Maranhão brilha nos primeiros dias do Festival SESI de Educação em SP
Escuderia Spartacus, da categoria Stem Racing, é a primeira a ir para as pistas
SÃO PAULO – Teve início na última quinta-feira (5), no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, o Festival SESI de Educação 2026. O evento, que reúne mais de 2,3 mil estudantes de todo o Brasil, conta com uma delegação de peso do Maranhão, que já começou a colher resultados positivos logo nas primeiras horas de competição.
Um dos grandes destaques do time maranhense nos primeiros dias foi a escuderia Spartacus, da Escola SESI São Luís. Competindo na modalidade STEM Racing (antiga F1 in Schools), os estudantes demonstraram precisão técnica e agilidade ao realizar a montagem completa de seu pit (estande da equipe) e, em um feito memorável, zerar o escrutínio — a rigorosa inspeção técnica da organização que avalia se o protótipo do carro e os itens de segurança seguem 100% das normas da competição. Um dos dois carros da equipe conseguiu zerar o escrutínio.
“Zerar o escrutínio” é um dos maiores desafios iniciais para qualquer escuderia de STEM Racing. Isso significa que o carro projetado pela Spartacus não recebeu nenhuma penalidade técnica, estando plenamente apto para as pistas. A equipe, que já havia conquistado o primeiro lugar na etapa regional, iniciou, nesta sexta-feira, as corridas na pista, e busca garantir uma vaga no pódio do Festival Nacional, com tempos considerados excelentes.
Maria Clara Lins, gestora de projeto social da Spartacus, contou como é atuar em uma equipe formada majoritariamente por meninos. Única mulher do grupo, ela afirma que o ambiente de trabalho é marcado pelo respeito e pelo trabalho em conjunto. Entre carros, peças e pistas de corrida — tudo inspirado na Fórmula 1 —, Maria Clara transita por diferentes áreas da equipe (engenharia, gestão, marketing, empreendedorismo), inclusive na criação da persona “Zarina”, pensada para representar a presença feminina na proposta apresentada pelo grupo.
“Essa é a minha segunda participação no Nacional. Eu atribuo à robótica e ao projeto STEM um ganho de maturidade e uma visão ampliada sobre o mercado de trabalho, experiências que me fizeram considerar a mecatrônica como carreira possível e a desenvolver competências importantes como trabalho em equipe, aceitação de críticas construtivas e apoio aos colegas”, revela Maria.
RENDEIRAS DE BILRO – O projeto social da escuderia Spartacus é voltado para rendeiras de bilro que vivem em condições precárias, muitas delas morando em palafitas sujeitas ao acúmulo de lixo e ao transbordamento de rios, o que frequentemente compromete seus trabalhos. Para enfrentar essas dificuldades, o grupo desenvolveu um equipamento capaz de transformar garrafas PET descartadas na própria comunidade em fios utilizáveis na produção artesanal. A iniciativa reduz custos de matéria-prima para as rendeiras, evita deslocamentos caros até a cidade e aproveita um resíduo abundante no entorno, criando uma solução sustentável que contribui com a economia local e preserva a tradição da renda.
Para o professor de robótica da Escola SESI São Luís e técnico da Spartacus, Luiz Fernando Lopes Silva, a trajetória e as expectativas da equipe Spartacus para a temporada são as melhores. “Relembro que iniciamos em 2019/2020, com a própria Spartacus, e a escuderia tem tido uma rápida evolução ao longo dos anos. Depois de conquistar prêmios como Espírito Esportivo e Melhor Oratória, a Spartacus ascendeu até se tornar a quarta melhor do Brasil”, contou o técnico. Luiz Fernando lembrou ainda da conquista na temporada 2023/2024, quando a equipe garantiu vaga no Open Internacional e classificou-se para o Mundial em Abu Dhabi.
FLLC e FTC –Além da escuderia da STEM Racing, o Maranhão está representado pelas equipes Unimate, Gipsy Danger e Dracarys, também da Escola SESI São Luís, na categoria FIRST LEGO League Challenge (FLLC), dos pequenos robôs de LEGO. Na manhã desta sexta, a Dracarys conseguiu obter 535 pontos na mesa de robótica e a Gispy Danger obteve 535 pontos, garantido os primeiros lugares no Festival nas rodadas iniciais da categoria, disputadas nesse primeiro dia de competição.
Já na FIRST Tech Challenge (FTC), competição de robôs maiores, de médio porte, a equipe Everest cumpre as etapas de treino e competição que iniciam esta tarde, em São Paulo. Os alunos da equipe também são da Escola SESI São Luís.
OFestival SESI de Educação segue até o dia 8 de março (domingo), com entrada gratuita ao público. O evento é considerado a maior celebração de robótica e educação STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) da América Latina, servindo como vitrine para o talento dos jovens brasileiros e porta de entrada para competições internacionais.
