Mercado de automação de varejo bate US$ 13,5 bilhões no mundo; quais as inovações do setor?
Um levantamento recente aponta que o mercado mundial de automação de varejo já movimenta US$ 13,5 bilhões, refletindo a adoção crescente de inteligência artificial, internet das coisas (IoT) e experiências imersivas como realidade aumentada dentro das lojas físicas.
Os dados do Statista também mostram que, nos últimos anos, empresas do setor de tecnologia para varejo captaram cerca de US$ 300 bilhões em investimentos, com a maior parte concentrada na Ásia e na América do Norte, regiões que despontam como epicentros da corrida tecnológica do varejo.
Para especialistas do setor, o movimento não é apenas uma tendência passageira, mas uma resposta estrutural para o mercado nacional.
Com margens cada vez mais apertadas, consumidores mais exigentes e a necessidade de transformar dados em decisões de prateleira em tempo real, o CEO da Higge, Emerson Larizza, referência em trade marketing e gestão de varejo alimentar, chama a atenção para a urgência do supermercadista brasileiro acompanhar esse ritmo e reforça que o país corre o risco de ficar para trás se tratar a automação como luxo, e não como sobrevivência competitiva.
“O que foi apresentado na NRF deste ano confirma o que já vínhamos sentindo na prática. Automação deixou de ser diferencial e virou pré-requisito para sobreviver na gôndola. Quem ainda enxerga tecnologia como custo vai perder espaço para quem já entendeu que ela é motor que impulsionará o setor daqui para frente“, afirma o CEO da Higge.
Ainda de acordo com o especialista, o Brasil ainda opera com um atraso relevante em relação aos mercados asiáticos e norte-americanos, especialmente quando o assunto é o uso inteligente de dados dentro do ponto de venda.
“Boa parte da indústria e do varejo do nosso país ainda decide onde investir no PDV no feeling, sem mensurar o retorno real de cada espaço. Enquanto isso, mercados mais maduros já monetizam cada centímetro de loja com dados“, pontua.
Onde a automação pode gerar retorno
Um dos pontos mais sensíveis do debate é a subutilização de ativos físicos dentro das lojas, de ilhas promocionais a pontos de checkout, hoje negociados entre indústria e varejo sem qualquer critério técnico de precificação. A tendência para os próximos anos é que a automação e a análise de dados passem a mensurar o retorno de cada espaço de exposição com o mesmo rigor aplicado à mídia digital, transformando pontas de gôndola, ilhas promocionais e áreas de checkout em ativos comerciais rastreáveis.
O fechamento de 2025 já mostra a escala desse desafio no Brasil. Segundo o Ranking ABRAS 2026, o varejo alimentar brasileiro faturou R$ 1,145 trilhão no último ano, equivalente a 9,02% do PIB nacional, com mais de 439 mil lojas e cerca de 9 milhões de empregos diretos e indiretos. Um mercado dessa dimensão movimenta um volume expressivo de espaços de exposição ociosos ou mal precificados, o que reforça a urgência de automatizar a gestão desses ativos.
O próprio desempenho operacional do setor reforça esse cenário. O índice de eficiência operacional do varejo alimentar atingiu 98,11% no ano, com apenas 1,89% de ineficiência, resultado direto da profissionalização da gestão e do investimento crescente em tecnologia.
Para este ano, a expectativa é que esse movimento se intensifique. Projeções da Scanntech apontam um ambiente de concorrência mais acirrada, impulsionado por fatores como redução gradual dos juros e eventos de grande porte, como a Copa do Mundo e as eleições, cenário que deve pressionar ainda mais as redes a investir em automação para ganhar eficiência e capturar demanda.
Investimento em tecnologia como vantagem competitiva
No radar internacional, o mercado global de automação de varejo fechou 2025 avaliado em cerca de US$ 23,25 bilhões, com projeção de chegar a US$ 26,13 bilhões já em 2026, fortalecido por tecnologias como autoatendimento (self-checkout), sensores inteligentes e IA aplicada à reposição de estoque.
No Brasil, contudo, a adoção de inteligência artificial ainda está longe de ser realidade na maioria das empresas. Uma pesquisa da Abiacom (Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce) mostra que 72% das empresas brasileiras ainda estão em estágio iniciante ou experimental de adoção da tecnologia, o que evidencia uma janela de oportunidade competitiva para quem sair na frente, inclusive no varejo.
Para 2026, o consenso entre especialistas do setor é que inteligência artificial, automação e uso inteligente de dados devem se consolidar como pilares de competitividade, em um ambiente de concorrência mais acirrada que deve acelerar a corrida por eficiência dentro das lojas.
