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Judiciário encerra Encontros Regionais com debate sobre diversidade, acessibilidade e inclusão 

Iniciado em setembro de 2024, em Timon, o programa Encontros Regionais concluiu sua 12ª edição no Polo Judicial de São João dos Patos, na sexta-feira (13/3). Em pouco mais de um ano, a iniciativa alcançou 106 comarcas, 196 unidades judiciais, capacitou 772 servidores/as e magistrados/as e 106 facilitadores dos pontos de inclusão digital do Maranhão. No último dia de capacitação no polo patoense, os participantes discutiram sobre diversidade, acessibilidade, inclusão e enfrentamento à violência contra a mulher.

O dia de debates iniciou com uma explicação sobre “Atribuições da Diretoria de Segurança Institucional do TJMA no tocante à Recomendação 102/21 do CNJ” conduzida pela agente de segurança da DSI, 3º sargento Samara Cristina da Silva.

Foram apresentados os tipos, as fases e os impactos da violência doméstica para autonomia financeira, inserção social e saúde mental da mulher. A palestrante discutiu os normativos relacionados à violência doméstica como a Lei Maria da Penha, a Recomendação 102/21 e a Resolução 668/2026 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Samara compartilhou as atribuições de cada unidade do TJMA no enfrentamento à violência contra a mulher. O Poder Judiciário conta com um protocolo integrado específico para proteger magistradas, servidoras, colaboradoras e estagiárias que atuam na Justiça maranhense. O protocolo conta com análise preventiva de riscos, atendimento humanizado e sigiloso, capacitação de integrantes da Diretoria de Segurança e oferta de curso de defesa pessoal.

Segundo a palestrante, os profissionais da DSI/TJMA são treinados para identificar fatores de riscos e colocar em prática fluxograma de orientação e atendimento para casos de violência detectados, que inclui proteção das vítimas e monitoramento contínuo.

O momento gerou  debates e troca de experiências. O secretário judicial de São Francisco do Maranhão, por exemplo, compartilhou sobre a criação e funcionamento de um projeto desenvolvido na comarca que busca a formação, diálogo e debates nas escolas sobre violência contra a mulher. Para Marcelo, a iniciativa tem contribuído para a mudança de mentalidade entre os jovens, especialmente os meninos.

DIVERSIDADE E JUSTIÇA

Em seguida, foi o momento de conhecer as ações do Judiciário maranhense que buscam promover a diversidade, integração e inclusão. O integrante do Comitê de Diversidade e secretário judicial da Vara da Mulher, Wilson Carvalho, apresentou os principais objetivos, projetos e atribuições do Comitê de Diversidade voltados tanto ao público interno quanto para a comunidade.

Foram apresentadas iniciativas como o Prêmio Luizão, Seminário de Diversidade e Antidiscriminação, Programa Escuta Ativa dos Povos Indígenas, Dia da Empregabilidade, Mutirão Cidadania Transgênero, além de rodas de conversa e debates sobre gordofobia, lgbtfobia, capacitismo, sexismo, entre outras formas de discriminação.

Wilson destacou ainda a importância do posicionamento para o enfrentamento de ações discriminatórias. “Não basta, por exemplo, dizer que não é racista, é preciso lutar contra, é necessário que efetivamente você tenha ações antirracistas”, afirmou.

Grande grupo de cerca de 25 pessoas posa de pé em um auditório. Ao centro, um homem e uma mulher seguram duas placas: uma com o texto "RACISMO É CRIME" e outra sobre a proibição de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero. O clima é de integração e encerramento de evento.

ACESSIBILIDADE

A juíza titular da comarca de Cantanhede, Bruna Fernanda Oliveira da Costa, e a servidora Caroline Buhaten, integrantes do Núcleo Permanente de Acessibilidade e Inclusão da Pessoa com Deficiência do TJMA, ministraram a palestra “Direitos da pessoa com deficiência”, pela primeira vez na programação dos Encontros Regionais.

Uma mulher loira de conjunto bege discursa com um microfone em um palco baixo. Ao seu lado, um telão exibe um slide intitulado ¿Marco Jurídico da Acessibilidade¿. No chão, entre ela e o telão, há um cartaz sobre o combate à discriminação. O público assiste em primeiro plano, de costas.

“Nada sobre nós sem nós”. A frase, que representa a importância da representatividade, marcou a apresentação, tendo a juíza Bruna Costa, uma pessoa com deficiência, à frente do debate.

Ela discutiu o conceito,  o marco jurídico da acessibilidade e as Normas 401 e 343 do CNJ sobre o assunto, destacando o papel do Judiciário na promoção dos direitos das pessoas com deficiência. “Antes o conceito de deficiência tinha um rol taxativo, agora a compreensão é psicossocial”, frisou.

Já Caroline Buhaten apresentou os integrantes e eixos de atuação da Comissão e do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão do TJMA, além dos resultados positivos das ações de acessibilidade implementadas pelo Poder Judiciário, como melhoria do atendimento ao público, ampliação do acesso à Justiça e o fortalecimento institucional, com a consolidação de práticas modernas de gestão pública e promoção da inclusão social.

Uma palestrante de pé, à direita, observa um telão que exibe uma videochamada com tradução em Libras. No slide, uma mulher fala sobre experiências com deficiência. À frente, o público está de costas, sentado em cadeiras universitárias, acompanhando a apresentação no auditório iluminado.

DEFESA PESSOAL

Os servidores e as servidoras das nove comarcas do Polo de São João dos Patos também participaram do curso de Defesa Pessoal, com instruções teóricas e práticas para reagir em situações de risco em ambientes frequentados no cotidiano. O curso, coordenado pela Diretoria de Segurança Institucional (DSI), foi ministrado pela professora e especialista em Defesa Pessoal e faixa preta em Krav Maga e Karatê, Graça Pedroza.

Grupo de cerca de 20 pessoas posa de pé em um auditório sobre um tatame preto. À esquerda, uma mulher de uniforme tático; ao centro, participantes seguram aparadores de chute vermelhos e fazem poses de guarda de luta. Ao fundo, um telão com o brasão da Segurança Institucional e um banner dos "Encontros Regionais".

Com a conclusão dessa edição, o programa Encontros Regionais alcança 11 polos judiciais e a comarca de Barreirinhas, com o número 772 participantes, entre magistrados/as e servidores/as e 48 palestrantes, além da capacitação de 106 facilitadores do programa Justiça de Todos.

Para a supervisora do Escritório de Gestão e Projetos do TJMA, Norma Diniz, destacou a relevância da iniciativa do presidente Froz Sobrinho, que conta com coordenação da juíza Tereza Nina e execução dos servidores e servidoras da Coordenação de Acompanhamento e Controle da Estratégia (Coace/TJMA), para a aproximação entre a Mesa Diretora e as unidades judiciais.

Uma mulher de óculos, blusa coral e cardigã preto sorri lateralmente enquanto segura um microfone laranja. Ela está de pé em um auditório à frente de um banner branco com o título "Encontros Regionais - Poder Judiciário do Maranhão". Ao fundo, vê-se parte de uma bancada com a logomarca da OAB.

“Saímos de São João dos Patos cientes de que magistradas e magistrados, servidoras e servidores estão muito mais capacitados para entregar a melhor prestação jurisdicional para toda a população do estado do Maranhão. Nossa sensação é de dever cumprido”, declarou.