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José Sarney tem participação especial no Barometro da Lusofonia

Conselheiro Emérito do mapeamento inédito liderado pelo Ipespe, ex-presidente assina ainda o preâmbulo do projeto; membro da ABL, ele foi responsável pelo 1º encontro entre nações de língua portuguesa, ainda em 1989

Presidente do Conselho Científico do Ipespe – Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas, o cientista político Antonio Lavareda convidou o ex-presidente José Sarney a assinar o preâmbulo do Barometro da Lusofonia, estudo inédito recém-lançado em cerimônia na sede da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Lisboa, Portugal.

Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e Conselheiro Emérito do Barometro da Lusofonia, Sarney teve papel destacado na valorização internacional da língua portuguesa. Como Presidente da República, impulsionou a criação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), durante o Primeiro Encontro de Chefes de Estado e de Governo dos países de língua portuguesa, realizado em São Luís do Maranhão, no Brasil, em 1989. O IILP foi o marco fundador do processo que culminou na criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), oficialmente instituída em 1996.

O preâmbulo de Sarney (copiado abaixo) está na apresentação dos dados do estudo, disponível no site www.barometrodalusofonia.com e na edição do livro, que será lançado em versões digital e impresso.

Esta primeira edição do levantamento tem como principais objetivos avaliar e ampliar o conhecimento mútuo entre as nações conectadas pelo idioma, a fim de promover a integração entre eles na perspectiva da cooperação para o desenvolvimento socioeconômico, do fortalecimento da democracia e da valorização da língua.

O estudo engloba uma ampla e inovadora pesquisa simultaneamente em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, oferecendo um panorama único desse universo, que reúne cerca de 300 milhões de indivíduos distribuídos em quatro continentes, sendo uma das línguas mais vocalizadas do mundo por número de falantes nativos.

Foram abordados valores e percepções sobre uma extensa pauta, incluindo temas como imigração, preconceitos, herança escravocrata, desigualdade de gênero, fake news, relevância do voto e da democracia, além de trocas culturais entre os países. O trabalho também contemplou o grau de conhecimento e valorização da CPLP pelas populações dos países-membros.

O Barometro conta com apoio e participação da CPLP – Comunidade dos países de Língua Portuguesa, da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do Ministério da Cultura do Brasil, da Missão Brasileira junto à CPLP, do CC&P, da Fundação Itaú, da FGV Conhecimento, da Federação Lusófona de Ciências da Comunicação (Lusocom), do Instituto Camões de Cooperação da Língua, da Universidade Católica da Guiné-Bissau, da Fundação Joaquim Nabuco, da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade Federal de Pernambuco, da Universidade Federal do Rio Grande Sul, da Universidade Federal de Santa Maria, da Unitau, da Universidade Católica de Pernambuco, da Universidade Autónoma de Lisboa e da Universidade de Coimbra.

Aberto à futura participação de outras entidades interessadas, o Barometro da Lusofonia tem como perspectiva apresentar estudos de periodicidade bienal, a fim de se tornar referência para levantamentos sobre democracia, desenvolvimento e identidade cultural nos países de língua portuguesa.

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José Sarney

Na elaboração da Constituição Brasileira, pedi ao presidente da Assembleia Constituinte que fosse incluído em seu texto que a língua oficial do Brasil era a língua portuguesa, e assim consta. O português foi a primeira língua universal. No tempo das grandes navegações, foi a língua dos navegantes, dos instrumentos de náutica, das trocas comerciais, do mercadejo e do entendimento entre civilizações. Assim, levou vocábulos e os trouxe dos idiomas da costa da África ao Japão e da corte dos matriarcados de Moçambique aos povos da Amazônia e da nossa costa, enriquecidos de neologismos e deixando palavras. Na fundação da Academia Brasileira de Letras (ABL), seus fundadores, Joaquim Nabuco e Machado de Assis, deram a ela como dogma a defesa da língua portuguesa e da tradição cultural. Na ABL, sempre relembro esses compromissos inaugurais e luto pelo seu dicionário e pela atualização do vocabulário ortográfico. Promovi, como presidente, a criação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), raiz da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Meu compromisso, como escritor e autor de 122 títulos, em muitas edições no Brasil e no exterior, é com a língua, instrumento do meu trabalho, e tanto em meu ofício literário e como em minha atividade política dou prioridade à defesa da língua e sua integridade, porque é ela que nos une, nove países, comungando, com ela, sentimentos e bens, emoções, convivências e total comunicação.

O Barometro, com sua concepção desenvolvida pelo IPESPE e pela CPLP, faz mais que levantar dados, registrar valores, percepções e expectativas: exprime a consciência de nossa identidade. E é esta que nos permite cooperar, integrar e realizar com uma base de informação que nos dê um caminho seguro e horizontes comuns.

O Barometro torna-se, assim, um instrumento fundamental para o contínuo desenvolvimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, viabilizando políticas de integração e pontos de cooperação para um futuro mais solidário.