Planejamento acadêmico: saúde e cognição no ensino superior
O início do semestre letivo é um dos momentos mais aguardados pelos estudantes universitários. Novas matérias, novos projetos e um passo a mais rumo à formação e ao ingresso no mercado de trabalho.
Muitos estudantes concentram seus esforços na renovação de materiais de estudo, como canetas, livros, cadernos, etc. Embora seja muito importante manter os materiais renovados, essa é apenas uma das facetas da preparação para um semestre produtivo. A manutenção preventiva da saúde e da cognição é tão importante quanto o material didático, afinal, cuidar do corpo e da mente garante que o aprendizado seja mais eficiente e menos desgastante.
Visão e cognição: os pilares invisíveis da retenção de conteúdo
Boa parte do ensino superior se dá pelo mergulho na leitura intensa de textos densos e aprofundados de cada matéria, seja em livros, artigos ou textos digitais. Justamente por passar longas horas lendo, a visão do estudante universitário pode ser prejudicada se não houver cuidados preventivos.
A movimentação dos olhos, a coordenação binocular e o foco prolongado em objetos próximos podem “cansar” ao longo do tempo e causar fadiga, tontura e dores de cabeça, transformando o processo de aprendizado em algo lento e desestimulante.
Outras condições clínicas, como miopia, astigmatismo, hipermetropia, estrabismo, etc., também podem impactar profundamente a eficiência do aprendizado, tanto em crianças quanto em adultos, o que reforça a importância de realizar, pelo menos uma vez ao ano, um check-up completo da saúde ocular.
Quando detectada qualquer condição, o oftalmologista pode recomendar o uso de óculos, lentes de contato ou procedimentos corretivos, para que o ato da leitura não seja desconfortável.
Check-ups laboratoriais e energia para estudar
Depois dos olhos, é hora de tratar da saúde do corpo. É comum, devido à rotina corrida, que estudantes estejam em déficit de micronutrientes, vitaminas e até certos desequilíbrios hormonais. A falta desses elementos pode resultar em cansaço crônico, dificuldade de concentração, insônia, falta de energia e irritabilidade.
Para contornar esse quadro, o ideal é fazer exames laboratoriais de rotina, como hemograma, dosagem de ferro, saúde da tireoide e testes hormonais, para detectar quais são as deficiências e dosar mudanças de alimentação ou suplementação para suprir essas condições.
Aliado aos exames laboratoriais, é muito importante manter a higiene do sono em dia, para que cada noite resulte em descanso completo e energia renovada para o dia seguinte. Evitar telas pelo menos uma hora antes de dormir, manter o ambiente escuro, comer uma refeição leve durante a noite e revisar a qualidade de travesseiros e colchões também ajudam a manter o sono na melhor qualidade possível.
O impacto da nutrição na performance intelectual e na memória
Uma dieta balanceada promove os chamados “blocos de construção” para a saúde do cérebro. Os principais componentes para a saúde cognitiva advindos da alimentação são os seguintes.
Proteínas: são responsáveis pela construção dos neurotransmissores, obtidas principalmente em carnes magras, nozes, ovos e laticínios
Colina: este composto encontrado em ovos, brócolis e fígado é um nutriente importante para a produção de acetilcolina, neurotransmissor responsável por memória e foco mais ágeis.
- Ômega 3 DHA: também chamado de gordura estrutural, um dos benefícios do ômega 3 é sua capacidade de construir as membranas dos neurônios. Elas são responsáveis pela comunicação entre cada neurônio, além de manter o foco e preservar a memória. O ômega 3 pode ser obtido em peixes gordurosos (salmão, atum, sardinha), ovos e suplementos concentrados.
Minerais como ferro, zinco e magnésio: auxiliam no transporte de oxigênio para o cérebro, na neuroplasticidade cerebral e na estrutura neural. São encontrados em maior concentração em castanhas, sementes, frutos-do-mar, espinafre e carnes vermelhas.
- Complexo B: um dos complexos vitamínicos mais importantes, participa da formação de novas células cerebrais (neurogênese) e da produção de energia, além de reduzir a homocisteína, um aminoácido que, quando possui altas concentrações, aumenta as chances de doenças cardiovasculares. O complexo B é encontrado em folhas verde-escuras, ovos, carnes e grãos integrais.
Vale lembrar que muitos dos nutrientes citados podem ser ingeridos em forma de suplementos vitamínicos, mas seu consumo deve ser acompanhado por um nutricionista para ajustar as dosagens.
