O Maranhense|Noticias de São Luís e do Maranhão

CinemaPlantãoÚltimas Noticias

Longa Mercado dos Ratos, selecionado pela Lei Paulo Gustavo, encerra gravações em São Luís e inicia etapa de montagem

São Luís (MA) — O longa-metragem de ficção Mercado dos Ratos, escrito e dirigido por Tássia Dhur, concluiu as gravações realizadas na capital maranhense no último fim de semana, reunindo um grande elenco e equipe técnica. A produção agora segue para a fase de montagem, com previsão de lançamento no início de 2027.

Produzido pela Jaguatirica Filmes e co-dirigido por George Pedrosa, o filme é realizado com fomento da Lei Paulo Gustavo (LPG), por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Maranhão (SECMA), Governo do Maranhão, Ministério da Cultura e Governo Federal, e integra o conjunto de produções audiovisuais que fortalecem o cinema independente brasileiro, com foco em narrativas potentes e territorializadas.

A obra apresenta a história de Patrícia, uma artista de circo mambembe que retorna à cidade fictícia de Brava, no interior do Maranhão. Em meio às tensões de um mercado popular ameaçado por interesses políticos e econômicos, a protagonista revela uma crescente sede de destruir um poderoso empresário, conduzindo um plano silencioso que transforma o espaço em palco de justiça brutal.

“Mercado dos Ratos nasce de um lugar muito íntimo, mas também coletivo. É um filme que fala sobre estruturas de poder que atravessam os nossos territórios, sobre memória, sobre aquilo que a gente carrega mesmo quando tenta seguir em frente. A Patrícia é uma personagem que me atravessa profundamente, porque ela é movimento, é resistência, é estratégia e também é silêncio.”, revela Tássia Dhur.

Entre carne, ratos, lendas e silêncios, o mercado central se torna um território simbólico de resistência, onde passado e presente se entrelaçam em uma narrativa marcada por temas como violência estrutural, memória, desigualdade e disputa de poder.

Além da atriz Tássia Dhur, o elenco reúne nomes como Erom Cordeiro, Carol Castro, Victorio D’Alessandro, Tiago Andrade, Buda Lira, Áurea Maranhão e Daniel Haidar, compondo um conjunto de personagens que tensionam relações sociais e afetivas em um contexto atravessado por conflitos e disputas.

“Dirigir, escrever e atuar nesse projeto foi um processo intenso, de entrega total. A gente construiu esse filme com muita verdade, com uma equipe comprometida e com um olhar muito atento para o território. Minha expectativa é que o público se sinta provocado, que o filme gere incômodo, reflexão, e que também seja uma experiência sensorial, quase física.”, explicou a diretora.

A conclusão das filmagens marca o encerramento de uma etapa fundamental do projeto e dá início ao processo de pós-produção, consolidando mais uma obra que dialoga diretamente com questões sociais contemporâneas e com a valorização de histórias locais.

Foto de Izadora Gonçalves