IPO do Grupo Mateus (GMAT3): saiba tudo sobre a abertura de capital na B3

Grupo Mateus, uma das maiores companhias de varejo alimentício do Brasil, fará sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na Bolsa de Valores de São Paulo (B3) no dia 13 de outubro. A oferta base da operação conta com 397.286.822 ações ordinárias, sendo que 85,36% são primárias. A empresa procura aderir ao Novo Mercado, mais alto nível de governança da bolsa brasileira. Os papéis da companhia serão negociados por meio do ticker “GMAT3“.

De acordo com o prospecto do IPO do Grupo Mateus, entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os 14,64% da oferta base que contemplam as ações secundárias, serão oriundas das vendas dos atuais acionistas Ilson Mateus Rodrigues (fundador), Maria Barros Pinheiro, Ilson Mateus Rodrigues Júnior e Denílson Pinheiro Rodrigues.SAIBA MAISGrupo Mateus, de varejo do Nordeste, protocola prospecto para IPO

Além disso, a oferta base pode ser acrescida dos lotes suplementar e adicional. O lote suplementar é de 15% da oferta base, correspondente a 59,6 milhões de ações ordinárias. O lote adicional, por sua vez, é equivalente a 20% da oferta base, ou seja, contaria com mais 79,45 milhões de papéis ordinários. As ações do lote adicional, porém, não seriam de ordem primária, quando os recursos vão para o caixa da empresa, mas sim alienadas por atuais acionistas do grupo.

Dessa forma, considerando a colocação apenas da oferta base com o preço médio da faixa indicativa, que ficou entre R$ 8,97 e R$ 11,66, a varejista pretende levantar um montante líquido de R$ 3,27 bilhões, já excluídos os gastos com comissões. Os recursos que forem destinados à empresa serão utilizados integralmente aos planos de expansão orgânica da companhia, segundo o prospecto.

A empresa salienta que quer se beneficiar da demanda e do crescimento potencial de determinadas áreas das regiões Nordeste e Norte. O Grupo Mateus diz que deseja “abrir um número significativo de novas lojas nos próximos anos, com a expansão acelerada de nossa presença nos formatos de rápido crescimento: Cash&Carry (Mix Atacarejo) e lojas de vizinhança (Camiño)”.

A oferta será disponibilizada para investidores Pessoa Física por meio do segmento varejo ou pelo segmento private. No varejo, a oferta mínima é de R$ 3 mil e máxima de R$ 1 milhão, com ou sem lock-up, de 45 dias. No segmento private, as ofertas ficam entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões, com ou sem lock-up, que, neste caso, é de 70 dias.

Vale a pena investir no Grupo Mateus (GMAT3)? Baixe nosso relatório GRATUITO e veja nossa recomendação para o IPO do Grupo Mateus.

A operação de IPO do Grupo Mateus será coordenada pelas seguintes instituições:

  • XP Investment Banking (coordenador);
  • Bradesco BBI;
  • BTG Pactual (BPAC11);
  • Itaú BBA;
  • BB Investimentos;
  • Santander Investment Banking;
  • Safra.

Cronograma do IPO do Grupo Mateus

Confira o calendário do IPO do Grupo Mateus:

  • Registro da solicitação na CVM – 14/08/2020
  • Aviso ao mercado, disponibilização do prospecto preliminar e início do procedimento de bookbuilding – 18/09/2020
  • Início do pedido de reserva de ações – 25/09/2020
  • Encerramento do Período de Reserva – 07/10/2020
  • Encerramento do procedimento de bookbuilding e fixação do preço por ação – 08/10/2020
  • Início da negociação em Bolsa – 13/10/2020
  • Liquidação das ações – 14/10/2020
  • Data de encerramento do lock-up da oferta de varejo – 23/11/2020

Receba as principais notícias do mercado diariamente.

Histórico e perfil corporativo do Grupo Mateus

O Grupo Mateus foi fundado em 1986 por Ilson Mateus Rodrigues em Balsas, no Maranhão. Desde o início, o empresário adotou a estratégia de comprar produtos de grandes distribuidoras a prazo e vender aos seus clientes à vista, proporcionando crescimento ao negócio sem demandar muito capital de giro.

Em 2000, a companhia deu início à sua expansão territorial ao abrir sua primeira loja em Imperatriz, segundo município mais populoso do estado. Dois anos depois, a empresa chegou a Santa Inês, com o intuito de levantar um centro de distribuição estratégico, visando ganhar market share no estado nordestino. Com isso, um ano depois, a varejista chegou à capital São Luís, abrindo duas lojas.

Anos depois, a companhia uma parceria com o Bradesco (BBDC4), criando o MateusCard, fez com que a recorrência de vendas nas unidades da empresa fossem elevadas. Esse processo foi seguido da ampliação do número de supermercados entre os estados, chegando ao Tocantis e Pará.

Desde então, a empresa criou um site especializado em vendas para resutaurantes, hotéis e lanchonetes; o aplicativo de descontos Mateus App e o Mateus on-line, voltado ao e-commerce de produtos não alimentícios; a bandeira Camiño, para cidades com até 50 mil habitantes, que pode ser franqueada ou própria. Neste ano, a varejista lançou uma unidade de Mix Atacarejo em Teresina, a primeira loja do grupo no Piauí. A companhia é a maior empresa do varejo alimentar com capital 100% nacional.

Além disso, de acordo com o Ranking Abras (Associação Brasileira de Supermercados), o grupo ocupa a quarta colocação dentre as maiores empresas do varejo alimentar do Brasil, atuando nos seguintes segmentos:

  • Cash&Carry (Atacarejo);
  • Atacado;
  • Móveis e eletrodomésticos;
  • Indústria de panificação;
  • Central de fatiamento e porcionamento.

Agora, com mais de 30 anos de operação, a empresa alcançou a posição de maior atacadista das regiões Norte e Nordeste, chegando a 19,4 mil pontos de venda, com suporte de mais de 1.800 representantes comerciais. No fim do ano passado, a companhia contava com 120 lojas, número que cresceu para 137 ao fim do primeiro semestre deste ano.SAIBA MAISGrupo Mateus define faixa de preço e pode levantar até R$ 6,2 bilhões em IPO

receita líquida do Grupo Mateus saiu de pouco menos de R$ 6 bilhões em 2017 para R$ 8,11 bilhões em 2019, com um CAGR de 18,24%. Nos primeiros seis meses deste ano, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a companhia conseguiu expandir seus resultados em 30,25% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado saiu de R$ 400 milhões em 2017 para R$ 652,02 milhões em 2019, crescimento anual de 19,06%. Isso levou a um crescimento anual de 37,73% do lucro líquido no mesmo período, atingindo R$ 367 milhões em 2019 — no primeiro semestre deste ano, os ganhos líquidos da empresa cresceram 61,87% na comparação anualizada.

O Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) da empresa, no ano passado, foi de 18,76%. O endividamento da empresa, por outro lado, dobrou desde 2017, saindo de R$ 600 milhões para R$ 1,2 bilhão em 2019.

Ao estrear na B3, o Grupo Mateus irá concorrer diretamente com o Pão de Açúcar (PCAR4) e Carrefour (CRFB3) dentre as varejistas de capital aberto no Brasil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.