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Hospital do Servidor Estadual (HSE-HSLZ) lidera movimento por qualidade e segurança do paciente com foco em melhoria contínua

Em um ambiente onde decisões precisam ser tomadas em segundos e múltiplas equipes atuam simultaneamente, o hospital é, por definição, uma das organizações mais complexas que existem. Nesse cenário, a ocorrência de falhas não é exceção — é uma possibilidade inerente ao sistema. O que diferencia instituições seguras das demais é a forma como as equipes multidiscipinares respondem a esses erros.

Hoje, cresce no setor de saúde a compreensão de que eventos adversos — quando analisados de forma estruturada — podem deixar de ser apenas indicadores de falha para se tornarem instrumentos valiosos de aprendizado organizacional e melhoria contínua.

Estudos internacionais mostram que mais de 50% dos eventos adversos hospitalares poderiam ser evitados com sistemas mais robustos de segurança, evidenciando que o problema não está apenas no erro humano, mas sobretudo, nas fragilidades dos processos e da cultura institucional. Esse foi o tema do amplo debate que aconteceu no Hospital do Servidor Estadual (HSE – HSLZ) durante o Workhsop “Gestão de Eventos Adversos – Sistemas de Notificações”, voltado para o público interno multidisciplinar, com palestras ministradas pelos consultores de Qualidade Enf. Isabela Volpini e Enf. Felipe Mendes, que integram a consultoria de qualidade hospitalar liderada pela enfermeira Nathalia Belchior.

O evento faz parte de uma ampla programação de 2026, eleito como o Ano da Qualidade e da Humanização no Hospital do Servidor Estadual. Essa iniciativa busca fortalecer a cultura de segurança do paciente e elevar o padrão assistencial.

O workshop Gestão de Eventos Adversos abordou, de forma estruturada, conceitos como definição e classificação de incidentes e eventos adversos; diferenciação entre dano causado pela doença e pelo cuidado; uso estratégico do sistema de notificações para gestão de risco; análise de dados para identificação de padrões e causas raiz; além da construção de planos de ação e prevenção de recorrências. Também foram discutidos aspectos como a reestruturação do formulário de notificação, com foco na melhoria da qualidade dos dados e na análise mais precisa dos riscos, permitindo decisões mais assertivas e melhor direcionamento de recursos .

A consultora de qualidade Nathalia Belchior destacou a importância estratégica do workshop:  “Estivemos com toda a equipe multidisciplinar do HSE – HSZ nesse momento de extrema importância para refletirmos sobre a gestão de notificação de eventos adversos. Esse eventos devem ser considerados sempre como uma oportunidade relevante de se enxergar oportunidades de melhoria, pensando na melhoria contínua dos processos. Foi um momento para reforçar a construção de uma cultura voltada para a segurança, e tendo como meta o melhor cuidado aos pacientes. O saldo foi muito produtivo”, disse a consultora.

Para a direção da unidade, a iniciativa marca um passo relevante na transformação cultural da instituição. “Estamos vivenciando o Ano da Qualidade e da Humanização no HSE-HSLZ, e esse workshop se insere na programação de diversos eventos da área da Qualidade, que vamos promover em prol da mudança de cultura interna, tendo como meta a excelência máxima que buscamos alcançar em nossos processos”, destacou o diretor geral, Plínio Túzzolo.

Do erro individual à falha sistêmica

Uma importante mudança de paradigma, aboradada no workshop, passa por abandonar a lógica punitiva dos erros e avançar para uma abordagem sistêmica. Modelos amplamente adotados, como o “Queijo Suíço”, demonstram que eventos adversos raramente têm uma única causa: são resultado do alinhamento de múltiplas falhas — humanas, organizacionais e estruturais. Nesse contexto, a notificação de incidentes ganha papel central. Mais do que registrar ocorrências, trata-se de um mecanismo estratégico para identificar padrões, revisar protocolos e prevenir novos eventos.

A análise sistemática dessas notificações permite, por exemplo: detectar falhas recorrentes nos processos assistenciais; orientar atualizações de protocolos com base em evidências reais e implementar barreiras preventivas antes que erros causem danos graves. Casos emblemáticos na saúde global reforçam essa lógica. O checklist cirúrgico da Organização Mundial da Saúde (OMS), criado a partir da análise de eventos adversos, reduziu a mortalidade em até 47% em hospitais que o adotaram.

Notificar é cuidar

A cultura de notificação, no entanto, ainda enfrenta desafios importantes dentro das instituições. Medo de punição, falta de tempo, desconhecimento dos processos e descrença na efetividade das notificações são algumas das barreiras mais comuns .

Superar esses entraves exige investimento contínuo em capacitação, sistemas acessíveis e, sobretudo, na construção de uma cultura justa — onde o erro é analisado para gerar aprendizado, e não para atribuir culpa.

Na prática, o ciclo da notificação envolve etapas que vão desde a identificação e registro do incidente até a análise, devolutiva às equipes e implementação de ações corretivas. Esse processo transforma dados em conhecimento e conhecimento em melhoria do cuidado .

Segurança como construção coletiva

A literatura científica e a prática hospitalar convergem para uma mesma conclusão: segurança do paciente não é resultado de ações isoladas, mas de um esforço coletivo, contínuo e baseado em dados.

Como sintetiza o próprio conceito que norteou o workshop, em sistemas complexos como os hospitais, erros podem ocorrer. A diferença está na capacidade de aprender com eles e transformá-los em melhorias concretas no cuidado .

Nesse caminho, cada notificação deixa de ser apenas um registro e passa a representar uma oportunidade: de corrigir processos, proteger pacientes e construir instituições mais seguras e confiáveis.