Mês da Mulher é colorido por amarelo e lilás

Dedicado à celebração do Dia da Mulher, março também ganhou representatividade ao acolher as campanhas Março Lilás e Março Amarelo, de conscientização sobre os cuidados com o câncer de colo de útero e endometriose, respectivamente. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a endometriose afeta cerca de 10% da população feminina brasileira, sendo mais frequente entre mulheres de 25 a 35 anos. A doença é causada por uma infecção ou lesão decorrente do acúmulo, em outras partes do corpo, das células que recobrem a parte interna do útero (o endométrio) e que são eliminadas com a menstruação. 

A ginecologista e obstetra Luciana dos Anjos participou de uma live promovida pelo Órion Complex que integra o Especial Órion FOR HER, série de entrevistas virtuais ao vivo para celebrar o mês da mulher. Na oportunidade ela destacou que a endometriose acontece apenas em mulheres com idade fértil. “Crianças não têm e após a menopausa também não terá. O correto é a menstruação se formar no útero e escorrer pela vagina. Porém, quando as células crescem em outros lugares, como bexiga e intestino, não tem para onde o sangue escorrer. Ele vai irritar o lugar, causando dor”, explica.

O principal sintoma que as mulheres devem observar para suspeitar desse problema é a dor. “É uma dor cíclica, que piora com a menstruação. É como se fosse uma cólica com uma piora progressiva, pois com o tempo vai aumentando. Essa dor também pode aparecer na relação sexual. Quando a endometriose atinge a bexiga, a mulher pode ter dor ao urinar durante o período menstrual. Se atinge o intestino, pode ter sangramento anal junto com as evacuações e dor. É preciso entender que nenhuma dor é normal, deve-se sempre procurar um médico para avaliar”, salienta a ginecologista.

Luciana dos Anjos revelou ainda que um problema causado pela doença é a infertilidade. “Cerca de 50% das pacientes que têm endometriose têm infertilidade. E isso é preocupante, pois as mulheres estão deixando para engravidar mais tarde. Se o problema é descoberto com 35 ou 36 anos, além de ter uma reserva ovariana diminuída pela idade, também terá essa reserva diminuída pela endometriose. Se a mulher tiver infertilidade, temos a opção de reprodução assistida, para aumentar a chance de engravidar”, ressalta.

Para a doença, o tratamento pode ser com remédios ou cirurgia. “O tratamento é difícil e multidisciplinar, pois atinge diferentes órgãos. Ele pode ser medicamentoso, por exemplo, para bloquear ovário e não deixar a mulher menstruar, e se a paciente tiver lesões importantes existe a cirurgia”, conta a médica, que reforça a importância de um diagnóstico precoce. A endometriose é uma doença evolutiva, se descobrir cedo é melhor”, afirma.

Março lilás
Durante a live Especial Órion FOR HER, Luciana dos Anjos também falou sobre a alta incidência do câncer de colo uterino entre as brasileiras, fato que tornou março também lilás, para a conscientização do câncer de colo de útero. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que para este ano sejam diagnosticados 16.590 novos casos de câncer de colo do útero no Brasil. Em 2020, ele foi o terceiro mais frequente entre as mulheres, representando 7,5% dos casos oncológicos femininos. Em 2019, ocorreram 6.596 óbitos por esta neoplasia.

O câncer do colo do útero é caracterizado pela replicação desordenada do epitélio de revestimento do órgão, comprometendo o tecido subjacente (estroma) e podendo invadir estruturas e órgãos contíguos ou à distância. É uma doença, cujo principal causador é o Papiloma Vírus Humano (HPV), possui desenvolvimento lento, que pode cursar sem sintomas em fase inicial e evoluir para quadros de sangramento vaginal intermitente ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada com queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados.

“A vacina é a melhor prevenção da doença. Ela é gratuita para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. E o que poucos sabem é que ela também é fornecida gratuitamente para portadores do vírus HIV, pacientes transplantados de medula ou órgãos sólidos e pacientes oncológicos de 9 a 26 anos”, ressalta a médica, que também falou sobre o preconceito enfrentado quando a vacina chegou. “Houve muita informação equivocada e desinformação. Por isso, os pais não quiseram vacinar. Depois veio ainda o tabu de se falar sobre sexualidade com a criança, junto com o receio de estimular o início precoce da vida sexual, o que a vacina não causa”, salienta sobre importância do diálogo.

Antes do encerramento da live, Luciana dos Anjos, que atende no centro clínico do Órion Complex, ainda falou sobre o melhor momento para começar a levar as filhas ao ginecologista e também respondeu a perguntas daqueles que estavam assistindo a transmissão ao vivo, falando sobre cuidados antes de se engravidar, parto normal ou cesariana e menopausa. A série de entrevistas virtuais está acontecendo todas as segundas-feiras, às 20 horas, no canal do Órion Complex no Instagram.