O Maranhense|Noticias de São Luís e do Maranhão|

SaúdeÚltimas Noticias

Grávida depois dos 40: o que muda no pré-natal?


Idade influencia a classificação de risco, mas condições de saúde da mulher também determinam como será o acompanhamento durante a gestação

Aos 45 anos, Sabrina Sato está grávida novamente. A apresentadora, que espera um filho com Nicolas Prattes, faz parte de um grupo de mulheres que vivem a maternidade em uma fase mais avançada da vida reprodutiva. Em junho, a atriz norte-americana Anne Hathaway também anunciou a terceira gravidez, aos 43 anos. Fora do universo das celebridades, a maternidade também vem se deslocando para idades mais altas: dados do IBGE mostram que, em 2024, 39,5% dos nascimentos registrados no Brasil foram de mães com 30 anos ou mais.

Engravidar aos 40, porém, não significa que a gestação necessariamente terá complicações. O que acontece é que a idade materna modifica a avaliação de risco e exige um olhar mais individualizado durante o pré-natal, considerando também o estado de saúde da mulher antes da gravidez e eventuais condições que surjam durante os nove meses.

“O pré-natal de uma paciente com mais de 40 anos depende muito do perfil dela. Precisamos considerar a idade, mas também se existem outros fatores ou comorbidades, como obesidade, diabetes e hipertensão, ou se durante a gravidez ela desenvolve alguma condição, como hipertensão ou diabetes gestacional”, explica Patrícia Tourinho, ginecologista, especialista em fertilidade humana e professora do IDOMED São Luís.

RISCO

A idade materna avançada é reconhecida como um fator de risco obstétrico, mas isso não equivale a dizer que toda mulher com mais de 40 anos terá uma gravidez complicada. Na prática, a idade importa porque algumas doenças se tornam mais frequentes conforme a mulher envelhece. De acordo com uma revisão publicada na Femina, revista da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), mulheres com 40 anos ou mais podem apresentar risco de diabetes gestacional duas a três vezes maior e aproximadamente o dobro do risco de pré-eclâmpsia, quando comparadas com gestantes mais jovens. A hipertensão crônica também é maior nessa faixa etária. 

“Por conta da idade, essas pacientes podem ser encaminhadas para acompanhamento de alto risco, mas precisamos olhar o conjunto. Muitas vezes, existem outros fatores associados e são eles que também vão determinar os cuidados necessários durante a gestação”, explica Patrícia.

PRÉ-NATAL

Na prática, classificar uma gravidez como de maior risco não significa prever que algo dará errado. A classificação serve para definir o nível de acompanhamento necessário e permitir que determinadas alterações sejam identificadas e tratadas precocemente.

O pré-natal, portanto, é adaptado ao perfil da gestante. Consultas, exames e rastreamentos podem ser definidos conforme idade, histórico obstétrico, doenças preexistentes e condições identificadas ao longo da gravidez. “É justamente essa combinação que orienta o acompanhamento. Identificar doenças preexistentes, iniciar o pré-natal precocemente e realizar os rastreamentos indicados permite adequar os cuidados às necessidades de cada gestante, sem tratar a gravidez depois dos 40 como sinônimo automático de complicação”, conclui Patrícia.