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Prefeitura de São Luís celebra Dia Municipal dos Blocos Tradicionais com cortejo no Centro Histórico

Celebrando o Dia Municipal dos Blocos Tradicionais, a Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), em parceria com a Associação Maranhense de Blocos Carnavalescos (AMBC) e a Academia de Mestres de Blocos Tradicionais do Maranhão (ABTMA), realizou, na noite desta sexta-feira (8), uma grande festa com cortejo de blocos tradicionais que saíram da Praça das Mercês até o Espaço Humberto de Maracanã, localizado no Complexo Trapiche Santo Ângelo. O Dia dos Blocos Tradicionais ocorre desde a promulgação da Lei Municipal nº 4.698/2006, que instituiu o dia 8 de maio para celebrar a manifestação cultural.

“Os blocos tradicionais têm um toque, uma batucada, instrumentos próprios, muito específicos, além de fantasias peculiares com esse luxo que eram os Carnavais dos grandes bailes de antigamente, mas que hoje é a cara da nossa cultura popular. Por isso, o Dia Municipal dos Blocos Tradicionais é um dia tão importante, pois é um reconhecimento a todas essas pessoas que levam, por meio dessa manifestação, o nome da nossa cidade, do nosso Carnaval para fora das fronteiras do estado e até mesmo do país”, enfatizou a prefeita de São Luís, Esmênia Miranda.

A programação foi aberta com show da Banda Formação Tradicional, que apresentou um repertório dedicado aos clássicos e à musicalidade da manifestação cultural. Logo em seguida, foi a vez dos blocos tradicionais fazerem a festa.

“Os blocos tradicionais têm uma luta significativa. Uma importante manifestação cultural, que tem um toque que é só nosso e que precisamos valorizar cada vez mais. Por isso, esse momento é de consagração e de luta”, declarou a secretária Municipal de Cultura, Sheury Manuela Neves.

Na oportunidade, o diretor de comunicação da Associação Maranhense de Blocos Carnavalescos (AMBC), professor Adriel Santos, reforçou a singularidade dos blocos tradicionais e a importância do diálogo.

“O bloco tradicional é único. Ele é a história e identidade do nosso povo. Essa identidade é tão nossa, pertencente, que aqui hoje não se fazem presentes só blocos tradicionais, se fazem presentes famílias, comunidades, territórios. E a cultura se faz com comunicação, com diálogo e com respeito a todos os pares que estão nos territórios”, declarou Adriel Santos.

Maria Luiza Souza Reis é de Ouro Preto (MG) e está em São Luís de férias com a família, aproveitando para comemorar o Dia das Mães. “Estou achando incrível. Foi uma surpresa muito bonita. Eu sou foliã, adoro Carnaval. A gente estava procurando alguma manifestação cultural, falaram de tambor de crioula, reggae e, na hora que a gente encontrou os blocos, foi uma surpresa muito agradável. Porque foi um presente da cidade para a gente”, afirmou a Maria Luiza.

Participaram do evento os blocos Os Gigantes, Os Diplomáticos, Os Guardiões do Ritmo, Os Gaviões do Ritmo, Os Fanáticos, Alegria do Ritmo, Os Lobos, Magnatas Show, Companhia do Ritmo, Os Diferenciados, Falcão de Prata, Os Reis da Liberdade, Os Gladiadores, Os Tradicionais do Ritmo, Renovação do Ritmo, Dragões da Liberdade, Show Feras, APAE, Os Baratas, Os Versáteis, Vinagreira Show, Os Guerreiros, Os Trapalhões, Os Brasinhas, Os Originais do Ritmo, Príncipe de Roma, Os Foliões, Os Tropicais do Ritmo, Kambalacho do Ritmo, Os Tremendões, Os Coringas, Os Vampiros, Os Apaixonados, Os Indomáveis Show, Os Fenomenais e Os Vingadores.

História e tradição

O Dia dos Blocos Tradicionais é comemorado no dia 8 de maio, em homenagem ao mestre Walmir Moraes Corrêa, fundador do bloco tradicional Os Foliões, que nasceu neste mesmo dia. Mestre Walmir é considerado uma grande personalidade do Carnaval maranhense e faleceu em 27 de junho de 2010. 

“Esse dia é fruto de uma lei e é uma data muito importante para nós, pois também é a data em que é o aniversário do Mestre Valmir. O Bloco Tradicional é a maior representatividade da cultura popular de São Luís do Maranhão, quando se fala em Carnaval. E essa data tem que ser sim, celebrada, fomentada e divulgada”, afirmou Danielson Menezes, presidente do bloco Os Tropicais do Ritmo.

Os blocos tradicionais surgiram entre as camadas mais elitizadas de São Luís e, ao longo das décadas, tornaram-se uma manifestação popular fortemente ligada aos bairros periféricos da capital maranhense, sendo preservados e mantidos por diversas famílias. Essa expressão cultural é um dos mais importantes símbolos da identidade ludovicense que anima o Carnaval de São Luís, há mais de um século, sendo perpetuado entre gerações.

Tássia Cristina Almeida Araújo, integrante do bloco tradicional Os Tremendões e tia da pequena Yohanna Vitória, de apenas um ano e oito meses e que compareceu à festa caracterizada com a fantasia do Bloco Tradicional, falou da importância de manter a cultura viva sendo passada de tradição em tradição, apresentando e incentivando isso nas crianças desde cedo.

“É uma emoção muito grande ver a tradição do bloco tradicional passando de geração em geração. Eu já saio no bloco desde que tinha um ano. Agora estamos passando isso para minha sobrinha. A tradição está no sangue”, enfatizou Tássia Cristina.

Os ritmos característicos dos blocos tradicionais nasceram da fusão de sons produzidos por instrumentos como tambores contratempo, retintas, cabaças, reco-recos, agogôs, ganzás, maracás, rocas, apitos e afoxés. Com o passar do tempo, também foram incorporados instrumentos de corda, como banjo, violão e cavaquinho, ampliando as possibilidades sonoras e dando origem a diferentes estilos musicais dentro da manifestação.

Anualmente, os blocos tradicionais participam dos desfiles dos grupos A e B, que integram a programação oficial do Carnaval de São Luís, promovido pela Prefeitura de São Luís, por meio da Secult.