O Maranhense|Noticias de São Luís e do Maranhão

Giro de NoticiasÚltimas Noticias

Fotoproteção em 2026: filtros protegem e regeneram a pele

A indústria de fotoproteção lançou uma nova geração de produtos que, além de bloquear os raios solares, combatem os danos causados pela radiação ultravioleta. Utilizando enzimas como fotoliase e endonuclease T4, extraídas de bactérias e algas, as novas fórmulas superam a função tradicional dos filtros solares em termos de defesa celular da pele.

Um estudo publicado na revista científica Actas Dermo-Sifiliográficas demonstrou que adicionar fotoliase a protetor solar com FPS 50 reduziu em 93% os danos celulares, comparado a 62% de redução com o filtro tradicional. 

O avanço marca a consolidação da fotoproteção ativa, mudança considerada estratégica pelas autoridades de saúde diante dos diagnósticos de câncer de pele. Só no Brasil, a doença representa mais de um terço (31,3%) de todos os casos de câncer. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima uma média de 220.490 diagnósticos por ano.

Enzimas atuam na restauração celular após exposição ao sol

A fotoliase opera por meio de fotorreativação. Segundo o estudo publicado na Actas Dermo-Sifiliográficas, a enzima absorve a luz azul entre 300 e 500 nanômetros e converte dímeros de pirimidina danificados de volta à forma original. Bactérias, algas e alguns animais produzem naturalmente essa molécula, ausente em humanos.

A endonuclease T4, por sua vez, atua em outra frente. Originária da bactéria E. coli, ela potencializa o mecanismo humano de reparo por excisão de nucleotídeos (NER). Essa  enzima detecta áreas danificadas, recorta a porção afetada e estimula a síntese de nova cadeia, acelerando o reparo natural em até quatro vezes.

Ingredientes naturais reforçam ação antioxidante 

Outra frente dos avanços em fotoproteção inclui análogos de aminoácidos tipo micosporina, descobertos em algas e corais, que absorvem a radiação ultravioleta e a dissipam como calor. É como se fossem uma espécie de filtros naturais com potencial antioxidante.

A nicotinamida também ganhou espaço nas formulações. Em artigo publicado nos Anais Brasileiros de Dermatologia, cientistas registraram que a substância reduz imunossupressão induzida por radiação UVA1 e UVB e diminui fotocarcinogênese, além de auxiliar no controle da oleosidade da pele. 

Já o óxido de ferro passou a ter função protetora contra luz visível após ser comprovada a correlação entre a quantidade da substância e o resultado na prevenção de hiperpigmentação. Óleos amazônicos, como buriti e açaí, reforçam a ação antioxidante.

Tecnologia combate o envelhecimento cutâneo

Paralelamente aos avanços em fotoproteção, a dermatologia tem incorporado tecnologias não invasivas para tratamento do envelhecimento cutâneo. O ultrassom focado de alta intensidade é uma dessas abordagens, responsável por estimular a produção de colágeno nas camadas profundas da pele.

Estudo publicado na revista Plastic and Reconstructive Surgery – Global Open analisou os efeitos do equipamento MPT Ultraformer em 50 pacientes. A pesquisa, conduzida com análise tridimensional computadorizada, mediu o grau de lifting em sete regiões faciais distintas. Os resultados demonstraram melhoras na testa, na região periorbital, na área malar e no pescoço.

Uma análise histológica complementar, publicada no Journal of Cosmetic Dermatology, identificou aumento na síntese de colágeno tipos I e III, regeneração de fibras de elastina e redução de gordura subcutânea após tratamento com o MPT Ultraformer. O estudo reportou 85% de satisfação geral entre as participantes e 70% de melhora no contorno facial. Ao final, 64% das participantes relataram aumento na autoestima.

O procedimento atua através da emissão de ondas ultrassônicas focalizadas que geram calor controlado em profundidades específicas, estimulando o processo de neocolagênese. Diferentemente da fotoproteção, que previne danos UV, ela atua na reestruturação de tecidos já afetados pelo fotoenvelhecimento.

A tecnologia já é utilizada no Brasil. “Os procedimentos estéticos modernos ajudam a reduzir os danos causados pelo sol ao estimular a renovação celular, a produção de colágeno e a regeneração da pele. Tecnologias como ultrassom microfocado, radiofrequência e lasers auxiliam na melhora da textura, manchas, flacidez e sinais do fotoenvelhecimento, promovendo uma pele mais saudável e uniforme”, destaca a coordenadora do Suporte Clínico da MedSystems, Raquel Nato.

“Embora não substituam o uso do protetor solar, os procedimentos estéticos fortalecem a pele ao estimular colágeno e melhorar sua função de barreira. Isso aumenta a resistência cutânea aos danos ambientais, potencializa os cuidados diários e contribui para a prevenção do envelhecimento precoce quando associados a hábitos de proteção solar”, completa.

Anvisa proíbe fabricantes de alegarem ‘reparação’ do DNA

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe alegações de que os produtos dessa nova geração “reparam” o DNA. O Manual de Regularização de Protetor Solar veda essa comunicação para evitar confusão entre cosméticos e tratamentos médicos e a crença de que células cancerígenas podem ser “curadas”.

As normas vigentes exigem FPS mínimo de 6 e proteção UVA de ao menos um terço do valor total. A agência ainda reforça a necessidade de reaplicação a cada duas horas. Continua proibido alegar a proteção “total” ou usar o termo “bloqueador solar”, garantindo que o consumidor entenda que nenhum produto oferece barreira de 100%.

Prevenção do câncer de pele ainda é negligenciada

O Inca registrou 2.653 óbitos por câncer de pele não melanoma e 1.923 por melanoma em 2020. A incidência anual é de 101.920 casos em homens e 118.570 em mulheres anualmente. 

Para o melanoma, tipo mais agressivo, a estimativa é de 8.980 novos casos por ano. Desse total, 4.640 são esperados em homens e 4.340, em mulheres.

A falta de fotoproteção é um dos principais fatores causais dessa variação da doença. Embora o câncer seja uma doença multifatorial, que envolve genética e histórico familiar, a exposição à radiação ultravioleta sem proteção é um fator de risco considerável.

Soma-se a isso o dado de que apenas 32% dos brasileiros se protegem do sol durante todo o ano, conforme pesquisa do Instituto Ipsos. A 21ª Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele da SBD estimou que 63% da população se expõe ao sol sem qualquer proteção.