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Onda de calor: Brasil se torna segundo maior fabricante de ar-condicionado

O aquecimento global e as altas temperaturas registradas nos últimos anos no Brasil têm impulsionado mudanças profundas no mercado de climatização. Em 2024, foram produzidas 5,9 milhões de unidades de ar-condicionado no país, um crescimento de 38% em relação a 2023, número recorde que alçou o Brasil à segunda posição global na fabricação desse equipamento, atrás apenas da China. Os dados têm como base informações divulgadas pela Agência Brasil.

O desempenho do setor eletroeletrônico no ano foi fortemente positivo. A produção total do segmento cresceu 29%, com 117,7 milhões de aparelhos fabricados, segundo dados da associação que representa os fabricantes. A combinação de clima quente, renda em leve melhora e crédito acessível fez com que a demanda por ar-condicionado aumentasse de forma significativa, levando a indústria a acelerar sua capacidade produtiva.

O que explica a expansão

A expansão da produção está atrelada a dois fatores principais. O primeiro é meteorológico: as ondas de calor cada vez mais frequentes no Brasil fazem crescer a procura por equipamentos de climatização em residências e comércios. O segundo é econômico e social: o aumento da renda, dívida controlada e acesso ao crédito parcelado facilitam a compra, inclusive em grandes centros urbanos e regiões mais quentes, onde o ar-condicionado passou a ser visto como item essencial.

Impactos para a indústria e para o consumidor

Para a indústria nacional, a retomada de pedidos e a elevação na produção representam ampliação da cadeia produtiva de eletroeletrônicos, manutenção ou geração de empregos e maior participação no mercado global de climatização. A colocação entre os maiores produtores mundiais indica que o segmento pode se tornar estratégico para exportações e comércio internacional.

Para famílias e consumidores, a maior oferta tende a reduzir o custo dos aparelhos e facilitar o acesso, especialmente em regiões de calor intenso, onde a instalação de ar-condicionado pode melhorar a qualidade de vida durante os períodos mais quentes.

Desafios e atenção à eficiência energética

Apesar do crescimento expressivo, o aumento do uso de ar-condicionadores traz desafios que precisam ser observados. A maior demanda por energia elétrica pode sobrecarregar a rede e elevar custos para consumidores e distribuidoras. No contexto das mudanças climáticas e da busca por sustentabilidade, o impacto ambiental desse consumo energético também é um ponto de atenção, especialmente em regiões com uso intenso no verão.

Perspectivas para 2026

Caso a combinação entre calor, demanda crescente e melhora econômica se mantenha, a expectativa é de que a produção e venda de aparelhos de ar-condicionado continuem em alta. Para se ajustar a esse cenário, a indústria deve investir em inovação, com modelos mais eficientes e de menor consumo energético ganhando espaço no mercado.

Sob esse contexto, o Brasil consolida sua nova posição na indústria global de climatização, impulsionado tanto pelo clima quanto pela dinâmica econômica do país.