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FIEMA participa de lançamento de instituto da UFMA dedicado à Margem Equatorial 

Iniciativa reúne pesquisa sobre petróleo e gás, sustentabilidade e desenvolvimento socioeconômico; projeções da CNI indicam potencial de R$ 10,9 bilhões para o PIB maranhense

SÃO LUÍS – A Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) participou, na quinta-feira (8), do lançamento do Instituto Nacional de Altos Estudos da Margem Equatorial (INHAME), iniciativa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) destinada à produção de estudos sobre o potencial energético, ambiental e econômico de uma região que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. A faixa litorânea abrange cinco grandes bacias marítimas, entre elas Pará-Maranhão e Barreirinhas, e é considerada uma nova fronteira para a exploração de petróleo e gás no Brasil.

A FIEMA foi representada pelo vice-presidente executivo e presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Maranhão, Celso Gonçalo. O diretor da Federação e presidente do Sindicato das Indústrias de Cana, Açúcar e Álcool do Maranhão e do Pará (Sindicanálcool), Milton Campelo, também participou da solenidade, conduzida pelo reitor da UFMA, Fernando Carvalho Silva, acompanhado do diretor do INHAME e presidente da Gasmar, Allan Kardec.

A criação do instituto ocorre em um momento em que a Margem Equatorial ganha espaço no debate sobre o desenvolvimento econômico do Maranhão. Estimativas reunidas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a exploração da região pode acrescentar até R$ 10,9 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) maranhense e gerar mais de 50 mil empregos nos setores de indústria, comércio e serviços. Os números são projeções baseadas em simulações do Observatório Nacional da Indústria, não resultados já alcançados.

Para a FIEMA, o aproveitamento desse potencial depende de estudos técnicos, segurança jurídica, infraestrutura e preparação das empresas para atender às demandas que poderão surgir com a atividade petrolífera. A Federação incluiu a Margem Equatorial entre as prioridades do Mapa Estratégico da Indústria do Maranhão 2025-2032, elaborado em parceria com a CNI. O documento prevê, entre outras iniciativas, a preparação do complexo portuário de São Luís para atender à possível demanda decorrente da exploração da região.

PESQUISA E DESENVOLVIMENTO – O INHAME pretende integrar pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e a estrutura acadêmica já existente na UFMA. A proposta é desenvolver estudos, formar profissionais e produzir conhecimento técnico para subsidiar decisões do poder público, das empresas e da sociedade.

Durante o lançamento, o reitor Fernando Carvalho Silva destacou a necessidade de uma abordagem que considere, de forma integrada, as dimensões energética, ambiental e social da Margem Equatorial. “Essa região vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, tem cinco grandes bacias marítimas, entre elas Pará-Maranhão e Barreirinhas, e é estratégica para o futuro do país. O Instituto parte de uma ideia simples: energia, meio ambiente e desenvolvimento humano não podem ser tratados separadamente”, afirmou.

O diretor do INHAME e presidente da Gasmar, Allan Kardec, explicou que as pesquisas serão organizadas em três eixos: energia, sustentabilidade e desenvolvimento socioeconômico. Na área energética, estão previstos estudos sobre petróleo, gás, novas fontes de energia, tecnologias offshore, infraestrutura e segurança energética. O eixo ambiental abrangerá biodiversidade, oceanos, ecossistemas costeiros e monitoramento ambiental. Já a frente socioeconômica investigará efeitos sobre emprego, renda, cadeias produtivas e comunidades costeiras. “Nosso papel é produzir ciência, formar profissionais e oferecer conhecimento técnico para apoiar decisões do poder público, das empresas e da sociedade”, disse Kardec.

OPORTUNIDADES PARA A INDÚSTRIA – A aproximação entre universidade e setor produtivo é considerada fundamental para que o conhecimento produzido se converta em oportunidades econômicas para o Maranhão. A exploração de petróleo e gás pode demandar serviços especializados, equipamentos, logística, infraestrutura e fornecedores de diferentes segmentos industriais, além de estimular atividades comerciais e de serviços.

Celso Gonçalo destacou que a participação das empresas nesse processo é necessária para ampliar os efeitos da atividade econômica sobre a geração de emprego e renda no estado. “A Margem Equatorial pode mudar a economia do Maranhão nas próximas décadas, e o Instituto ajuda a transformar essa oportunidade em desenvolvimento duradouro. Para isso, o conhecimento precisa chegar às empresas. Quando se estudam emprego, renda e cadeias produtivas, é a indústria e o pequeno negócio que vão fornecer, inovar e gerar oportunidades na ponta. Setor produtivo e universidade caminhando juntos fazem a riqueza da região virar benefício para quem vive aqui”, afirmou.

A preparação da infraestrutura é outro ponto da agenda da FIEMA. Além da capacidade portuária, a Federação defende melhorias na logística e nas condições de investimento para ampliar a competitividade industrial do estado. As medidas também integram o planejamento estratégico da entidade para o período até 2032, que reúne propostas nas áreas de infraestrutura, inovação, educação profissional, comércio exterior e ambiente de negócios.

LICENCIAMENTO E SUSTENTABILIDADE – O desenvolvimento da atividade petrolífera na Margem Equatorial depende de autorizações ambientais e da avaliação dos impactos associados aos projetos. A discussão envolve a possibilidade de aproveitamento dos recursos energéticos e os cuidados necessários à proteção dos ecossistemas marinhos e costeiros.

A proposta do INHAME é incluir essas questões na produção científica sobre a região. Ao reunir áreas como oceanografia, geociências, biologia, química, engenharia, inteligência artificial, economia e direito, o Instituto pretende contribuir para a análise dos riscos, das tecnologias disponíveis e das alternativas para o desenvolvimento regional.

Para o Maranhão, que abriga as bacias Pará-Maranhão e Barreirinhas, a produção de estudos e a qualificação de profissionais podem ajudar a preparar o estado para eventuais investimentos. A perspectiva defendida pela FIEMA é que o debate sobre a Margem Equatorial considere tanto o potencial de geração de riqueza quanto as condições necessárias para que os benefícios econômicos alcancem as empresas e a população maranhense.