nossa cultura”.
Fábio Henrique Botti Taborda Macedo, 14 anos, aluno do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola SESI São Luís, participou da oficina de dança. Para ele, a atividade ajudou a compreender melhor uma manifestação que já fazia parte de seu repertório. “Eu já conhecia o sotaque da Baixada, mas a oficina mostrou coisas que ainda não sabia. Foi muito divertido aprender os movimentos e entender melhor a nossa cultura. Gostei muito de poder participar e conhecer esse universo de perto”.
CULTURA COMO APRENDIZAGEM – Para a assessora de Cultura do SESI Casarão, Letícia Martins, a iniciativa busca aproximar os estudantes do patrimônio maranhense por meio de experiências que ultrapassam o contato com apresentações artísticas.“O Circuito Cultural procura criar uma aproximação verdadeira entre os estudantes e o patrimônio cultural. Mais do que apresentar uma manifestação, queremos que eles conheçam sua história, seus saberes, seus personagens e os processos que mantêm essas tradições vivas. Quando entram em contato com quem produz a cultura, os jovens percebem que cada expressão artística envolve conhecimento, trabalho e identidade”.
Na sede do Boi da Floresta, os participantes conheceram parte do processo de construção da manifestação. Coordenadora da agremiação, Nadir Cruz, participa do grupo desde criança e acompanha também o envolvimento de suas duas filhas.
Segundo ela, a vivência ajuda a romper uma visão limitada do Bumba Meu Boi, muitas vezes associada apenas aos festejos juninos. “Muitas vezes, o estudante conhece o Bumba Meu Boi apenas quando assiste a uma apresentação no arraial. Aqui, ele percebe o que existe antes daquele momento: os ensaios, os bordados, a música, a dança, os instrumentos e todo o trabalho realizado pelas pessoas que fazem a brincadeira acontecer”.
Nadir também chama atenção para a dimensão social e econômica da manifestação, que envolve profissionais de diferentes áreas, como costureiras, bordadeiras, marceneiros, ferreiros, eletricistas, músicos e coreógrafos. “O Bumba Meu Boi é resistência, mas também é oportunidade. Um jovem pode aprender um ofício, desenvolver uma habilidade artística e encontrar uma profissão. Existe uma cadeia produtiva muito grande por trás dessa manifestação. A cultura movimenta pessoas, gera renda e cria vínculos dentro da comunidade”.
MEMÓRIA E EDUCAÇÃO – A programação contou ainda com estudantes da Escola Comunitária Casulo, localizada no bairro João de Deus. Alunos do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental da escola participaram das atividades com apoio da Retífica Atual, empresa do segmento de reparação automotiva.
De acordo com o coordenador pedagógico da instituição, Oni Fadaka, o contato com manifestações populares amplia o conhecimento trabalhado em sala de aula. “A parceria com o SESI possibilita que nossos alunos tenham contato com atividades culturais que ampliam aquilo que trabalhamos na escola. Quando conhecem uma manifestação como o Bumba Meu Boi, eles entram em contato com a própria história e com a memória do lugar onde vivem. Isso ajuda a preservar referências culturais e mostra que esse patrimônio também pertence às novas gerações.”
Realizado pelo Serviço Social da Indústria do Maranhão (SESI-MA), com apoio do Departamento Nacional do SESI, por meio do Programa Nacional de Cultura, o Circuito Cultural SESI-MA começou em julho e já passou por São José de Ribamar, Açailândia, Rosário e Caxias.
